Coluna Gustavo Almeida Política Dinâmica
UM PALANQUE E UMA PALAVRA PROIBIDA

COM PRESENÇA DE CIRO NOGUEIRA NA CHAPA, POLÍTICOS DO PT E ALIADOS DEVEM ABAFAR DISCURSO DO GOLPE DURANTE OS EVENTOS DA CAMPANHA

06/08/2018 13:31 - Atualizado em 06/08/2018 14:08

Falar em golpistas constrange Ciro na chapa (Foto: Gustavo Almeida/PoliticaDinamica)

Quem assistiu a convenção que homologou o governador Wellington Dias (PT) como candidato a reeleição na sexta-feira (3), observou que, mesmo sendo um evento lotado de petistas e simpatizantes do partido, a palavra "golpe" não foi ouvida. Pode até ter rolado em conversas de pé de ouvido, mas em alto volume ninguém escutou. Enquanto em Minas Gerais a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) foi homologada candidata a senadora dizendo que vai enfrentar os que apoiaram o golpe, no Piauí, o termo deverá ser abafado.

Isso deve acontecer porque a pronúncia dessa palavra gera enormes constrangimentos no palanque do governador. Se alguém falar em golpe ou em golpista, vai constranger o senador e candidato à reeleição Ciro Nogueira (Progressistas), apoiado pelo PT de Wellington no Piauí. Num palanque com a presença dele, não será nada legal fazer menção ao impeachment de Dilma, considerado por muitos como um golpe. Ciro foi decisivo para que ele acontecesse.

Nem Wellington e nem Marcelo vão poder criticar o "golpe", sob pena de deixarem o companheiro de chapa "sem jeito" (Foto: Gustavo Almeida/PoliticaDinamica.com)

Assis Carvalho (PT), que em cada esquina condena o “golpe” e os “golpistas”, não vai poder falar sobre o assunto nos palanques, sob pena de deixar o aliado sem jeito. Marcelo Castro (MDB), que se tornou queridinho dos petistas por ter contrariado seu partido e votado contra o impeachment, nem vai poder usar isso a seu favor nos palanques. Se fizer discurso dizendo que foi contra o golpe, estará, indiretamente, jogando uma pá de barro na campanha de Ciro.

Com essa formação de chapa, os petistas do Piauí e Marcelo Castro perderam um dos mais importantes nichos de discurso para a campanha: jogar os simpatizantes do PT no estado contra os algozes do partido. Apontar o dedo para os golpistas não poderá ser arma de campanha. Wellington Dias disse, em seu discurso na convenção, que a a chapa dele só tem pessoas leais e que não quer ninguém de cara feia com aliados na campanha.

Marcelo votou contra o impeachment, mas não poderá usar isso ao seu favor nos palanques ao lado de Ciro Nogueira (Foto: Gustavo Almeida/PoliticaDinamica.com)

Ou seja, se a ordem for obedecida, os candidatos petistas terão que engolir o discurso do golpe quando Ciro estiver no palanque. Para Marcelo Castro, repito, deve ser uma situação bem chata. Ele votou contra o impeachment, se indispôs com o próprio partido por conta disso e ganhou admiração dos petistas. Mas a presença de Ciro como seu companheiro de chapa impede que ele use isso como trampolim de campanha nos palanques.

Até mesmo chamar o governo Temer de ilegítimo não será muito legal, pois Ciro é um dos principais aliados dele no Congresso e conquistou grandes espaços na gestão do emedebista. Ah, e criticar Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à presidência adversário do PT, também não vai cair bem, pois Ciro apoia o tucano na corrida presidencial. A verdade é que, para evitar constrangimentos, muitos gritos terão que ser abafados na campanha de Wellington.

Wellington pediu união de todos na campanha e disse que na chapa majoritária dele só tem pessoas leais (Foto: Gustavo Almeida/PoliticaDinamica.com)

Se lá em Minas Gerais a ex-presidente Dilma é candidata demonstrando disposição para apontar o dedo no rumo daqueles que a golpearam, no Piauí a recomendação do líder maior do PT é esquecer essa história. Falar em golpe pra quê, se o importante é se reeleger?

Comentários (5147)

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade é do autor da mensagem.


Nome:
mensagem: