Coluna Política
  • segunda, 12 de abril de 2021, às 17:36h

    Há uma semana foram divulgadas informações sobre a morte de 6 detentos da Cadeia Pública de Altos (CPA) ano passado. Segundo revelou o ELPaís Brasil no último dia 2 de abril, uma perícia do Ministério da Saúde aponta que eles definharam até morte por desnutrição. E isso levanta uma outra questão: quanto custa uma quentinha para o sistema prisional do Piauí?

    Por qual razão Carlos Edilson não revela como foram gastos quase R$ 30 milhões de reais em refeições que deixaram presos desnutridos até a morte? (foto: Instagram)

    MERECEM SOFRER?

    Antes que indignação social do leitor dê voz à uma ideia distorcida de que presos precisam ser punidos e não merecem ser bem alimentados, não vamos abordar direitos humanos aqui. Apenas levantar uma questão: afinal, se tinha dinheiro pra comida e esse pessoal todo estava desnutrido, para onde é que esse dinheiro estaria indo de verdade? 

    Comissão de Direitos Humanos da OAB na SEJUS: estes amigos advogados frequentemente lancham, botam o papo em dia e fazem selfies com o secretário de Justiça, mas não se manifestam sobre as mortes no sistema prisional (foto: Instagram)

    Alguma coisa está errada!

    O Política Dinâmica perguntou à SEJUS quanto custa alimentar cada detento do Piauí por dia, mês e ano. O calado foi a resposta até aqui. Não constam nos murais de licitação e contratos do Tribunal de Contas do Estado valores de licitações de refeições e quentinhas, como era feito até algum tempo atrás. Estão disponíveis apenas três contratos já executados entre fevereiro de 2019 e fevereiro de 2020.

    SENTE SÓ O CHEIRO!

    Nesse intervalo de 1 ano, a SEJUS comprou R$ 28 milhões de comida para 4.700 presos. Biscoitos, frutas, carnes... Nos contratos não falta nem tempero. Isso dá, em média, R$ 16,30 de comida por dia para cada um deles. Sem contar os custos de preparação -- gastos com energia, gás, embalagens, mão de obra.

    Cadeia Pública de Altos  (Foto: Francisco Leal/Ccom)

    Na Zona Leste de Teresina, é possível encontrar restaurantes que fornecem quentinhas a R$ 12,00 e não cobram a entrega se foram mais de 10 quentinhas no pedido.

    Entre os meses de março e maio de 2020, aproximadamente 200 dos 656 presos da CPA precisaram de atendimento médico. E pelo menos 56 deles precisaram ser internados em hospitais de Teresina.

    GESTÃO DA SEJUS É SUSPEITA

    Em nota a SEJUS esclareceu ter dado assistência aos detentos, que chegou a limpar as instalações da cadeia e que redobrou a atenção com a saúde dos presos. Mas não fala sobre alimentação.

    Procurado pelo Política Dinâmica, o Departamento de Nutrição da Cadeia de Altos ficou em silêncio por determinação do secretário Carlos Edilson. Ele é o mesmo secretário suspeito de participar do desvio de recursos públicos junto a empresas que fazem parte do esquema de aluguel de carros investigado pela Operação Topique. 

    Topique: esta é uma das muitas anotações encontradas pela PF durante os mandados de busca e apreensão (foto: PoliticaDinamica.com))

    VÃO ABAFAR?

    A Defensoria Pública do Piauí, por meio de sua Diretoria Criminal, confirmou que buscará reparação em relação às mortes ocorridas na Cadeia Pública de Altos. Segundo o defensor público Dárcio Rufino de Holanda, existe um inquérito civil aberto onde já foi anexado o relatório sobre a desnutrição que levou os presos à morte.

    Lúcio Tadeu e Celso Barros: OAB-PI faz vista grossa para possibilidade de desvio e mal emprego de recursos públicos no sistema prisional (foto: ASCOM OAB)

    A reportagem do portal Política Dinâmica também entrou em contato com a Ordem dos Advogados do Brasil no Piauí. A assessoria de comunicação prometeu uma manifestação da Comissão de Direitos Penitenciários e dos Direitos Humanos sobre o caso. A redação da nota, segundo a OAB-PI seria do advogado Lúcio Tadeu, mas uma semana depois, nada foi enviado.

    Por mais estranho que pareça, estão cozinhando o assunto.

    • R&G Feet
  • segunda, 12 de abril de 2021, às 9:29h

    O médico Silvio Mendes, ex-prefeito de Teresina, publicou em suas redes sociais uma carta de despedida ao amigo Firmino Filho, encontrado morto na última terça-feira (5). Eles compartilhavam mais que a experiência de ter administrado a capital do Piauí: eram amigos e compadres.

    Silvio dá voz às perguntas de familiares, amigo e milhares de outras pessoas do Piauí no texto em que descreve seu sentimento com a morte repentina de Firmino Filho (foto: Jailson Soares | PoliticaDinamica.com)

    Na carta, Silvio aponta fatos e faz perguntas que a população também não sabe responder. Aponta o quanto Firmino era racional e questiona o motivo que pode ter levado o ex-prefeito a "decidir partir sem despedida", mas acreditando que o destino foi escolhido pelo amigo. "Que tormentos o venceram?", indaga Silvio. 

    Confira a carta na íntegra:

    "Teresina, 12 de abril de 2021

    Caríssimo Firmino,

    O sono é menor e os pesadelos chegam quando acordado.

    A sua decisão de partir sem despedida da família, de Teresina e seu povo, dos seus amigos e seguidores, que o tinham como um líder que não fugia dos debates e embates, bem fundamentados nas suas crenças, causou profunda tristeza e ficaram muitas perguntas sem respostas. Por que, Firmino? Por que, meu Deus?

    Você sempre foi racional e cartesiano. Tinha formação, experiência. Dedicou metade da sua vida à gestão pública realizadora e Teresina lhe confiou para cuidar dela por quatro mandatos, privilégio que ninguém recebeu de um povo reconhecido, que lhe daria novas missões para continuar a ter esperanças no futuro.

    Nos acostumamos a ter em você um líder e guerreiro. Você usava essas palavras, 'guerreiras e guerreiros', incentivando a equipe e seguidores das suas crenças. Até aprendeu a ganhar e a perder eleições. Nunca desanimou, sempre seguindo em frente!

    Na sua timidez e virtude de mais ouvir do que falar, tivemos oportunidades de partilhar nossas aflições e até choramos juntos. Não por fraquezas, mas por sentimentos e valores comuns. Que tormentos o venceram? Você falava do futuro e, de repente, partiu! Até a pescaria combinada, não aconteceu. Os nossos desencontros foram escritos na areia e o vento levou.

    Bem cedo do dia seguinte à sua partida, um passarinho veio cantar na minha janela. Foi sua visita de despedida?

    O lamento na nossa casa é da perda de um irmão.

    Até mais tarde. Na Hora do Angelus estaremos em orações, na esperança e pedindo pela sua paz de espírito.

    Com admiração e saudade,

    Sílvio Mendes e família."

    • R&G Feet
  • sábado, 10 de abril de 2021, às 9:57h

    A Prefeitura Municipal de Piripiri nomeou no início de sua gestão, o advogado Nivaldo Ribeiro Filho, com o cargo de assessor jurídico. O assessor é filho do promotor de justiça da cidade, Nivaldo Ribeiro. Se por um lado essa indicação é para um cargo de confiança da prefeita Jôve Oliveira (PTB), para a população, a situação é exatamente oposta e causa desconforto e desconfiança no município.

    O filho defende, a prefeita responde e o pai acusa: vai dar certo isso? (fotos: Facebook)

    Há poucos dias, na cidade de Floriano, um juiz determinou a liberdade do próprio filho preso horas antes por causar um acidente de transito enquanto dirigia alcoolizado. Os casos em si são bem distintos, mas a preocupação é a de que em Piripiri, o pai não apure todas as denúncias -- ou não o faça com 100% de isenção -- contra a gestão onde seu filho trabalha.

    TRANSPARÊNCIA ZERO

    Até aqui, parte da população de Piripiri não sabia que a prefeita Jôve havia contratado o filho do promotor da cidade para cuidar das defesas de sua gestão. A nomeação consta no Diário Dos Municípios, mas o Portal da Transparência de Piripiri está fora do ar há semanas.

