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SAÚDE: CAOS EM TERESINA

CRM INTERDITA HOSPITAL MUNICIPAL DE TERESINA POR FALTA DE INSUMOS BÁSICOS E POPULAÇÃO QUER QUE GESTORES APRESENTEM SOLUÇÕES APÓS TANTO DIÁLOGO

06/12/2022 10:27

A Câmara de Vereadores de Teresina deverá abrir mais uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para tentar solucionar mais uma crise na gestão do prefeito de Teresina, Doutor Pessoa (Republicanos). Desta vez, a intenção é averiguar o que está ocorrendo com a gestão da Saúde na capital, que tem passado por situações precárias como falta de insumos básicos, filas na realização de exames, falta de profissionais e até interdição de hospital municipal pelo Conselho Regional de Medicina (CRM).

Isso mesmo: diante o caos na gestão municipal, o CRM decidiu, após seis fiscalizações e comunicados enviados à Fundação Municipal de Saúde (FMS), fazer a interdição ética e parcial do Hospital Geral do Buenos Aires, localizado na Zona Norte da Capital, a partir desta quinta-feira (1º/12). Segundo o próprio CRM, a interdição foi a medida final tomada depois de seis fiscalizações realizadas durante o ano de 2022 com comunicação aos gestores do hospital e da FMS sobre as várias irregularidades flagradas nas fiscalizações, além de várias reuniões presenciais realizadas com os gestores e inclusive o próprio prefeito nas quais foram solicitadas a solução dos problemas.

Na última fiscalização realizada nessa quarta-feira (30/11), foram identificados os mesmo problemas, ausência frequente de soro fisiológico levando a transferências de pacientes, falta de administração e medicações que dependem da solução, tratamento inadequado de pacientes, falta de tubo orotraqueais em estoque tamanho 7.5 e 8.0 (os mais usados em adultos), ausência de algumas medicações analgésicas e antibióticos, escala de neonatologia incompleta comprometendo a segurança dos recém-nascidos da maternidade, aparelhos de fototerapia antigos e com baixa eficiência, falta de luvas de procedimento em tamanho pequeno e médio, entre outros fatos enumerados no relatório técnico do CRM-PI.

Com a interdição, hospital deixará de receber novos pacientes e alguns terão que ser transferidos para outras unidades de saúde (foto: CRM)

A situação está tão caótica que o hospital ficou sem médico neonatal no plantão e uma enfermeira da unida teve que ligar para um profissional, que não estava de plantão e, através das orientações médicas por telefone, conseguiu salvar o bebê. Em outro caso, o CRM vai investigar a morte de um bebê que precisou de atendimento e não um médico neonatal no hospital.

VEREADORES SE MANIFESTAM APÓS O CAOS

Não é de hoje que a situação da Saúde na capital é um tormento para que buscas as unidades de saúde. Por muito tempo é anunciado, até mesmo pelo próprio presidente da FMS, Gilberto Albuquerque, a falta de insumos básicos e o risco de desabastecimento até mesmo no principal hospital da cidade, o Hospital de Urgência de Teresina (HUT). Diante disso, o Ministério Público do Piauí, através do promotor Eny Pontes, que comanda a 29ª Promotoria de Justiça de Teresina, já realizou diversas audiências públicas cobrando respostas do presidente da FMS, inclusive alertando ao gestor a abertura de processo judicial diante da falta de apresentação de soluções pela gestão municipal. (Veja matéria!)

Já os vereadores da capital esperaram vários meses para chamar o presidente da FMS para prestar esclarecimentos. Em agosto de 2022, os vereadores realizaram uma reunião com o presidente da FMS, Gilberto Alburquerque, e disseram em entrevista ao Política Dinâmica que saíram do encontro sem respostas e sem serem convencidos que os problemas seriam solucionados. Antes dessa, outras duas reuniões já haviam sido realizadas entre os vereadores e o representante da FMS e nada foi solucionado.

Já agora em dezembro, quatro meses após, os vereadores decidiram convocar novamente a FMS para esclarecimentos numa audiência pública e, só então, decidir por uma possível abertura de CPI para averiguar a situação da gestão da Saúde na capital, que até então vinha sendo jogada pra debaixo do tapete. (Veja matéria!)

Em clima amistoso, vereadores já convocaram a gestão da Prefeitura três vezes para prestar esclarecimentos sobre problemas na FMS (foto: Jailson Soares/ PD)

O vereador e médico Leonardo Eulálio (PL) revela que, recentemente, os vereadores fizeram uma visita in loco a Farmácia Central e verificou-se que novamente não houve o reabastecimento. “Estamos vendo cirurgias adiadas, o tratamento de doenças crônicas sendo interrompidas provocando o agravamento dessas doenças. A falta do reabastecimento é porque os fornecedores, devido o constante aumento da falta de pagamentos não querem fornecer para FMS. Por isso, convocamos essa audiência, para mais uma vez, com CRM, Ministério Público, Conselho de Enfermagem, a FMS, possamos chegar a uma solução. Essa é uma luta diária dessa casa, pois estamos presenciando doenças crônicas se tornando agudas por falta de tratamento”, denunciou Eulálio.

Sobre o problema, o presidente da FMS, Gilberto Albuquerque, voltou a culpar os picos de casos de Covid na China. “A fabricante mundial de insumos hospitalares é a China, ela está passando por um pico Covid, novamente, muito alto. Várias indústrias chinesas paralisaram, praticamente, um terço da indústria da China tá parado (...) ainda não temos no mundo inteiro fabricação suficiente da embalagem pro soro, a dipirona não tinha nenhuma. Agora, falta só a pediátrica, mas ainda há a falta de oxitocina, de heparina, de alguns antibióticos e vários outros insumos hospitalares. Repito, a China que é nossa fabricante mundial está com problema de Covid e agora tá começando uma revolução. O que traz uma dificuldade maior em nível mundial”, justificou Gilberto Albuquerque.

Apesar dos constantes problemas, gestão da Prefeitura tem defendido trabalho do presidente da FMS (foto: Jailson Soares/ PD)

TEM QUE SAIR DO DIÁLOGO

A estratégia da gestão municipal de se falar que tudo se resolve no diálogo parece não está agradando a população, que pode estar achando essas conversas longas de mais e sem soluções. Diante de tantos conflitos, é preciso que os outros poderes e órgãos sejam mais enérgicos após a conversa não resolver. Como agiu agora o CRM, após várias fiscalizações e diálogos com a gestão da FMS, se fez necessário uma medida mais enérgica como a interdição para forçar a gestão resolver o problema o quanto antes.

Já aos vereadores cabe, também, pressões mais enérgicas em relação a gestão municipal. Apesar da maioria dos vereadores serem da base do prefeito Doutor Pessoa, a população que busca o atendimento e padece com os problemas espera que seus representantes no Legislativo façam o papel de fiscalizar e cobrar de forma mais enérgica as soluções dos problemas, independente, de quem esteja a frente da gestão.

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