SEM POLÊMICA: É GANHAR OU PERDER

NÚMEROS MOSTRAM QUE MARGARETE COELHO TEM A OPÇÃO DE TENTAR A REELEIÇÃO AO LADO DE CIRO OU DEIXAR DE SER DEPUTADA AO LADO DE WELLINGTON

Marcos Melo Marcos Melo
29/04/2021 17:26 - Atualizado em 29/04/2021 18:53

Nas últimas semanas jornalistas estão recebendo a informação de que a deputada federal Margarete Coelho pode deixar o Progressistas para seguir na base do governador Wellington Dias (PT). Na última segunda-feira (26), durante o evento em que seu nome foi disponibilizado para a disputa de governador em 2022, Ciro Nogueira foi categórico ao assegurar que a deputada estará com ele na campanha, apesar dela não estar presente ali. É muito menos afinidade e muito mais matemática: fora do PP, Margarete dificilmente vai ser reeleita.

Pense junto com Margarete: qual é o melhor caminho para seguir em 2022? (foto: Jailson Soares | PoliticaDInamica)

Estar em cima do muro é conveniente para Margarete e para Ciro. Ela se fortalece até onde der, e Ciro impede que algum adversário ganhe musculatura. Na prática, a permanência de Margarete no governo só enfraquece o governador Wellington Dias (PT). É só fazer as contas, e desse tipo de conta o petista entende.

SEM PAIXÃO, VAMOS AOS FATOS

Vamos fazer alguns cálculos com números redondos para facilitar o raciocínio.

Em 2010, a deputada federal progressista Iracema Portella teve 91 mil votos. Em 2014, foram 30 mil votos a mais, numa soma que chegou a 121 mil votos. Nessas duas eleições, foi a única eleita pelo PP.

Em 2018, a estratégia de Ciro era aumentar sua influência em Brasília e conseguir duas cadeiras na Câmara Federal para o PP. Então ele redistribuiu colégios eleitorais de Iracema para Margarete e para Mainha.

Se Margarete não acompanhar Ciro, que prefeitos vão acompanhar Margarete? (foto: reprodução)

Iracema foi reeleita com confortáveis 96 mil votos e Margarete chegou à Câmara Federal com 76 mil votos. Ter sido vice-governadora de Wellington durante 4 anos não a elegeu naquela época, por qual motivo indicar o comando da Secretaria do Meio Ambiente no Piauí faria mais por ela? A SEMAR comandada pela irmã de Margarete é apenas a 15ª entre 22 secretarias do governo e ainda assim não controla mais do que 0,5% do orçamento estadual.

Wellington já considera Margarete fora do governo, se não for ela pedindo para sair, vai ser ele botando para fora... ou será que não? (foto: Marcos Melo | PoliticaDinamica)

Lá em 2018, sendo a penúltima deputada federal eleita em sua coligação. A maior votação dela foi em Teresina, 17 mil votos capitaneados pelo então prefeito de Teresina Firmino Filho (PSDB), fruto de um acordo direto com o senador Ciro Nogueira. São mais de 22% dos votos que ela teve. Com a morte de Firmino já vai ser difícil juntar esse pessoal todo outra vez, imagine saindo do PP para ficar com do governo que, em tese, esse eleitorado desaprova e enxerga como adversário. Não tem muita chance de dar certo.

A campanha que Firmino fez por Margarete passou por uma articulação do senador Ciro Nogueira (foto: Marcos Melo | PoliticaDInamica)

Em alguns municípios, quase toda a votação de Iracema foi direcionada à Margarete: em Altos, por exemplo, Iracema teve 988 votos em 2014, mas em 2018 foram apenas 101, enquanto Margarete teve 1.249 votos.Sem os votos que migraram de Iracema para ela, Margarete não teria sido mais que suplente em 2018 (foto: Jailson Soares | PoliticaDInamica)

Em outros municípios, a votação foi dividida entre as duas, como é o caso de Campo Alegre do Fidalgo, onde Iracema teve 1.356 votos em 2014. Em 2018, Iracema teve 814 e Margarete teve 431. Somadas, as duas tiveram 1.245. Já em Monte Alegre do Piauí, a soma da votação de Iracema (31 votos) e de Margarete (1.181 votos) é praticamente a exata votação que Iracema teve na eleição anterior, 1.213 votos. Estes são apenas alguns exemplos.

É com Wellington Dias que Margarete vai repor o eleitorado que conseguiu junto a Firmino Filho em Teresina? (foto: Marcos Melo | PoliticaDInamica)

QUESTÃO PRAGMÁTICA

Se Margarete Coelho -- ou qualquer jornalista -- fizer as contas do que ela perde ficando com Wellington, vai entender que o caminho é ficar no PP. Se Wellington fizer -- e já deve ter feito -- as contas do que ele ganha se Margarete ficar no governo, vai entender que já passou da hora de mandá-la embora.

Margarete poderia ter acabado com a polêmica fabricada com um simples "eu não vou sair do PP", mas preferiu postar subjetividades com pitadas de vitimismo (imagem: Instagram)

Só pra constar, Wellington ofereceu a SEMAR para Wilson Martins quando o acordo com o PSB foi fechado há duas semanas. A irmã de Margarete só continua secretária porque o ex-governador preferiu a Defesa Civil.

Às vezes, canta Marisa Monte, a pessoa realmente não sabe o que fez pra merecer o que tem, por que ninguém dava nada pela pessoa e quem dava, a pessoa não tava a fim. Mas o final é feliz.

Ainda bem.

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