Coluna Marcos Melo
  • 28 de julho 2021

    terça ,27 de julho de 2021, às 20:07h

    O deputado estadual Franzé Silva é o candidato do governador Wellington Dias para se tornar conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Se a escolha fosse direta, nem haveria disputa, já estaria nomeado pelo governador. Mas a escolha é da Assembleia Legislativa e Franzé não é candidato único nem mesmo dentro do PT. Para aumentar a confusão, segundo fontes do Política Dinâmica, o petista ainda está fazendo campanha prometendo o que não deveria -- obras do governo -- e também o que não vai poder entregar: espaço na chapa proporcional do PT em 2022. Seria uma espécie de "compra" de votos, que o deputado, aliás, nega.

    Como conseguir aquela vaguinha vitalícia de conselheiro no Tribunal de Contas? Essa é a pergunta que não quer calar para Franzé (foto: Jailson Soares | Politica Dinâmica)

    Mesmo sendo o preferido do governador, lá no Partido dos Trabalhadores, Franzé disputa a vaga com a também deputada estadual Flora Izabel e com o deputado Ziza Carvalho. Segundo uma fonte do próprio PT, o governador teria dito ao deputado que abraçaria sua candidatura (fazendo gestão junto aos demais deputados), mas que antes Franzé teria que "se viabilizar". Outra fonte, de outro partido, confirmou a mesma história. "Mas acho que o companheiro entendeu 'coisa' além do que o governador disse pra ele", ponderou a fonte petista, quem será um dos eleitores.

    OBRAS PARA A OPOSIÇÃO

    Segundo conta esse deputado, Franzé estaria viabilizando obras para deputados de oposição e para "recém-chegados" no governo em troca do voto desses deputados. Parte dessas obras estariam sendo disponibilizadas por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Lá o secretário é Igor Neri, uma indicação do deputado Nerinho (PTB), que negou ao Política Dinâmica que a SDE esteja servindo a este propósito. Mas Nerinho reconhece que tem ótimo relacionamento com Franzé e por ser da base de Wellington Dias, vai votar "no candidato do governo", sem especificar o nome. "Eu acho que o governador deveria tomar muito cuidado com essa ansiedade do companheiro Franzé, pra depois o governo não se complicar", advertiu a fonte petista.

    Obras para adversários: se Franzé promete, ele promete com aval de Wellington Dias? (foto: Jailson Soares | Política Dinâmica)

    VAGAS NA CHAPA DO PT

    Outra questão levantada por essa mesma fonte é a promessa de vaga na chapa proporcional do PT para as eleições de 2022. Com o fim das coligações, partidos sem número suficiente de candidatos devem ter mais dificuldade para eleger mesmo deputados que possuem um histórico de boas votações, como é o caso do próprio Nerinho e da deputada Jannaina Marques (ambos do PTB) e do deputado Firmino Paulo (hoje, no PP).

    "Ele [Franzé] não pode garantir a ninguém que o PT vai aceitar qualquer outro deputado além do Oliveira [Neto, atualmente no Cidadania] e da deputada Elizângela [Moura, atualmente no PCdoB], em troca dos votos desse pessoal para ele ir pro Tribunal de Contas. É muito bonito, né, para ele, negociar um emprego vitalício no TCE às custas do sacrifício de quem vai ter que disputar votos ano que vem e que passou a vida toda contruindo um partido. Aí ele quer que a gente aceite quem vem aqui só tomar o lugar da gente?", reclamou o deputado, dando a entender essa promessa estaria sendo feita a Nerinho, Jannaína e Firmino.

    De primeira: Franzé quer ser nomeado conselheiro do TCE antes mesmo de terminar seu primeiro mandato na ALEPI; alguns parlamentares tem ressalvas sobre esse "timming" (foto: Jailson Soares | Política Dinâmica)

    A mesma fonte lembrou que Franzé deixou de ser candidato a prefeito de Teresina em 2020 exatamente por "ser muito afoito" e por "não respeitar o partido". Neste momento, a história estaria se repetindo. "Não interessa se ele acha que o Ziza por ser suplente tem menos direito que ele, ou que a Flora é amiga demais do Themístocles [Filho, presidente da ALEPI, figura à qual o PT tem suas restrições]. Dentro do partido ele não é mais bonito do que ninguém, e a escolha é dos deputados não do governador", disse a fonte em tom de desabafo.

    Em seguida a fonte emendou com ironia: "Ele é novo aqui [na ALEPI], estás no primeiro mandato, pode contribuir com mais um ou dois mandatos ante de querer ir pro TCE. Misturar o governo ou as eleições do ano que vem com o interesse pessoal dele nessa disputa só mostra que ele não deveria ser conselheiro do TCE, você não concorda?".

    "Sim, claro. Nenhum de vocês deveria ir pro TCE", respondemos, sinceramente.

    O QUE DIZ FRANZÉ

    O deputado Franzé Silva foi procurado para comentar o assunto, disse que "nunca ouvi tanta bobagem juntas (sic)". E em seguida afirmou que "além de bobagem, se realmente essas afirmações partiram de dentro do meu partido, certamente deve ter sido de alguém que não me conhece. Não há campanha pro TCE. O acesso àquela Corte como membro, depende de critérios claramente estabelecidos. Não conversei com ninguém que esteja na oposição ao Governo do Estado sobre TCE e segundo não tenho força política pra decidir vaga na chapa proporcional", assegurou.

    SOBRE 2022

    O deputado Franzé ressaltou ainda que suas expectativas quanto às eleições do próximo ano são públicas. "Tenho defendido publicamente através da imprensa meu ponto de vista em relação a chapa proporcional. Defendo que Rafael é o candidato de maior projeção ao cargo de candidato a governador em 2022 e a vaga de vice, na minha opinião deverá ficar com o MDB", disse, sem mencionar que esse vice tenha que ser ou deva ser o atual presidente da ALEPI, Themístocles Filho. Sendo o petista tão próximo de Wellington, essa lacuna parece muito com aquela de 2018. 

    Déjà vu: Franzé fala que Rafael Fonteles será candidato a governador e que vaga de vice é do MDB, mas não cita o nome de Themístocles (foto: Jailson Soares | Politica Dinâmica)

    TUDO PRO PT

    Quanto à chapa proporcional e a entrada de outros parlamentares no PT, ele diz que "pra eleição de 2022, tenho defendido publicamente que devemos manter a estratégia de termos acima de 400 mil votos e fazermos uma bancada de nove a dez deputados na próxima eleição. Tenho defendido que primeiro seja discutido os nomes que hoje estão no PT pra compor a chapa". Mas Franzé abre espaço para outros deputados já contando com a vaga do TCE ficar, provavelmente, com "alguém do PT".

    "O que é preciso analisar, teremos a saída do deputado Francisco Costa da contagem da meta de 400 mil votos, já que o mesmo irá sair candidato a deputado federal e a provável ida de um dos três parlamentares do PT que colocaram seus nomes pra concorrer ao TCE, caso um desses seja escolhido. Esse cenário diminuiria mais de 70 mil votos na nossa meta de coeficiente eleitoral para 2022. Isso abre perspectivas para convite de deputados com mandatos que tenham mais afinidades com nossa entidade. Ressaltando que essa discussão ainda acontecerá nas instâncias do Partido", analisa.

    Interessante é que o candidato a governador vai ser do PT, o candidato a senador vai ser do PT, o conselheiro do TCE vai ser do PT e o suplente que assume a vaga na ALEPI de maneira efetiva com a saída do deputado também vai ser do PT. 

    Só isso. 

    Os partidos aliados ficam com um tapinha nas costas. 

