Coluna Gustavo Almeida Política Dinâmica
HÁ 10 ANOS, PADRE LIRA DEIXAVA SEU ÚLTIMO CARGO POLÍTICO

SACERDOTE SE TORNOU CONHECIDO ATÉ MESMO FORA DO PAÍS PELAS AÇÕES PIONEIRAS DESENVOLVIDAS NO SEMIÁRIDO PIAUIENSE

20/06/2017 21:18 - Atualizado em 20/06/2017 21:41

Lira dedicou mais de 60 anos de luta ao povo do semiárido piauiense (Foto: Glória Nunes)

Neste mês de junho de 2017 completa 10 anos que o padre Manuel Lira Parente, o Padre Lira, deixou a prefeitura de Dom Inocêncio, no semiárido piauiense. Prestes a completar 88 anos, ele renunciava sem concluir o mandato devido ao agravamento do seu estado de saúde. Lira viria a ficar internado em estado grave durante vários dias no Hospital São Marcos, em Teresina.

Apesar de ter se recuperado e voltado à ativa após a internação, ele não mais retornou ao cargo de prefeito, assumido pelo seu então vice-prefeito Inocêncio Leal Parente, filho reconhecido pelo sacerdote. Aquele seria o último mandato político ocupado por Padre Lira, que foi prefeito de São Raimundo Nonato de 1955 a 1958 e de Dom Inocêncio por três mandatos. O sacerdote também foi suplente de senador de Freitas Neto.

Padre Lira foi uma das lideranças políticas de maior destaque no interior do Piauí, apesar de grande parte da sua obra e de suas ações terem sido protagonizadas pela Fundação Ruralista, entidade social criada pelo religioso no final dos anos 1950. A Fundação ganhou destaque nacional e internacional nas ações de amparo ao povo do semiárido, notadamente na região onde hoje fica Dom Inocêncio, município por ele fundado em 1988.

"A educação reúne o povo", disse Pe. Lira à revista Nova Escola em 1989 (Foto: Reprodução)

Administrador arrojado, ríspido e centralizador, Lira conseguiu chamar a atenção da imprensa nacional para as ações pioneiras desenvolvidas no sertão piauiense. A atuação da Fundação se deu nas mais variadas frentes, com grande destaque para a educação, a abertura de estradas, construção pioneira de cisternas com captação de água da chuva, assistência à saúde, geração de emprego e renda e a construção de aguadas.

Em 1972, a escritora inglesa Peggie Benton visitou a Fundação e escreveu um livro contando a saga do padre na caatinga do Piauí. “Um Homem contra a Seca” foi lançado na Inglaterra e espalhou para fora do país a fama do sacerdote. O lançamento em Londres ganhou matéria de página inteira no Jornal do Brasil, o maior do país à época. A reportagem do correspondente do jornal mostrava a admiração dos ingleses com a luta do padre.

Mais tarde, Peggie Benton seria homenageada com seu nome na primeira maternidade rural do Piauí, construída pelo Padre Lira na Fundação Ruralista. A unidade viria a reduzir quase a zero os exorbitantes índices de mortalidade infantil na região. Naquela época, de cada mil bebês nascidos vivos na região, 128 morriam antes de completar um ano de vida. A maternidade também servia como “posto de saúde” para os moradores da área.

Religioso com alunos em escola municipal na cidade de Dom Inocêncio (Foto: Glória Nunes)

Padre Lira morreu em setembro de 2015, aos 96 anos, após mais seis décadas dedicadas ao semiárido piauiense. Ele está sepultado na Igreja Matriz de São Raimundo Nonato. Atualmente, a Fundação Ruralista vem tentando retomar parte das suas atividades sob a administração de Inocêncio Leal Parente e de dona Maria da Conceição Leal, que foi braço direito de Padre Lira desde os anos 1960.

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