DEVENDO R$ 150 MILHÕES AOS MUNICÍPIOS

DEVENDO 14 MESES DE COFINANCIAMENTO DA SAÚDE, GESTÃO DE WELLINGTON DIAS AUMENTA A PRESSÃO SOBRE SISTEMA DE SAÚDE EM COLAPSO NA PANDEMIA

Marcos Melo Marcos Melo
22/03/2021 15:17 - Atualizado em 22/03/2021 15:46

Nenhum dado técnico pode explicar a permanência de Florentino Neto no cargo de secretário de Estado da Saúde. É um cidadão que só pensa numa virtual eleição de deputado federal enquanto o Piauí afunda na pandemia de coronavírus. A gestão dele e do governador Wellington Dias -- ambos do PT -- tem, neste exato momento, uma dívida de R$ 150 milhões junto às prefeituras piauienses.

Governo do Estado não pode olhar na cara de nenhum prefeito e dizer que está fazendo o máximo que pode durante a pandemia; o mesmo vale para a população de cada município que depende desses recursos para a Saúde (foto: Marcos Melo | politicaDinamica.com)

É o calote do cofinanciamento da Saúde sendo imposto à capital e ao interior no meio da pandemia. Se ele, que foi prefeito de Parnaíba e é secretário de Saúde ainda não entendeu a gravidade disso, mantê-lo nesse cargo é de uma irresponsabilidade sem precedentes. Suepeito, aliás, de participar de um esquema de desvio de recursos federais que deveriam ter sido utilizados no combate à pandemia, temos que lembrar. 

De 2017 até hoje, essa obrigação do Governo do Estado junto às Prefeituras Municipais nunca ficou em dia. Em alguns casos, prefeituras cujos prefeitos votavam na base do governo recebiam os atrasados antes de prefeituras administradas por opositores.

A denúncia é assinada pelo ex-presidente da Associação Piauiense de Municípios, Jonas Moura (PSD), ex-prefeito de Água Branca, num documento de dezembro de 2019. Jonas, aliás, era um desses prefeitos da base, mas ocupando um cargo de representação coletiva, teve que fazer a denúncia que se torna pública agora.

Veja:

O atual presidente da APPM, Paulo César (PP), prefeito de Francinópolis, aponta que o problema persiste 2 anos depois, em 2021.

Em setembro de 2019, a APPM ainda tentou vincular essa dívida a um dos empréstimos que o governador Wellington Dias aprovou na Assembleia, para que R$ 75 milhões -- metade do rombo -- fosse quitado com esses recursos que ninguém sabe pra onde foram, e que a outra metade fosse paga com recursos da Cessão Onerosa -- dinheiro ao qual o Governo do Estado do Piauí tinha direito por conta do leilão das reservas de petróleo do pré-sal. O Piauí recebeu esses recursos em 31 de dezembro de 2019. Mas não se sabe como o dinheiro foi gasto.

Wellington fez ouvidos de mercador para o pedido e empurrou o problema para frente.

DIVIDA GIGANTE

Em janeiro de 2020, a dívida, segundo a Secretaria de Saúde, estava "impagável" em curto prazo. Um acordo foi feito para o parcelamento em 25 vezes. Dando uma de "João sem braço", a gestão de Florentino e Wellington passaram a pagar as parcelas do que estava atrasado, mas começaram a atrasar as parcelas atuais. Na prática, estão pagando hoje menos do que pagavam antes do acordo.

A atitude é uma, o discurso é outro: o que Wellington pede que o Governo Federal faça pelos Estados, sua gestão não faz pelos Municípios do Piauí (foto: Jailson Soares | PoliticaDinamica.com)

Para se ter uma ideia, só a capital do Piauí, Teresina, tem R$ 30 milhões a receber. É dinheiro que falta hoje para se ampliar leitos e equipes na linha de frente de combate à pandemia.

Em suas redes sociais, o senador Ciro Nogueira (PP) cobrou essa dívida de Wellington Dias e fez um apelo: que o petista realoque recursos de áreas não essenciais para a Saúde, ou seja, que faça aqui que o próprio governador Wellington Dias fala em entrevistas que o Governo Federal não faz.

Veja abaixo:

Marcos Melo

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