    • R&G Feet
  • terça ,27 de julho de 2021, às 14:07h

    O senador Ciro Nogueira acaba de se tornar a figura política mais forte do país. Antes que algum apressado conteste, não estamos falando de popularidade, mas de influência prática em todos os níveis de poder. Já tinha grande musculatura sendo o presidente nacional do principal partido do Centrão, o Progressistas. Sendo antigo no Congresso Nacional e habilidoso nos bastidores, fez se curvarem os últimos 3 presidentes da República antes de Jair Bolsonaro (sem partido). Anunciado como ministro-chefe da Casa Civil, Ciro ocupa, agora, bastidores, holofotes e canetas do Executivo.

    Ciro: atualmente, a figura mais poderosa da política nacional (foto: Jailson Soares | Política Dinâmica)

    Em outras palavras: se o presidente da República não pode governar sem Ciro -- e para amarrar o compromisso até o final do mandato, o fará ministro --, percebe-se quem dá as cartas agora. Ciro se torna, inclusive, o principal intermediário entre o Governo Federal, o Legislativo, o Judiciário, Estados e Municípios. Isso é o que se chama, na prática, de poder político. E ter chegado aí sem apelos populistas é o que o torna ainda mais forte.

    FORÇA TOTAL

    Claro, ainda é aguardada a informação sobre que poderes a Casa Civil terá de maneira objetiva, visto que nos últimos anos, havia perdido a articulação política, a Subsecretaria de Assuntos Jurídicos e o Programa de Parceria e Investimentos. Espera-se que a articulação e a SAJ retornem para a pasta.

    Pragmaticamente falando, o cenário para 2022 acaba de mudar. O principal partido do Centrão agora está colado no presidente, com pouquíssima margem para manobrar em sentido contrário. Jair Bolsonaro já pode respirar mais aliviado sobre possibilidade de impeachment, afinal, é o PP de Ciro Nogueira que comanda a Câmara Federal, onde, obrigatoriamente, um pedido deve ser pautado para seguir em frente. Todos -- mais de cem até aqui -- repousam sob sono profundo agora nas gavetas do deputado Arthur Lira, presidente da Casa, partidário do novo ministro-chefe.

    Urgente: Ciro Nogueira aceita convite para Casa Civil

    No caso específico do Piauí, então, a eleição do ano que vem parece começar a ficar interessante. Ciro acaba de ficar maior que o Governo do Estado, sem que haja alternativas entre parlamentares na bancada federal que façam ponte junto ao Governo Federal sem necessariamente passar por ele.

    Embora seus correligionários no estado continuem afirmando a candidatura dele ao governo, não parece razoável que Ciro deixe de lado a posição política mais elevada no cenário nacional que um piauiense já ocupou desde a redemocratização para disputar o Governo do Estado contra Rafael Fonteles (PT). 

    Com essa força, planejamento e cautela, basta ser cabo eleitoral para derrotar o PT. 

    • R&G Feet
  • quinta ,01 de julho de 2021, às 18:07h

    ATENÇÃO!

    Sem o sigilo, todo o material produzido nas investigações agora é público, inclusive imagens fortes do corpo e detalhes técnicos que descrevem as circunstância da morte.

    Em respeito à família e à sociedade como um todo, recomenda-se que essas imagens e esses detalhes não sejam publicados por veículos de comunicação ou qualquer pessoa com acesso aos documentos.

    Recomenda-se, ainda, que se evite distribuir ou compartilhar em redes sociais essas informações, que por sua vez podem servir como um infeliz estimulo a pessoas que passam pelo mesmo problema de depressão que vitimou o ex-prefeito Firmino Filho.


    Essa é a postura do Política Dinâmica.


    O caso está oficialmente arquivado. O inquérito está disponível no final da matéria. 

    Sem separação. Sem traição. Sem história de detetive e sem conversa de mandar matar. Em mais de 500 páginas estão depoimentos, perícias e provas que comprovam que Firmino Filho (PSDB), ex-prefeito de Teresina, decidiu dar fim a sua própria vida mergulhado num quadro grave de depressão. Semanas antes de sua morte, ainda no mês de março, Firmino confessou a uma colega de trabalho do Tribunal de Contas da União que estava com depressão acentuada desde dezembro de 2020 e que os remédios que estava tomando afetavam sua memória. Pedoi para que ela não contasse isso a ninguém.

    Firmino omitiu da família e dos amigos a gravidade do quadro de depressão no qual ele se encontrava, mas revelou isso a uma colega de trabalho no TCU (foto: Jailson Soares | Politica Dinâmica)

    Ana Lucia Epaminondas é funcionária do TCU lotada em Brasília. Conhecia Firmino havia pouco tempo, após o retorno do ex-prefeito às atividades de auditor no Tribunal. Foi apresentada a ele em meados de janeiro de 2021, numa reunião virtual. Era sua chefe numa secretaria interna do TCU e nunca o encontrou pessoalmente. A relação era tão profissional que ela levou semanas para descobrir que ele havia sido prefeito por 4 vezes de Teresina. Sabia apenas que ele havia sido "gestor", nada muito específico.

    Foi para essa pessoa que Firmino reconheceu o momento delicado pelo qual estava passando. Ela ouviu de Firmino o que a família e amigos não sabiam ou não perceberam a gravidade até que ele tivesse morrido. Talvez porque não seria julgado, por que não precisasse provar nada a Ana ou protegê-la de ataques pessoais. Firmino morreu no dia 6 de abril de 2021, uma terça-feira. Na sexta-feira anterir, dia 2, disse a Ana: "Eu tô mal, eu tô mal" e revelou que pensava em tirar uma licença médica. Na véspera da morte, quando Ana perguntou a ele se estava tudo bem sobre uma apresentação que seria feita na quarta-feira (7), ele disse apenas "Ok!".

    FIRMINO NÃO USAVA ALIANÇA

    Imediatamente após a morte de Firmino, passaram a ser espalhadas histórias sobre a vida pessoal de Firmino Filho e sua família. Que, por exemplo, ele e a deputada Lucy Soares estariam separados. Boatos com riqueza de detalhes dignos de novela. Firmino não usava aliança na hora de sua morte, isso pode ter dado margem à imaginação de quem espalhou as primeiras mentiras com propósito e reforçou quem passou pra frente sendo enganado.

    De fato, Firmino não usava aliança na hora da morte. Nem cordão. E ainda que gostasse de usar um modelo Garmin com monitor cardiáco e registro de atividades físicas, relógio também não foi encontrado em seu braço. Motivo: a constante e crescente preocupação dele com a possibilidade de contágio por covid-19. A aliança, segundo familiares, nem ele nem Lucy usavam para facilitar a higienização das mãos, muito mais por receio dele do que dela.

    Depoimentos que constam no inquérito mostram que a figura alegre e proativa de tempos atrás já não era reconhecida por amigos e familiares e que deu lugar a um Firmino ancioso e cansado (foto: Marcos Melo | Política Dinâmica)

    Para quem duvidar, o inquérito aponta que Firmino caiu usando máscara e antes da queda, quando chegou ao prédio onde funciona o TCU, apertou o botão do elevador com o cotovelo.

    Nada do que foi investigado aponta separação. Nenhum testemunho ou idício aponta para casos extraconjugais de Firmino ou Lucy.

    SIGILO

    O pedido para que as investigações ocorressem sob segredo de Justiça partiu da Políci Civil, no dia 12 de abril de 2021.

    A justificativa era de que havia a necessidade de resguardar a intimidade de Firmino e de seus familiares, devendo o acesso aos autos ser permitido apenas à própria Polícia Civil, ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. Porém, exatamente o sigilo da investigação favoreceu a disseminação de mentiras sobre o caso.

    Tanto é que o evantamento do sigilo foi um pedido da família, que continua sofrendo ataques como os que sofria em períodos de campanha mesmo após a morte de Firmino.

    Ataques: após morte de Firmino, segundo familiares e amigos, Lucy e sua família têm sido vítimas de boatos e mentiras sobre a vida particular do casal; motivação das fake news seria político-eleitoral (foto: Jailson Soares | Política Dinâmica)

    O Ministério Público já havia se manifestado pelo arquivamento do inquérito desde 19 de maio de 2021.

    O juiz Valdemir Ferreira Santos, da Central de Inquéritos de Teresina, decidiu acompanhar o MPPI e levantar o sigilo no último dia 28 de junho de 2021.

    Caso encerrado.

    Mas as repercussões estão apenas começando.

    VEJA AQUI O INQUERITO

    Obs.: Foram retiradas do documento original todas as fotos do corpo, laudos periciais que descrevem detalhadamente o ato da morte e as cópias das cédulas de identificação dos depoentes.

    • R&G Feet
  • terça ,22 de junho de 2021, às 17:06h

    Política e polícia formam uma controversa dobradinha que sempre é explorada por políticos no caminho até as próximas eleições, geralmente com as necessidades políticas se impondo diante do dever policial. E quando acaba uma eleição, sempre existe a próxima. Se alguém tem dúvidas sobre como isso existe e é nocivo à sociedade, talvez as dúvidas acabem na entrevista concedida pelo empresário Jivago Castro ao jornalista Ieldyson Vasconcelos. “Quando o delegado Paulo Nogueira quis dizer que tinha sido um suicídio, o governador Wilson Martins disse que não aceitava”, revelou sobre os bastidores do Caso Fernanda Lages.

    Denúncia grave: empresário Jivago castro revela que ex-governador quis interferir em investigação (foto: IelCast)

    Em 25 de agosto de 2011, a morte da jovem Fernanda Lages iniciou uma novela que ainda rende muita conversa mesmo dez anos depois. Um dessas conversas vai ao ar nesta terça-feira (21) às 18 horas, no 6º episódio da primeira temporada do IelCast, o novo canal de Ieldyson Vasconcelos no Youtube. É diferente de tudo o que ele já fez na TV e diferente de tudo o que está sendo feito por outras pessoas no Piauí. 

    Jivago não está falando de uma pessoa qualquer. O formato inovador do IelCast dá liberdade para que seus convidados se sintam livres para falar o que quiserem e da maneira que quiserem. E só quem teve a liberdade ameaçada tal qual Jivago poderia dizer o que ele disse desprovido de amarras.

    Inovador: nova produção de Ieldyson Vasconcelos redesenha o conceito de podcast no Piauí (foto: reprodução)

    EX-GOVERNADOR NÃO COMENTA O CASO

    “E ele que sente nessa cadeira e diga que eu tô mentindo. Doutor Paulo Nogueira queria dizer, com a convicção dele, pelas provas periciais, por tudo o que ele levantou, pela ciência... e o governador disse ‘Se botar que foi suicídio, eu derrubo a cúpula da Polícia Civil Inteira’”, reafirmou Jivago.

    Da esquerda para a direita: delegado Paulo Nogueira, delegado-geral James Guerra e secretário de Segurança Raimundo Leite; essa era a cúpula da Polícia Civil em 2011 (foto: Efrem Ribeiro)

    Esse único trecho do programa que foi distribuído nas redes sociais como chamada da estreia de logo mais já tem repercutido bastante nos bastidores da política.

    Em 5 de outubro de 2011, foi amplamente divulgada uma reunião convocada por Wilson Martins para tratar das investigações do Caso Fernanda Lages; todas as esferas de gestão da Segurança Pública estavam na reunião (foto: Efrem Ribeiro)

    O Política Dinâmica procurou o ex-governador Wilson Martins (PSB), recém embarcado no governo de Wellington Dias (PT). Ele quis mesmo interferir no Caso Fernanda Lages? Havia motivação política para isso? Como ele poderia rebater as acusações de Jivago?Em 27 de outubro de 2011, o então governador Wilson Martins pediu ao Ministério da Justiça que a morte de Fernanda Lages fosse investigada pela Polícia Federal, que investigou e apontou que a estudante havia se matado (foto: Jailson Soares | Política Dinâmica)

    “Não tenho nada a comentar!!”, respondeu Wilson, com essas duas exclamações.

    CONTEXTO

    Jivago, que teve seu nome associado à morte de Fernanda Lages das piores maneiras possíveis é sobrinho do atual senador Marcelo Castro, do MDB, à época dos fatos, deputado federal. Wilson Martins estava no meio do primeiro ano de governo após a reeleição de 2010. Aquele era exatamente um “governo de coalisão” entre o PSB de Wilson, o PT de Wellington Dias e o MDB de Marcelo.  

    Dez anos depois: Ieldyson e Jivago conversando sobre tudo o que o público não sabe sobre o Caso Fernanda Lages no IelCast (foto: reprodução)

    Vale a pena entender a história completa assistindo toda a entrevista que, dez anos depois do acontecido, ainda enche o público de novidades.

    PARA PENSAR BEM

    E caso a revelação não encontre contraditório dos personagens citados, é preciso refletir sobre até onde a polícia é utilizada para a conveniência pessoal e política de quem a comanda. E esse tema é mais do que atual, é urgente. Às vésperas de outra eleição, a Polícia Civil pode ser utilizada como instrumento eleitoral contra adversários da atual gestão? E se usam a Polícia Civil, por qual razão não usariam outras instituições?

    Wilson foi governador por mais dois anos e meio, até 2014. Mas antes de deixar a cadeira, colocou a esposa, Lilian Martins, nos quadros do Tribunal de Contas do Estado. Recentemente, sob o comando dela, o TCE-PI aprovou o sigilo de relatórios técnicos que pudessem apontar esquemas em licitações, desvios de recursos e pareceres que indicam corrupção em gestões municipais e do Governo do Estado. Aconteceu após Wilson fechar acordo político com Wellington e blinda os gastos públicos contra o controle social.

    O Piauí não é para amadores. 

    E a dica do IelCast é profissional!

    • R&G Feet
  • terça ,15 de junho de 2021, às 13:06h

    O procurador-geral do Município de Teresina estava com os dias contados na função. A saída do advogado Aurélio Lobão era dada como certa após sucessivos impasses com o vice-prefeito Robert Rios (PSB). Mas um grupo de advogados não quer o nome de Aurélio disponível para a disputa pela vaga do Quinto Constitucional do Tribunal de Justiça do Piauí e isso deve lhe dar vida extra na Prefeitura. Não por muito tempo.

    Favorzinho: segurar o procurador-geral no cargo até ele perder o prazo de concorrer ao TJPI; quem negaria um pedido vindo do grupo de amigos dos amigos de um ministro do STF? (foto: Ascom PMT)

    Aurélio Lobão foi indicado pela atual gestão da OAB-PI para o cargo de procurador-geral. A indicação deixou insatisfeito o grupo do advogado Chico Lucas, que atualmente é presidente do Instituto de Terras do Piauí (INTERPI), no Governo do Estado.

    PRA ENTENDER

    A turma de Chico Lucas, que tem hoje vários contratos dentro da gestão de Doutor Pessoa (a exemplo dos advogados Lucimar Santos, Rodrigo Castelo Branco, Talmy Tércio e Diogo Caldas), acompanha Doutor Pessoa desde as eleições de 2016. É fato.

    Aurélio contrariou em pareceres técnicos quem manda de verdade na PMT e passou a ser "fritado" no cargo de procurador-geral do Município; maior divergência teria sido sobre os contratos entre a PMT e as empresas que fazem parte do SETUT (foto: Ascom PMT)

    A história vai ficando interessante quando se mistura política eleitoral com a política de classe. Ambos pertencentes aos quadros da Procuradoria do Estado, Celso Barros e Chico Lucas estavam juntos na eleição de 2015, quando, juntos, derrotaram o grupo de William Guimarães e Raimundo Júnior.

    DESATANDO O NÓ

    Já em 2018. Celso se apartou de Chico quando viu que não seria o candidato dele à sucessão. E virou presidente da OAB-PI com a ajuda de William Guimarães e Raimundo Júnior.

    Tempos depois, precisando que as contas de sua gestão fossem aprovadas, Chico Lucas voltou a fumar o cachimbo da paz com Celso, que temia que a influência do antecessor junto ao presidente nacional da Ordem, Felipe Santa Cruz, pudesse prejudicar repasses de verbas para socorrer a OAB-PI.

    Com as contas aprovadas, Chico Lucas se juntou com Raimundo Júnior e os dois viraram "oposição" a Celso, não por serem diferentes em relação à (falta de) representação da classe de advogados, mas por terem interesses específicos diferentes sobre a indicação para as próximas vagas de desembargador no Tribunal de Justiça do Piauí e no Tribunal Regional do Trabalho, que deverão ser ocupadas por meio do Quinto Constitucional.

    O ACORDÃO

    Até meses atrás, quando todo mundo estava junto, falava-se nos bastidores que Chico Lucas e Raimundo Júnior dariam apoio à reeleição de Celso, desde que Celso garantisse o nome do advogado Agrimar Rodrigues na lista sêxtupla a ser enviada ao TJPI para a vaga disponível após a aposentadoria do desembargador Luiz Gonzaga Brandão em outubro deste ano.

    Os próximos desembargadores: dentro do grupo de Raimundo Junior, Zé Wilson vai primeiro, depois é Agrimar Rodrigues; o voto para o Quinto Constitucional já está sendo pedido junto com o da OAB-PI (fotos: Jailson Soares | Política Dinâmica)

    Em seguida, ano que vem, com a aposentadoria do desembargador Paes Landim, seria a vez que Celso, reeleito, garantir o nome do advogado Zé Wilson na lista sêxtupla. “Todo mundo” sairia ganhando. 

    MUDOU TUDO

    Mas sem que ninguém esperasse, o piauiense Kássio Nunes Marques virou ministro do Supremo Tribunal Federal. Ocupando o topo da cadeia alimentar do Judiciário pelos próximos 27 anos, então, o grupo de Raimundo Júnior decidiu modificar o acordo: Zé Wilson, que já foi sócio de Nunes Marques, iria passar à frente de Agrimar, que tem no desembargador Erivan Lopes seu principal apoiador.

    O sorriso no rosto de quem pode alinhar a influência da OAB-PI com o trânsito amplo dentro do TJPI e o poder de uma grande amizade no STF; mas o que sobra para os advogados que não são amigos ou sócios dele? (foto: Instagram)

    A ordem dos fatores nem iria mudar tanto assim o resultado, mas o grupo de Nunes Marques entendeu que era forte o suficiente para passar o rolo compressor por cima de qualquer adversário e vencer a eleição da OAB-PI sem Celso e sem precisar fazer concessões para outras vagas de Quinto Constitucional que podem ser criadas no futuro breve. Foi quando lançaram o nome de Raimundo Júnior para presidente e arrastaram a turma de Chico Lucas, que gosta de sombra grande.

    SEM COMPROMISSO

    Com Chico e Raimundo na oposição e acordo quebrado, Celso teria se desapegado do compromisso de sustentar a indicação de Zé Wilson, um nome pouco popular entre os advogados, principalmente no meio da jovem advocacia.

    Mesmo sem muito apoio para reeleição, a condição de presidente da Ordem dá ao procurador Celso Barros a condição de articular junto ao Conselho Seccional o corte de adversários da lista sêxtupla; lembrando aqui que a votação é secreta (foto: Jailson Soares | Política Dinâmica)

    E é aqui que Aurélio entra na história.

    Zé Wilson e Agrimar Rodrigues possuem essa dificuldade de “conexão” com o eleitorado amplo. Por outro lado, Aurélio Lobão, que é jovem, professor e comanda a Escola Superior de Advocacia da OAB-PI é bastante conhecido.

    Após diversas divergências com o vice-prefeito (segundo fonte, Robert não gosta de pareceres jurídicos que discordam de seu entendimento pessoal), Aurélio já estava de saída da PMT. E sem essa função na Prefeitura, poderia ser o candidato de Celso para o Quinto do TJPI.

    TIRO NO PÉ

    Alguém acordou para esse fato e é por isso que bateu o desespero no grupo de Raimundo Junior. A votação que elimina nomes após a votação dos advogados é feita por um conselho onde o voto é secreto e pouquíssima gente quer ver tanto poder concentrado em um grupo só de advogados que, aliás, já tem o seu próprio ministro do STF.

    Aurélio tem chance de ser o mais votado entre os advogados, e Zé Wilson corre o sério risco de ser cortado no Conselho Seccional. O grupo de Raimundo Júnior quer tudo, mas pode ficar sem nada: nem OAB-PI, nem TJPI.

    Correndo por fora: de repente, Aurélio Lobão se tornou uma alternativa perigosa contra os planos de concentrar o Poder Judiciário em um único grupo de advogados (foto: Ascom OAB-PI)

    Neste momento, o prefeito Doutor Pessoa tem sido pressionado a manter a PGM sem alterações, ainda que a contragosto de Robert Rios.

    O cavalo selado está passando para Aurélio. 

    Na PMT, de todo modo, ele só fica seguro até perder o prazo de concorrer ao Quinto.

    • R&G Feet
  • sexta ,04 de junho de 2021, às 17:06h

    Bem mais do que outras vezes, a eleição da OAB-PI este ano terá repercussão enorme no mundo jurídico, político e social do Piauí. Não porque a instituição tenha lá hoje a relevância que já teve em outros tempos. Longe disso. Mas porque muita coisa vai passar pela influência direta da OAB-PI nos próximos 3 anos. Então, leitor, preste atenção, principalmente se você for advogado.

    "Faça o fuxico, rapaz! O gordinho precisa do seu fuxico pra gente ganhar bem a OAB, rapaz. Raimundo Junior é amigo dos amigos". Esse apelo circulou em grupos de Whatsapp na última semana. É uma pista de como a OAB-PI deixou de servir à classe de advogados e à sociedade em geral para patrocinar a manutenção de grupos políticos.

    O áudio é acompanhado de uma imagem, onde estão, de um lado, o advogado Raimundo Júnior e, do outro, o atual presidente da OAB-PI, o procurador Celso Barros Neto. Além das fotos, números de uma suposta pesquisa, na qual Raimundo Junior teria 68% e Celso apenas 30%.

    Só para refletir: quantas vezes o mandato de deputado de João Mádison foi utilizado e prol de pautas dos advogados e quantas vezes esse mandato serviu a amigos dos amigos? (foto: Jailson Soares | Politica Dinâmica)

    A pesquisa, ao que parece, simplesmente não existe, por isso mesmo é tratada como "fuxico". Ter nas mãos a máquina da OAB dá condições a Celso de ter em qualquer cenário razoável os tais 30%, embora ele seja inabilidoso o bastante para não conseguir chegar nem a isso. Por outro lado, Raimundo Júnior ainda está mais perto do "traço" do que da primeira dezena de pontos percentuais nas pesquisas sérias que já circulam nos bastidores.

    POLITICAGEM NA OAB

    A voz é do deputado estadual João Mádison Nogueira e é dirigida ao "militante" digital Marciano Arrais, administrador de um grupo de Whatsapp, o Xico Prime.

    João Mádison, além de deputado estadual, acreditem, é também advogado. Ele e Raimundo Júnior já foram sócios. "Eu apenas passei no grupo do fuxico, botaram uma pesquisa lá e eu comentei", disse o parlamentar ao Política Dinâmica. Ele revelou a proximidade entre ele e a família de Raimundo.