    Contratar o filho do promotor para defender sua gestão: Jôve fez certo ou errado? (foto: Ascom Piripiri)

    Isso se dá, por acaso, exatamente no período em que acontecem o maior número de nomeações de gestões municipais que estão iniciando. Estranho?

    O QUE DIZ NIVALDO, O PAI

    Até que fosse procurado pelo Política Dinâmica o promotor Nivaldo Ribeiro não havia se pronunciado sobre a nomeação do filho para a assessoria jurídica de Jôve Oliveira. Mas respondeu às nossas perguntas na lata e sem papas na língua.

    “Meu filho é concursado da Câmara Municipal de Piripiri. Não há nenhuma ilegalidade que impeça a ele de assumir o cargo público”, disse, numa forma de fazer entender que Nivaldo Filho não precisa do cargo na Prefeitura para se manter. O promotor fez questão de informar ao Política Dinâmica que o filho não tem envolvimento político, muito menos realizou campanha política para a prefeita Jôve.

    Nivaldo pai diz que Nivaldo filho não fez campanha para Jôve, mas a nomeação para um cargo que é de confiança já revela um proximidade suspeita (foto: Facebook)

    JÔVE, CAMPEÃ EM DENÚNCIAS

    Uma informação importante foi revelada pelo promotor. “Só para você ter uma ideia, eu já tenho 41 processos, somente de janeiro para cá, contra a Prefeitura de Piripiri. É mais que na gestão passada. Nada vai me impedir de realizar o meu trabalho. A caneta do promotor é para isso, eu vou é pra cima”, ressaltou, se referindo ao período em Luiz Meneses (PP) foi prefeito em comparação com Jôve, que está à frente da Prefeitura de Piripiri há 3 meses apenas.

    Promotor Nivaldo Ribeiro revela que em 3 meses já abriu mais procedimentos contra Jôve do que contra gestão de Luiz Menezes (foto: Reprodução TV Clube)

    Se é o promotor quem acusa e o assessor jurídico quem defende, seria o caso do pai estar "criando demandas" para o filho? Pelo que diz o pai, de jeito nenhum.

    Mas questionar isso é um direito quando, por exemplo, existem denúncias sobre gastos milionários com assessorias diversas, dispensas de licitação e contratos que parecem fora de escala, como pagar R$ 400 mil reais a uma emissora de rádio (licitação aberta no último dia 6 de abril).

    A contratação da rádio será direcionada a aliados de Jovê? É bom o promotor investigar (imagem: reprodução)

    A falta do Portal da Transparência, citado no início desse texto, impede também que se acompanhe cortes de salários de servidores da Saúde, e a distribuição de vacinas a pessoas que não se sabe se são ou não servidores de fato.

    Antes duvidar era um direito. Agora parece ser um dever de cada cidadão.


    • R&G Feet
  • sexta, 09 de abril de 2021, às 8:54h

    Mande qualquer pessoa com a camisa do Vasco dar uma volta no meio da torcida do Flamengo e certamente ela vai voltar com o entendimento de que a camisa que você veste faz toda a diferença. Mas para o deputado federal Flávio Nogueira (PDT), tanto faz votar em Jair Bolsonaro (sem partido) ou no seu inverso proporcional ex-presidente Lula (PT), desde que ele mesmo seja (re)eleito em 2022.

    PAra Flávio, Lula ou Bolsonaro, anto faz... mas o eleitor aceita isso? (fotos: Jailson Soares | PoliticaDinamica.com)

    Flávio está de saída do PDT. Deve seguir para o Republicanos. Acontece, que no Piauí, o deputado é da base do governo petista de Wellington Dias, cuja sucessão deve ser alinhada com uma candidatura do ex-presidente Lula (PT). Por outro lado, seu futuro partido, no contexto federal, dá total suporte ao governo de Jair Bolsonaro (sem partido). E no Piauí o presidente já tem candidato ao governo estadual: o senador Ciro Nogueira (PP).

    E VAI DAR CERTO ISSO?

    Nogueira disse que está livre para votar em quem quiser nas próximas eleições. E qualquer que seja a diferença que você enxerga entre Bolsonaro e Lula, para ele é uma questão menor. O que vale é a bola na rede. “Tudo isso vai depender da época, da acomodação dos partidos. Eu ficarei livre e votarei de acordo com o que for bom para a minha eleição”, explicou.

    Para escolher o lado por onde vai disputar as eleições, Flavio vai esperar até a última hora para ver quem estará melhor posicionado junto ao eleitorado (foto: Jailson Soares | PoliticaDinamica.com)

    A eleição para o governo estadual em 2022 também é uma incógnita na visão de Flávio Nogueira. Ele ainda não sabe em quem vai votar: se no candidato da base governista de Wellington Dias (provavelmente Rafael Fonteles) ou em Ciro Nogueira, o candidato da oposição.

    WELLINGTON X CIRO

    Para o deputado, é cedo para se comprometer, afinal, ele mesmo ainda não sabe com certeza absoluta quem serão os candidatos.

    O candidato de Ciro é Bolsonaro, o candidato de Ciro é Bolsonaro (foto: Instagram)

    Durante a entrevista, não foi possível perceber o menor constrangimento de Flávio sobre estar na base de Wellington Dias e votar logo mais na oposição, ou se filiar num partido que ajuda Jair Bolsonaro e votar, quem sabe contra ele. Seu entendimento é de que no Piauí isso não é um problema. “Eu acho que isso não teria nenhum problema de acomodação, principalmente no estado do Piauí, nem para um lado e nem para o outro”, pondera.

    Quem estiver com o candidato de Wellington, vai ter que pedir votos para Lula (foto: Jailson Soares | PoliticaDInamica.com)

    Até aqui, Flávio já havia recebido convites para se filiar ao MDB, PP e PT. Porém, a escolha pelo Republicanos é baseada exatamente na possibilidade de ser o dono da bola, o que não aconteceria nessas outras agremiações. “Infelizmente no Brasil, partido político tem pouca influência na eleição e na votação de um candidato. O que vale mais é o que o candidato fez e faz na sua vida pública”, comenta o parlamentar.

    Numa eleição que promete ser a mais alinhada com o cenário federal na história recente do Piauí, resta saber se o resto da bancada federal piauiense pensa da mesma maneira que Flávio Nogueira.

    Você, pensa o quê?

    • R&G Feet
  • quinta, 08 de abril de 2021, às 18:10h

    Antes de morrer, o ex-prefeito Firmino Filho foi vítima de ataques sistemáticos contra sua imagem e a de sua família. Imaginava-se que cessariam com a morte dele. Não é o que está acontecendo. Infelizmente, ter enterrado Firmino não vai livrar a viúva Lucy Soares e os filhos Bárbara, Bruno e Cristina de mais dor.

    Gabinete do ódio: Diversas vezes Firmino falou à imprensa sobre a utilização de redes sociais para atacar sua família e "enlamear" seu nome (foto: jailson Soares | PoliticaDInamica.com)

    Na tentativa de destruir a imagem pública deixada pelo ex-prefeito, já se espalha o boato de que a morte de Firmino teria motivação numa suposta separação entre ele e a deputada estadual Lucy Soares. Mentiras com esse propósito já estão prontas para distribuição nos próximos dias. Todo tipo de baixaria com requintes de crueldade, a começar por traição. Fazem isso há 3 anos e 8 meses, continuamente.

    Ataques publicados e espalhados via Whatsapp desde 14 de agosto de 2017 se iniciaram travestidos de críticas de natureza política e comentários ácidos. Nada diferente da vida de nenhum outro político. Parecia até normal. Então rapidamente descambaram para agressões pessoais, impublicáveis do ponto de vista jornalístico, distanciados de qualquer limite de liberdade de expressão e dando muito a entender que poderia ser um massacre encomendado.

    Lucy e Firmino continuam sendo alvos de ataques pessoais e mentiras compartilhadas via Whatsapp (foto: Jailson Soares | PoliticaDInamica.com)

    Uma campanha de ódio contra uma pessoa e sua família e que certamente causou estragos. Tudo observado por políticos, policiais, juristas, empresários e jornalistas.

    Não se pode duvidar que alguém que foi 4 vezes prefeito não vá se transformar numa lembrança positiva para a população de Teresina. Lucy -- que é deputada estadual -- diante do caixão do marido e em frente à Prefeitura, disse que iria lutar para continuar o trabalho dele. Um discurso de motivação para as centenas de servidores, a maioria sentindo a perda de um amigo querido.

    Que exista algum legado é natural. Que ela fale sobre ele, também. Que ela estivesse se lançando como sucessora e fazendo política com isso, pareceu mais uma distorção da realidade. Coisa que vira manchete hoje para ser utilizada nas mentiras futuras sobre "os últimos dias" de Firmino.

    Adversários plantam mentiras para difamar esposa, filhos, amigos e a própria memória de Firmino Filho (foto: Jailson Soares | PoliticaDinamica.com)

    Aliás, um depoimento que teria sido dado à Polícia Civil revela que Firmino estava pedindo licença médica do trabalho. Já os legistas do Instituto Médico Legal teriam constatado que o ex-prefeito estava com câncer de pulmão em algum estágio que não era inicial; enquanto os peritos no local onde o corpo foi encontrado teriam observado que ele não estaria usando aliança na hora da morte; e que haveria uma carteira de cigarros junto aos sapatos e celular de Firmino.

    Sabe-se que o ex-prefeito não fumava há décadas. Falsos ou verdadeiros os dados acima, saberemos com a divulgação do inquérito, que só deve estar pronto em 10 dias. Porém, os ataques se anteciparam e já desviam a atenção do que realmente pode ter acontecido com objetivo de distanciar a imagem de Firmino dos seus familiares e amigos.

    É uma nova fase do assassinato diário de reputações, que tem gente muito importante na plateia.

    • R&G Feet
  • quarta, 07 de abril de 2021, às 14:46h

    Políticos, amigos e, principalmente, admiradores e simpatizantes foram se despedir do ex-prefeito de Teresina Firmino Filho, morto ontem. Desde as primeiras horas da manhã desta quarta-feira (7), na Avenida Miguel Rosa, Zona Sul, era nítido o sentimento e comoção das pessoas que queriam prestar uma última homenagem ao político no local do velório.

    Firmino Filho: o prefeito que saiu do Palácio da Cidade para entrar na história de Teresina (foto: Jailson Soares | PoliticaDinamica.com)

    EMOÇÃO DA DESPEDIDA

    Apesar do momento não ser propício para aglomerações, foi impossível estabelecer distanciamento social quando as pessoas, conduzidas pela dor e emoção, quiseram se aproximar do caixão no momento em que ele era colocado no carro do Corpo de Bombeiros.

    População se aglomerou no entorno do caminhão dos Bombeiros para chegar mais perto na hora da despedida de Firmino Filho (Jailson Soares | politicaDinamica.com)

    Firmino Filho foi bastante aplaudido na saída para o cortejo. Foi possível perceber o lamento e a admiração de pessoas simples que choravam a perda do ex-prefeito. Um desses populares era o vendedor Manoel Pereira que, aos prantos, chegou a dizer que gostaria de morrer junto, numa expressão de forte emoção de quem ainda não acreditava na morte de Firmino. “Quando soube da notícia pela televisão, eu não acreditei. Meu prefeito querido... [chorando muito] não poderia ter um fim tão triste. Queria morrer junto e ir com ele”, desabafou.

    Emoção forte: o vendedor Manoel era um dos admiradores que foi ao velório se despedir do amigo Firmino Filho (foto: Jailson Soares | PoliticaDinamica.com)

    CORTEJO

    O caminhão dos Bombeiros realizou um percurso pelas principais avenidas de Teresina, passando pelas avenidas Miguel Rosa, Frei Serafim, Marechal Castelo Branco, Centenário, Rio Poti e João XXIII.

    A população se despediu de Firmino em todas as regiões da capital (foto: Jailson Soares | politicaDinamica)

    No caminho, muitas homenagens foram prestadas. Duas delas chamaram mais a atenção: uma em frente à Fundação Municipal de Saúde, outra na Praça do Poti Velho. Mas foi no Palácio da Cidade, local onde trabalhou por 16 anos, que Firmino recebeu as maiores expressões de reconhecimento, lamento e despedida. Uma multidão o esperava na porta do prédio, com cartazes, balões e flores.

    PASSAGEM PELA PREFEITURA

    Quando o caixão se aproximou do Palácio, Firmino Filho foi recebido com uma salva de palmas. Aplausos intensos de destinados a quem era bastante querido. Servidores, gestores e ex-funcionários também se aglomeraram ali para dar o último adeus ao prefeito que marcou sua história pelo foco de suas gestões na Educação -- por isso, sempre lembrado como "prefeito criança" -- e que era reconhecido, principalmente, como um amigo.

    Servidores da PMT foram para o lado de fora do Palácio da Cidade para prestar sua última homenagem ao amigo e gestor público que mais tempo liderou Teresina (foto: Jailson Soares | PoliticaDinamica.com)

    Bastante emocionada, a esposa de Firmino e deputada estadual Lucy Soares (PP), falou rapidamente com as pessoas e com a imprensa. Lucy agradeceu o carinho de todos e considerou aquele o momento o mais difícil de sua vida. “Quero agradecer o carinho de todos vocês, não está sendo fácil, mas vamos continuar com o legado que o prefeito Firmino nos deixou”, assegurou.

    Lucy Soares se emocionou bastante ao ver o corpo de seu marido passar pelo local onde ele deu expediente como prefeito por 16 anos e ao receber o apoio de centenas de pessoas (foto: Jailson Soares | politicaDinamica.com)

    Após o cortejo, o corpo foi levado para o cemitério Recanto da Saudade, na BR-343, onde acontecerão duas missas de corpo presente antes do sepultamento, marcado para as 17hs.

    • R&G Feet
  • terça, 06 de abril de 2021, às 8:00h

    Durante a campanha que fez dele o novo prefeito de Teresina, Doutor Pessoa (MDB) prometeu de tudo. De transposição do rio Parnaíba até parques parecidos com os da Disneylândia. Mas o que se viu até aqui foi coisa bem diferente. Na semana em que Pessoa completa 100 dias de gestão (a data certa é o próximo sábado), Teresina pode refletir um pouco sobre a nova gestão da capital. 

    Chegou onde queria, mas não sabe pra onde vai: as grandes mudanças que Pessoa entrega em 100 dias de gestão são promessas que ele não está cumprindo (foto: Jailson Soares | politicaDinamica.com)

    Então o Política Dinâmica começa uma contagem regressiva de 5 matérias sobre os primeiros meses de promessas descartadas sem a menor cerimônia pelo atual prefeito. 

    Hoje, vamos falar um pouco do transporte público.  

    DESINTHEGROU DE VEZ


    Sejamos racionais: a transposição e os parques da Disney não são mesmo prioridades. Esses projetos que se confundem com alucinações não podem ser colocados na frente, por exemplo, de se encontrar uma solução para o problema de mobilidade urbana de Teresina. A promessa de Doutor Pessoa nesse ponto era "ajeitar" tudo até os seus 100 primeiros dias de prefeito.

    E, nesse tempo, não vai conseguir.

    Pelo contrário: a coisa piorou. Virou o "DesInthegra" do Pessoa.  

    Doutor Pessoa colocou o sobrinho, Cláudio Pessoa, para comandar a Superintendência de Transporte e Trânsito de Teresina, mas até o momento, a família não encontrou a solução para o problema de mobilidade e transporte público da capital (foto: divulgação)

    MASSACRE DO MAIS POBRE

    Sem pagar o que deve ao sistema nem cumprir as promessas de parcelamento e quitação de dívidas, a gestão de Pessoa empurra a mobilidade urbana para o colapso. E sacrifica a população pobre, que é a que mais depende do sistema de ônibus funcionando. Se já era caro pagar os R$ 4,00 por passagem no sistema Inthegra que não funcionava direito antes, imagine agora o usuário se vendo obrigado a pagar o dobro ou o triplo disso em corridas de aplicativos ou mototáxi.

