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PADRE CRITICA POSTURA DO GOVERNADOR E DESABAFA CONTRA DESCASO

RELIGIOSO DE DOM INOCÊNCIO DISCURSOU EM AUDIÊNCIA PÚBLICA E DESABAFOU AO FALAR DE OBRA REIVINDICADA HÁ DUAS DÉCADAS PELA POPULAÇÃO

28/07/2017 08:09

Discurso foi feito numa audiência pública em Dom Inocêncio (Foto: Divulgação)

O descaso do governo e a histórica dificuldade de acesso ao município de Dom Inocêncio, no semiárido piauiense, fizeram o padre da cidade proferir um discurso contundente na quinta-feira (27). Durante audiência pública organizada pelo movimento "Dom Inocêncio sem asfalto, Dom Inocêncio sem voto", criado para cobrar o asfaltamento da estrada para o município, o pároco Amadeus Rocha fez um desabafo e criticou o governador Wellington Dias (PT).

“Nosso movimento não é um movimento contra gestão pública. É um movimento do município, mas a nível estadual. Porque o principal foco e objetivo é o senhor governador do Estado, que hoje estará em nossa cidade. Se ele não comparecer aqui nesta audiência se entende que o senhor governador tem interesse de obstrução do direito público e social do povo de Dom Inocêncio”, disse o padre.

Amadeus Rocha se referia à visita do governador a Dom Inocêncio, evento que aconteceu no mesmo horário da audiência pública. Apesar disso, Wellington não compareceu e deixou a cidade sem ir à reunião. O ato, inclusive, já estava marcado há mais de um mês e vinha sendo divulgado em toda a região. A visita do governador, por sua vez, foi anunciada esta semana e marcada para a mesma hora da audiência.

“A nossa audiência foi marcada primeiro do que a vinda dele. O principal objeto dessa audiência é o governador. A construção da estrada é um dever do Estado e como agora o governador é o senhor Wellington Dias ele tem o dever de cumprir. Ele deveria estar presente, porque a audiência é para ele e o povo. Quando o senhor governador vem pedir voto, ele pede no meio da rua” falou.

Dias estava na cidade, mas não foi à audiência (Foto: Jailson Soares/PoliticaDinamica.com)

A estrada que liga Dom Inocêncio à São Lourenço do Piauí possui cerca de 80 km de extensão. Em 2011, após anos de promessas, 16 km foram asfaltados e desde então a população cobra a retomada. A cidade é uma das quatro do Piauí que não possuem acesso asfaltado. O sacerdote Amadeus elogiou o movimento popular criado para cobrar a obra e criticou de uma afirmação que, segundo ele, foi feita pelo governador.

“Esse movimento nos traz alegria. É o povo que se mobiliza, que se organiza e que está fazendo seu próprio dever. O senhor governador disse, quando se iniciou esse movimento, que não trabalha por pressão. Se ele entende um movimento social, a reivindicação de direitos do cidadão como pressão, eu me pergunto: o que ele entende de democracia?”, questionou o religioso.

WELLINGTON VOLTA A PROMETER CONCLUSÃO DA OBRA
Momentos depois, a poucos metros de onde acontecia a audiência pública, o governador e sua comitiva prometeram concluir a obra até dezembro deste ano. Wellington assegurou que os trabalhos já foram retomados e que entregará a tão sonhada estrada. A mesma promessa já foi feita em diversas outras ocasiões desde que ele governou o Piauí pela primeira vez.

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