    Amigo dos amigos: Raimundo Júnior é amigo demais de Kássio Nunes, ministro que fará parte dos quadros do STF pelos próximos 26 anos; mas quantos dos mais de 10 mil advogados do Piauí se beneficiam da mesma proximidade? (foto: reprodução)

    "Qual o problema de eu escolher uma pessoa para votar? Eu não entendi a polêmica. Eu fui sócio dele, depois saí do escritório. Eu tenho o direito de escolher. Eu não tenho interesse político, eu tenho interesse de amizade. Ele é primo do William Guimarães, que é meu amigo também. O que eu puder fazer para levar alguns amigos advogados para votar no Raimundo Junior, eu vou fazer e vou levar", explicou.

    Questionado sobre a origem da tal pesquisa, João Mádison admitiu que não tem essa informação. "Eu não sei não [de onde veio]. Isso aí foi ele [Marciano Arrais] quem me mandou".

    No final de 2020, o atual presidente da OAB-PI, o procurador Celso Neto, indicou o amigo Aurélio Lobão para a Procuradoria-Geral do Município de Teresina. Aurélio acumula o cargo na PMT com a direção da Escola Superior de Advocacia do Piauí (ESA) da OAB-PI.

    Olha a mistura: presidente da OAB fez indicação política de seu amigo Aurélio Lobão para primeiro escalão da gestão de Pessoa e já deu abrigo na OAB a ex-secretário de Wellington Dias, investigado por corrupção passiva no esquema de desvio de recursos da Secretaria de Educação; Helder Jacobina mereceu, inclusive, elogios do procurador-geral que é também diretor da ESA (fotos: instagram)

    Ou seja, misturar amizade, OAB e política não é coisa pontual nem isolada: tem sido regra que enfraquece a defesa da classe e a representação dos advogados para favorecer grupos bem específicos. É coisa que fortalece o lobby. E é até interessante ressaltar que, para ser lobista, não é preciso ser advogado. Basta ser cunhado, primo, neto, esposa, amigo de infância ou alguém a quem se deve favor... Por isso a situação é tão nociva à advocacia. 

    OS INTERESSADOS

    Xico Prime, grupo onde a pesquisa fantasiosa e o áudio apareceram primeiro, é uma espécie de confraria sádica da elite política, legislativa e judiciária.

    A plateia das postagens inclui os deputados federais Fábio Abreu (PL), Merlong Solano (PT), Átila Lira (PP) e Marina Santos (SD); os estaduais Evaldo Gomes (SD), Flora Izabel (PT) e Pablo Santos (MDB). A Prefeitura de Teresina tem lá o vice-prefeito Robert Rios (PSB); o filho do prefeito, João "Pessoinha" Duarte; e o secretário de Planejamento, João Henrique Sousa (MDB).

    O supra-sumo dos empresários do Piauí se faz presente por meio de Valdeci Cavalcante e Jadyel Alencar, investigado pela Polícia Federal num esquema que pode ter desviado dezenas de milhões de reais de recursos federais administrados pelo Governo do Estado do Piauí destinados ao combate à pandemia.

    Aliás, o delegado-geral de Polícia Civil, Lucy Keyko, e o secretário municipal de Segurança Pública, o coronel Nixon Frota, também estão lá. Sem falar, e representantes da elite da advocacia, como Alano Dourado e Daniel Eufrásio. O próprio Tribunal de Justiça tem seu representante no grupo, o desembargador Luiz Gonzaga Brandão.

    O seu administrador, Marciano Arrais, de tempos em tempos serve a campanhas eleitorais. A mais recente delas, a vitória de Doutor Pessoa em Teresina em 2020, teve no "trabalho" dele um de seus pilares fundamentais. Arrais estava ligado à campanha de ódio que atacou o ex-prefeito Firmino Filho e sua família de maneira pessoal durante os últimos 4 anos. Os ataques ao ex-prefeito viraram uma espécie de “portfólio”.  

    O vereador Dudu esqueceu de citar na legenda, mas esse cidadão ao lado de Robert Rios é o famoso Marciano Arrais, administrador do Xico Prime, em foto com o governador Wellington Dias (imagem: reprodução Instagram)

    Tempos atrás, prints de supostas conversas entre ele e integrantes do governo de Wellington Dias (PT) circularam em redes sociais e traziam ataques a diversas pessoas da política e até piadas com a vida íntima de desembargadores do Tribunal de Justiça. Um inquérito foi aberto, mas a perícia da Polícia Civil nunca conseguiu apurar se os diálogos eram ou não verdade, apenas concluindo que os arquivos distribuídos não eram os originais. O caso foi arquivado em fevereiro de 2020, motivo pelo qual não vamos publicar as imagens, mas é coisa que se acha fácil na internet. 

    Hoje o Xico Prime é o "canal oficial" do vice-prefeito Robert Rios (PSB) no Whatsapp.

    A postagem de números de uma pesquisa que parece não existir não foi a primeira em favor da campanha de Raimundo Júnior realizada dentro do grupo. E a se tirar pelo histórico dali, adversários dele podem vir a enfrentar problemas com essa "mão-de-obra especializada", caso Marciano esteja dentro da campanha de Raimundo Júnior.

    AS VAGAS ABERTAS

    Não tem inocentes buscando a defesa das prerrogativas de advogados nessa campanha. Falar em favor de "advogados de batente" é simples jogo de palavras para esconder o que importa de verdade nessas eleições: lobby jurídico e político.

    A próxima gestão da OAB-PI deve conduzir pelo menos 3 processos de indicação de ocupantes de tribunais por meio do quinto constitucional.

    Jim, Brandão e Paes Landim: preencher essas três vagas é mais importante para alguns dos pré-candidatos a presidente da OAB do que representar bem os advogados (foto: Divulgação | Jailson Soares | Politica Dinâmica)

    No final de setembro deste ano, será aberta uma vaga no Tribunal Regional do Trabalho, por conta da aposentadoria compulsória de do desembargador Wellington Jim Boavista. Em outubro deste ano, se aposenta o desembargador Luiz Gonzaga Brandão, que chega aos seus 75 anos. A mesma coisa acontece em outubro do ano que vem, quando chega a vez do desembargador Francisco Antônio Paes Landim pendurar a toga.

    De acordo com o que se ouve nos bastidores dos tribunais, as duas vagas abertas este ano devem ser preenchidas apenas em 2022, exatamente esperando o resultado das eleições da OAB-PI. Coisa motivada pela falta de articulação e inoperância da atual gestão da Ordem no Piauí.

    E pode ter mais coisa vindo por aí: o presidente Jair Bolsonaro estuda aumentar o número de ministros no Supremo Tribunal Federal (STF), o que poderia ter um efeito cascata e fazer crescer também o número de desembargadores nos tribunais, dando à próxima gestão da Ordem mais vagas do Quinto Constitucional para indicar.

    COMO É A JOGADA

    Advogados votam em 12 nomes, o Conselho Seccional reduz a lista para seis, os tribunais riscam outros três e o governador ou o presidente, dependendo do caso, escolhem um dos nomes da lista tríplice.

    Estar no controle da OAB pode não garantir o nome que será escolhido por Wellington Dias ou Jair Bolsonaro -- embora ajude no lobby --, mas com certeza tem influência direta no corte daqueles nomes menos chegados aos interesses de quem manda na OAB. Com o diálogo certo nos bastidores dos tribunais, então, dá para montar um jogo de probabilidades mais favorável a um determinado candidato. O procurador Celso Neto, aliás, conseguiu tornar a do Conselho Seccional que era aberta em voto fechado, o que facilita escolhas divergentes do que seria “normal”.

