Coluna Gustavo Almeida Política Dinâmica
PROFISSIONAIS DE SAÚDE AMEAÇAM ENTREGAR CARGOS EM FLORIANO

MÉDICOS, ENFERMEIROS, FISIOTERAPEUTAS, TÉCNICOS DE ENFERMAGEM E OUTROS PROFISSIONAIS ALEGAM QUE GOVERNO DO PIAUÍ NÃO CUMPRIU ACORDO SALARIAL

05/06/2020 10:10 - Atualizado em 05/06/2020 10:36

Funcionários do Hospital Tibério Nunes, em Floriano (Foto: Reprodução/Facebook/HRTN)

Funcionários contratados que estão na linha de frente do combate ao novo coronavírus (Covid-19) no Hospital Regional Tibério Nunes, em Floriano, ameaçam paralisar as atividades e entregar os cargos na próxima semana. Eles alegam que o Governo do Piauí descumpriu um acordo salarial que previa acréscimo de 40% de insalubridade no salário dos profissionais que estão atuando no tratamento direto dos pacientes com Covid-19. 

Em uma carta aberta divulgada esta semana, os funcionários do Setor Covid do Tibério Nunes garantem que vão cruzar os braços e entregar os cargos na próxima segunda-feira (8) caso não haja uma solução para o impasse. No documento, eles afirmam que a proposta da Secretaria de Saúde do Piauí (Sesapi) era de que os profissionais que optassem por trabalhar no isolamento iriam receber percentual de insalubridade de 40% e salários em dia.

Quase um mês após a publicação do edital, eles dizem que a Sesapi emitiu uma errata afirmando que o percentual “poderia chegar até aos 40%”, configurando, segundo os profissionais, um ato capcioso e desrespeitoso contra todos os candidatos. Eles lembram que retificações de editais de seleção devem ser feitas imediatamente após a publicação, para que todos possam acompanhar e estar cientes das regras. 

Os funcionários começaram a trabalhar no setor Covid do Hospital Tibério Nunes no dia 1º de abril. “Deixamos nossas casas, deixamos nossas famílias, tudo isso para um bem comum: cuidar das pessoas. Temos nossas despesas aumentadas em função de não estarmos no conforto do nosso lar. Colocamos em risco a nossa saúde e a saúde de nossa família. É com grande tristeza que vemos a importância que está sendo dada a quem, em meio ao caos, decidiu enfrentar a pandemia mesmo com medo”, diz um trecho da carta.

O documento diz ainda que o Governo Federal, a Prefeitura de Teresina e alguns outros municípios do Piauí pagam 40% de insalubridade para os profissionais de saúde que estão trabalhando na linha de frente contra a Covid-19.

DIRETOR DO HOSPITAL CONFIRMA

Questionado pelo Política Dinâmica nesta sexta-feira (5), o diretor técnico do Hospital Tibério Nunes, Justino Moreira, confirmou a situação dos profissionais. Segundo Justino, a Secretaria de Saúde do Piauí e o governador Wellington Dias (PT) estão tratando do assunto nesta sexta para encontrar uma solução e regularizar o impasse financeiro.

O QUE DIZ A SESAPI

Em resposta ao Política Dinâmica, a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi) disse que os valores do adicional são verificados caso a caso. A secretaria informa ainda que segue orientação do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI) no pagamento do adicional.

"O regime estatutário, que rege o serviço público, define os percentuais de 5%, 10% e 20% como parâmetros para pagamento desse adicional. O percentual é verificado caso a caso, de acordo com o grau de risco da função e o ambiente de trabalho. Os valores obedecem a um teto, conforme orientação do Tribunal de Contas do Estado, por meio do Acórdão n. 2504/15.", diz o texto enviado pela assessoria da Sesapi.

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