    Excluir nomes é tão importante quanto escolher: votação dentro do Conselho seccional pode ser fechada por manobre de Celso Barros (foto: Jailson Soares | Política Dinâmica)

    Por exemplo: se lá no final sobram três nomes de advogados, dois ligados à direita e um com trânsito entre políticos de esquerda, quem teria mais chances de ser indicado por Wellington? Ou se na lista que chegar à mesa de Bolsonaro estiverem dois liberais ligados à ideias de esquerda e um conservador simpatizante do presidente, quem será o nomeado? Pode acontecer diferente, mas a probabilidade de que as indicações sigam um caminho natural do ponto de vista político é enorme.

    O exemplo partidário, aqui, é meramente ilustrativo. A motivação maior pode ser corporativa, financeira, pessoal, mas o fato é que o lobby saberá identificar quais serão as motivações mais relevantes do governador e do presidente no momento da indicação das listas.

    Em tese, um advogado sem ligações políticas e pessoais com desembargadores e ministros deveria ter as mesmas condições de ganhar uma causa que aqueles que fazem parte do lobby que os colocou naqueles gabinetes. Em tese, a OAB deveria trabalhar para tornar o mercado mais justo e as relações institucionais mais transparentes.

    Em tese, esse texto nem precisaria ter sido escrito.

    • R&G Feet
  • quinta ,03 de junho de 2021, às 13:06h

    A deputada federal Margarete Coelho (PP) quer ter o prefeito Doutor Pessoa (MDB) como seu cabo eleitoral em Teresina para buscar a reeleição em 2022. Mas do lado do gestor, as informações são de que ele está fugindo do assédio eleitoral como o diabo foge da cruz. Pessoa tem seus próprios planos para o ano que vem e, pelo que se sabe, nenhum deles relacionados a qualquer tipo de associação com Margarete.

    Margarete está buscando de todo jeito recompor o eleitorado em Teresina, mas é bom ir buscar mais votos em outro canto... (foto: Jailson Soares | Política Dinâmica)

    Segundo uma fonte do Política Dinâmica na PMT, "ela tá é doida!". O assunto foi comentado no Palácio da Cidade durante visita da deputada Marina Santos (SD), ontem (2), quando ela foi informar ao prefeito a destinação de emendas parlamentares dela para os setores de Esporte e Saúde da gestão dele.

    Ainda de acordo com a fonte, Margarete tem assediado Pessoa por essa parceria desde antes da morte de Firmino Filho (PSDB), ocorrida em abril deste ano, pois havia a possibilidade do ex-prefeito ser candidato a deputado federal. O que era coisa discreta, porém, passou a ser "constrangedor".

    Tal constrangimento, segundo a fonte, foi percebido na última segunda-feira (31 de março), quando a Prefeitura Municipal de Teresina recebeu a visita do ministro João Roma, do Ministério da Cidadania. O encontro foi proporcionado pelo senador Ciro Nogueira, presidente do Progressistas, e contou com a presença de parte da bancada do partido, incluindo Margarete. "Era toda hora pedindo foto com ele, falando abertamente sobre ele declarar apoio a ela. Nosso prefeito é um homem educado, mas estou vendo, qualquer hora, ele dar um fora grande nela", avaliou a fonte.

    Na mesma semana: Doutor Pessoa fez questão de postar em suas redes sociais o encontro com a deputada Marina Santos; a foto com Margarete só consta no perfil da progressista (imagens: Instagram)

    Outra fonte, no entorno de Pessoa, avaliou que até do ponto de vista político, a insistência de Margarete é "descabida". Em primeiro lugar, por que ela foi votada por Firmino na última eleição, e Pessoa não daria brecha para a comparação. Outro aspecto é que Margarete já foi vice-governadora de Wellington Dias (PT) e a irmã dela é secretária do governo. 

    Unha e carne: a imagem de Margarete é muito associada à de Wellington Dias, a irmã dela é secretária de Wellington e Pessoa quer ser visto como uma alternativa ao candidato de Wellington (foto: Jailson Soares | Política Dinâmica)

    Além disso, Margarete é do partido de Ciro Nogueira (PP), e o prefeito está buscando se viabilizar como "terceira via" das eleições de 2022, exatamente se mostrando independente tanto de Wellington, quanto de Ciro. "Pessoa só vai se posicionar sobre apoios e alianças lá no ano que vem, quando houver um cenário mais definido", insistiu a fonte.

    Se Pessoa tem evitado se associar ao próprio senador Ciro Nogueira, apesar da influência dele em Brasília, por qual motivo faria isso com Margarete? (foto: Jailson Soares | Política Dinâmica)

    Em 2018, quando se tornou deputada federal, Margarete Coelho teve mais de 17 mil votos em Teresina. Fazendo os cálculos, essa parcela de eleitores na capital correspondeu a 23% da votação dela naquele ano. Praticamente, de cada 4 votos que Margarete teve, 1 foi dado por um teresinense, graças à parceria com o ex-prefeito Firmino Filho (PSDB) e uma dobradinha com Lucy Soares (PP), à época, primeira-dama.

    A prudência recomenda ir buscar esses votos em outro canto.

    • R&G Feet
  • terça ,18 de maio de 2021, às 20:05h

    Como se implorasse por atenção, o prefeito de Teresina, Doutor Pessoa (MDB), fez um apelo diante de jornalistas: disse que se "alguém" do Governo Federal o convidar para a visita do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ele irá à inauguração da ponte que liga o município de Santa Filomena-PI ao município de Alto Parnaíba-MA, na próxima quinta-feira, dia 20. Ele vai a convite do senador Ciro Nogueira (Progressistas).Ignorado pelo cerimonial do Planalto, Pessoa fez apelo diante de jornalistas (foto: Jailson Soares | PoliticaDInamica)

    A fala de Doutor Pessoa aconteceu na manhã desta terça-feira (18), após o coordenador de Comunicação da Prefeitura de Teresina, Lucas Pereira, sugerir a uma jornalista que fizesse a pergunta.

    Veja o que disse Doutor Pessoa:

    Diversas lideranças políticas do Piauí já haviam sido convidadas. Até mesmo o senador Marcelo Castro, presidente estadual do MDB, já havia confirmado presença, mas ninguém lembrou de Pessoa.

    Somente após o apelo, o senador Ciro Nogueira, que será o anfitrião da visita, entrou em contato com o prefeito de Teresina.

    Após esse convite, Pessoa confirmou a viagem. 

    Meses atrás, quando foi levado ao encontro de Bolsonaro por intermédio do senador Elmano Férrer (PP), Pessoa disse ao presidente que o acompanharia para onde fosse, deixando claro que poderia até mudar de partido para seguir de mãos dadas com ele.

    Mas ainda falta a Doutor Pessoa o mínimo de prestígio federal.

    A política do presidente no Piauí circula em torno de Ciro, coisa já dita pelo próprio presidente.

    É bom já ir se acostumando...

    • R&G Feet
  • sexta ,14 de maio de 2021, às 16:05h

    O vídeo a seguir é para entender a confusão grande que está acontecendo entre Robert Rios (PSB) e Silvio Mendes (PSDB). O atual vice-prefeito de Teresina e o ex-prefeito da capital saíram trocando acusações e farpas na imprensa depois que a Prefeitura de Teresina rompeu um contrato de gestão cultural com a entidade que viabiliza o funcionamento da Orquestra Sinfônica de Teresina.

    Silvio x Robert: gestão de Doutor Pessoa agora tem oposição pra fiscalizar (foto: Reprodução)

    Foram duas entrevistas concedidas à TV Cidade Verde, Robert Rios, na quarta-feira (12); e Silvio Mendes na quinta-feira (13). O Política Dinâmica compilou os melhores momentos para você entender quem disse o quê e por que disse!

    Confira!


    • R&G Feet
  • quinta ,13 de maio de 2021, às 21:05h

    Durante entrevista à TV Cidade Verde, o ex-prefeito Silvio Mendes, hoje filiado ao Progressistas, anunciou que vai voltar aos quadros do PSDB. Além dele, também outro ex-prefeito de Teresina, Chico Gerardo, volta ao ninho tucano. Esse retorno foi decidido após a morte de Firmino Filho e um apelo dos integrantes do partido que buscam uma reestruturação. A data vai ser marcada pelo diretório estadual.

    Referência na história do PSDB em Teresina, Silvio Mendes retorna à sigla para ajudar a reestruturar o grupo do ex-prefeito Firmino Filho (foto: Jailson Soares | PoliticaDInamica)

    Silvio disse que seu nome, no momento, não está disponível para disputar cargos eletivos em 2022, embora ele tenha todos os seus direitos políticos em dia. "Se me convencerem, nada me impede de ser, mas não tenho esse propósito", explicou.

    O ex-prefeito revelou que não mantém relação próxima com a viúva de Firmino. Deixou a entender que sua saída da gestão da Fundação Municipal de Saúde na última gestão de Firmino foi provocada por esse distanciamento entre ele e a deputada Lucy Sores, sem dar detalhes. "Nós não temos relação política. Eu deixei a Prefeitura, vocês sabem por que, e desde então a gente não tem... estamos de certa forma, distantes", comentou.

    Mas deixou bem claro que do ponto de vista pessoal, existe muito respeito, tanto que ele teria insistido para que o PSDB se reúna com ela e comunique seu retorno.

    Desentendimento com Lucy teria sido motivo da saída de Silvio Mendes de dentro da gestão de Firmino Filho (foto: Jailson Soares | PoliticaDInamica)

    Na mesma entrevista, Silvio levantou uma questão bastante interessante: desde a campanha e tão logo assumiu a Prefeitura, Robert Rios (PSB) alardeou que a PMT estava repleta de corrupção e esquemas que seriam objetos de denúncias e auditorias. Esperava-se, então, que tudo isso fosse formalizado. Porém, foram 4 meses e meio de gestão e nenhuma denúncia formal nem resultado de auditoria foi publicado.

    Acabou a história de não ter oposição: retorno de Silvio ao PSDB aponta início de cobrança por resultados da nova gestão de Teresina (foto: Jailson Soares | PoliticaDInamica)

    "O vice-prefeito foi para a rua, para as redes sociais, apedrejar as gestões passadas, particularmente o Firmino Filho. (...) Estamos praticamente no meio do ano e essas auditorias não foram divulgadas. Ou não fizeram auditoria, ou não encontraram o errado que foi denunciado de forma apressada lá em janeiro. Não tenho procuração do Firmino, Firmino Partiu. Mas se ele fez alguma coisa errada, que a alma dele pague por isso. Não defenderei o errado. Mas se não aparecer o que foi dito e levantado de forma leviana contra ele, eu serei defensor dele. eu e muitos outros, pode ter certeza", comentou.

    O retorno de Silvio Mendes ao PSDB é como Doutor Pessoa vai começar a conhecer o que é ter oposição. 

    • R&G Feet
  • quinta ,13 de maio de 2021, às 16:05h

    A matéria não estava na pauta, mas foi votada e aprovada por unanimidade pelos vereadores de Teresina ontem (12). De acordo com o Projeto de Lei Complementar 111/2021, todo o serviço de asfaltamento da Prefeitura Municipal de Teresina será deslocado da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (SEMDUH) para a Empresa Teresinenses de Desenvolvimento Urbano (ETURB).

    Advogado, João Pessoinha vai colocar a mão na massa.... asfáltica! Serviço vai deixar de ser responsabilidade de Edmilson Ferreira, engenheiro (foto: Reprodução)

    Assim, a gestão técnica diferenciada que Doutor Pessoa prometeu a Teresina tira os projetos de asfaltamento das mãos do engenheiro Edmilson Ferreira e coloca tudo nas mãos do advogado João "Pessoinha" Duarte, não por acaso, seu filho. João, aliás, é pós-graduado em Direito Constitucional, Ciências Criminais e Trabalho. 

    Pessoinha, aliás, ainda está acumulando o cargo de presidente da ETURB com o de secretário municipal de Juventude. Ele nega que isso signifique uma futura candidatura a deputado em 2022.

    Mas que parece coisa de quem vai ser candidato, ah!, isso parece.

    • R&G Feet
  • segunda ,10 de maio de 2021, às 17:05h

    Quando fazia campanha em 2020, Doutor Pessoa (MDB) dizia que ia resolver o problema do transporte público de Teresina, que segundo ele se encontrava num erro do sistema de integração. Ao assumir o mandato, em 1º de janeiro deste ano, disse que resolveria a questão em até 100 dias. Um mês depois do prazo esgotado, chegou a hora de admitir a incapacidade de fazer o que tem que ser feito. Pessoa terceirizou aos vereadores o dever de cumprir sua promessa de campanha.

    Põe na conta do Dudu: Pessoa terceirizou aos vereadores a responsabilidade de resolver o problema do transporte público, o que dificilmente vai acontecer por meio de uma CPI (foto: Jailson Soares | PoliticaDinamica)

    "Parabenizo a Câmara Municipal. Mesmo sendo um Poder independente, chamou para si a responsabilidade para resolver esse problema em Teresina", disse o prefeito à imprensa enquanto tomava café da manha na Secretaria de Juventude, onde seu filho é secretário.

    Pessoa ainda fez questão de demonizar as empresas licitadas, alegando que os empresários "só pensam em lucro" deixando o "trabalhador simples" de lado. E sem explicar ou apresentar as provas do que diz, afirmou que os empresários "não souberam conduzir de maneira séria" o sistema.

    Ao final da CPI, será que algum documento vai ser capaz de resolver o problema do transporte se o Doutor Pessoa não quiser? (foto: Jailson Soares | PoliticaDInamica)

    A Câmara Municipal iniciou nesta segunda-feira (10) os trabalhos da CPI do Transporte. Os sobrinhos de Doutor Pessoa que mandam na Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (STRANS) serão os primeiros a ser ouvidos pela CPI presidida pelo vereador Dudu do PT.

    Vereadores agora vão ter que mostrar algum resultado prático da CPI ou vão ficar desmoralizados (foto: Ascom DUDU)

    Só para frisar: Pessoa terceirizou para os vereadores o dever de resolver o problema do sistema. Mas nesse "contrato" entre ele e a CMT, nas linhas com letras pequenas, consta que se os vereadores não resolverem, serão culpados pela perda de tempo também.


    • R&G Feet
  • quinta ,06 de maio de 2021, às 11:05h

    O PSDB tem 4 vereadores em Teresina. É a maior bancada da Câmara Municipal. Os quatro vereadores assinaram o requerimento para a instalação da Comissão de Inquérito Parlamentar do Transporte Público, mas nenhum deles quis participar oficialmente dos trabalhos.

    O mais bem votado do PSDB: eleito com ajuda fundamental de Firmino Filho e Lucy Soares, o vereador Gustavo de Carvalho "roeu a corda" e não quis participar da CPI (foto: Jailson Soares | PoliticaDinâmica)

    O partido do ex-prefeito Firmino Filho -- que completa hoje um mês de falecido -- tinha uma vaga garantida na composição, mas os vereadores preferiram acompanhar os trabalhos do vereador Dudu do PT de longe. O petista é o presidente da CPI. O espaço que seria do PSDB ficou com o Progressistas, representado pelo vereador Aluísio Sampaio. 

    Veja abaixo o vídeo do momento constrangedor em que os vereadores tucanos ficam jogando batata quente entre eles. 

    Nos bastidores, comenta-se que o objetivo da comissão é forçar a quebra de contrato entre a Prefeitura Municipal de Teresina e as empresas vencedoras da licitação de 2014. Essas empresas, representadas pelo SETUT, têm contratos até o ano de 2030 e a gestão de Doutor Pessoa (MDB) já reconheceu uma dívida de mais de R$ 20 milhões de reais que a PMT possui junto a elas, uma bola de neve que vem desde a gestão tucana.

    Do lado esquerdo, a relação dos vereadores que assinaram a CPI do Transporte; à direita, a composição da CPI; é possível observar que o PSDB tinha uma vaga ocupada pelo vereador Paulo Lopes, que depois foi passada para a vereadora Fernanda Gomes, que por sua vez cedeu o espaço para o vereador Aluísio Sampaio (foto: reprodução)

    Há indícios de que a gestão de Doutor Pessoa estaria retendo os pagamentos para forçar a falência das empresas em um acordo preestabelecido com outros empresários para que se faça uma nova licitação. A CPI seria um instrumento para jogar a culpa do colapso do sistema de transporte público no colo do SETUT e tentar construir um relatório que possa ser usado para negar indenizações.

    Até aqui, não se sabe se a postura do vereadores Venâncio Cardoso, Gustavo de Carvalho, Paulo Lopes e Edson Melo se dá por conivência com esta suposta manobra da gestão de Pessoa, ou por medo da exposição. Com microfones desligados, dois deles contaram a mesma história de que a CPI vai terminar em pizza, por isso preferem não participar.

    O presidente municipal do PSDB em Teresina não quis fazer parte da CPI, mesmo assim, Edson Melo assinou a proposta de criação dela (foto: Jailson Soares | PoliticaDinamica)

    Mas o presidente estadual do PSDB, Luciano Nunes, já pode ter uma certeza: se depender desses 4 vereadores, o PSDB não encosta nunca mais no Palácio da Cidade. De fato, pelo menos três deles já estariam buscando filiação em outros partidos, que já fazem parte da base do Doutor Pessoa na Câmara Municipal. 

    Roeram a corda.

    • R&G Feet
  • terça ,27 de abril de 2021, às 11:04h

    Se havia dúvidas sobre a candidatura de Ciro Nogueira (PP) ao Governo do Estado, elas já não existem mais. Na manhã desta segunda-feira (26), o presidente nacional dos Progressistas deixou claro que não há alternativa que não seja a vitória contra Wellington Dias em 2022 para mudar a política do Piauí.

    A oposição que assusta: Wellington Dias nunca enfrentou adversários tão unidos e com uma estrutura tão grande quanto a que está organizando Ciro Nogueira (foto: Marcos Melo | PoliticaDInamica)

    Muitos políticos entendem que pelo fato dele ser presidente nacional do PP e ter uma vida política muito vinculada a Brasília, uma virtual candidatura não passaria de vaidade e que seria deixada de lado ano que vem por conta da necessidade de sua presença no cenário nacional. Confrontando essa ideia o pensamento de Ciro é o de que se ele não vencer em seu estado, sua envergadura política diminui.

    Um detalhe importante que passou despercebido antes mesmo do evento: no último dia 22 de abril, no mesmo ato que reconduziu Ciro Nogueira à presidência nacional do Progressistas também foi aprovado um dispositivo no estatuto do partido: o de que um filiado pode acumular a presidência nacional da sigla e ser governador ao mesmo tempo.

    Estão amarrando as pontas soltas.  

    CIRO X WELLINGTON

    Do mesmo jeito que qualquer candidato a governador indicado pelo atual governador será uma extensão do próprio Wellington Dias, quem quer que seja o candidato a governador pela oposição terá o apoio total de Ciro Nogueira e sua estrutura. O senador reconheceu que esperava ver o ex-prefeito Firmino Filho (PSDB) disputando a eleição de governador. Sem dar detalhes, falou de um jeito como se o entendimento já estivesse adiantado.

    Ciro se diz tranquilo sobre apoio dentro e fora do partido e acredita que nem Lula nem a máquina do Estado salvam uma campanha do candidato de Wellington Dias (foto: Marcos Melo | PoliticaDInamica)

    A morte inesperada "do melhor gestor do Brasil" -- palavras dele -- tirou a dúvida do tabuleiro. Ciro afirmou que será o candidato. "Sem obsessão" pelo título de governador, ponderou, entende que pode avaliar uma alternativa que se apresente melhor que ele mais adiante. Ninguém com menos chances, nem menos articulado, nem com menor estrutura. E essa pessoa não existe hoje, de acordo com as pesquisas das quais se tem notícia.

    Questionado sobre a participação do ex-presidente Lula na campanha, Ciro disse entender que o tempo do petista passou e que uma virtual candidatura de Lula não representa mais o Brasil, mas apenas o interesse de poder do PT. Ao mesmo tempo, defendeu que apesar de discordar em vários aspectos da gestão de Jair Bolsonaro (sem partido) nunca viu um presidente tão bem intencionado quanto ele no Planalto. 

    O TAMANHO DA CAMPANHA

    Nas últimas eleições, Wellington Dias enfrentou adversários divididos e sem capilaridade no Piauí; mas em 2022, a história é outra, de acordo com Ciro Nogueira (foto: Marcos Melo | Politica Dinâmica)

    Também não há mais espaço para qualquer dúvida sobre o tamanho da campanha que a oposição vai fazer. O que foi dito diante das câmeras aos convidados e expectadores já foi muito forte. Após a transmissão, com microfones desligados, o que foi dito ali certamente já chegou aos ouvidos de Wellington Dias.

    E deve ter colocado um frio na barriga do governador.


    • R&G Feet
  • segunda ,26 de abril de 2021, às 13:04h

    Quem se mete com o PT não entra desavisado em negócio nenhum. Ao fechar o acordo de apoio político, então, Doutor Pessoa já sabia onde estava se metendo. Com orientação do Palácio de Karnak, os vereadores Dudu, Deolindo Moura e Euzuíla Calisto estão fazendo força para emplacar o nome de Sérgio Vilela para a recém criada Secretaria de Produção Agropecuária. A outra opção para Pessoa é arriscar três votos a menos no painel da Câmara Municipal de Teresina.

    Se não entregar a nova secretaria ao PT, Pessoa vai começar a observar uma certa "independência" nas votações da Câmara dos Vereadores; parece chantagem, mas é apenas política entre aliados que se querem muito bem (foto: Jailson Soares | PoliticaDinamica)

    Os petistas já possuem uma indicação na atual gestão. São donos da Fundação Wall Ferraz, que faz cursos de capacitação e profissionalização, mas não faz licitação de estrada, calçamento, não tem "flexibilidade administrativa" para uso de emendas parlamentares ou convênios parecidos com o que o PT é acostumado a fazer no Governo do Estado.

    A nova Secretaria de Produção Agropecuária, sim, é uma oportunidade para muita gente no PT se dar bem.

    Sérgio é um nome qualificado para o serviço, mas o custo para a Prefeitura é alto. O salário de um secretário municipal fica em torno de R$ 8.000,00. Sendo servidor efetivo da Embrapa, para que Pessoa tenha Vilela em sua equipe, tem que pagar o salário que Sérgio recebe lá, de quase R$ 20.000,00. Aí já não é aquela história de "prefeitura quebrada" que cola.

    O prefeito que se diz "mãos limpas" sabe muito bem onde se meteu quando se aliou aos petistas; agora é pagar o preço da aliança (foto: Jailson Soares | Politica Dinâmica)

    Atualmente Sérgio está cedido ao Governo do Estado do Piauí onde coordena as Câmara Setoriais, entidades de consulta que, em tese, deveriam servir para aproximar a iniciativa privada do poder público. Não se tem notícias dos grandes resultados disso no Piauí. 

    De toda maneira, o movimento petista mostra que Pessoa não tem base sólida na Câmara, o que justifica o desespero do prefeito em fazer negócio com vereadores do PSL e do PP, de quem era adversário em 2020. É possível que saia "mais barato" comprar adversários de campanha do que manter aliados como o PT.

    Se der a mão, vai ter que entregar o braço.

    • R&G Feet


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