    População mais pobre ficou desamparada pela promessa que Doutor Pessoa fez, mas não consegue cumprir; será maldade ou incompetência? (foto: reprodução)

    Um exemplo simples: alguém que tenha uma renda de um salário mínimo hoje (R$ 1.100,00) por mês sem carteira assinada. Isso significa uma renda diária de R$ 36,60. No sistema de transporte público, imagine que gastaria R$ 4,00 para ir e outros R$ 4,00 para voltar do trabalho. Ao final do mês, seriam quase 22% da renda gastos em transporte. Mas durante a greve que durou 36 dias -- e ameaça voltar --, essa pessoa teve que usar mototáxi. Do centro para a Zona Sul, o valor médio da corrida é de R$ 12,00. Com outros R$ 12,00 para voltar, a soma fica em R$ 24,00, o que significa que dois terços (66%) da renda do trabalhador virou gasto com transporte. Dos  R$ 1.100,00 , o trabalhador ficava com R$ 858,00, mas sem o transporte público funcionando, nesse exemplo, ficaria com apenas R$ 374,00.

    E o prefeito fazendo de conta que não é com ele. 

    NÃO CUMPRE O QUE FALA

    É, Pessoa não apenas desintegrou o sistema, mas também a pouca renda de quem já estava cambaleando financeiramente em consequência da pandemia.

    Com Pessoa, falar é fácil... difícil mesmo é fazê-lo cumprir (foto: Jailson Soares | PoliticaDInamica)

    Negociou o parcelamento de uma dívida de R$ 26 milhões da PMT com as empresas, prometeu pagar -- e não pagou -- R$ 1,5 milhão para que salários de motoristas e cobradores pudessem ser colocados em dia. Isso foi há 4 semanas e até o momento, tem trabalhador de barriga vazia esperando o prefeito honrar sua palavra.

    MORDAÇA NO TRABALHADOR

    Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Teresina (SETUT), o acordo pré-firmado verbalmente ainda não se realizou, pois Doutor Pessoa quer incluir no acordo uma imposição: a de que motoristas e cobradores não poderão mais fazer greve.

    A "Lei da mordaça", segundo alguns dos trabalhadores, seria um "passa-fogo" do prefeito para precarizar ainda mais a posição desses pais de família na mesa de negociações do setor.

    Pessoa não quer mais que trabalhadores sejam vistos protestando nas escadarias da Prefeitura; condição de "mordaça" a quem não recebe salários em dia beira a chantagem (foto: divulgação)

    Enquanto isso, nos bastidores da Prefeitura, fala-se numa municipalização do sistema, mas nunca é apresentado um estudo que justifique isso. Não há informações baseadas em dados que mostre que algo do tipo poderia melhorar o serviço para a população. Aliás, ali no Palácio da Cidade, já se fala bastante na construção de uma alternativa ao modelo atual de transporte público incluindo vans e micro-ônibus. 

    Coisa que se desenha com traços de esquema.

    E dos grandes.


    • R&G Feet
  • sexta, 02 de abril de 2021, às 11:08h

    Se Wellington Dias (PT) queria virar matéria nacional, desta vez ele conseguiu. Após um vídeo em que o petista critica redução no valor do auxílio emergencial -- agora serão apenas R$ 250 --, Jair Bolsonaro (sem partido) citou o governador do Piauí em sua live desta quinta-feira (1º). O presidente da República alegou que se um relatório do Banco Central aponta que Estados e Municípios têm dinheiro sobrando em caixa, Wellington deveria pegar esses recursos e complementar o auxílio emergencial até o valor de R$ 600 para todos os piauienses.

    Wellington Dias e Rafael Fonteles: qual é a matemática que faz dinheiro sobrar para obras do PROPiauí e faltar para o auxílio emergencial? (foto: Jailson Soares | PoliticaDinamica)

    "Wellington Dias, se tem matéria na imprensa que seu estado é superavitário, você poderia criar um complemento ao auxílio emergencial. Nós estamos dando R$ 250 você dá mais R$ 350 e chega nos R$ 600", disse o presidente, ressaltando o que seria uma incoerência de Wellington cobrar o Governo Federal e fazer vista grossa sobre a capacidade das gestões estaduais pagarem auxílios emergenciais também.

    Veja o vídeo:

    PIAUÍ NO NEGATIVO

    Na verdade existe um equívoco na fala de Bolsonaro. O superávit (dinheiro a mais em caixa do que o previsto para as despesas) que o presidente cita está registrado em um relatório do Banco Central, divulgado na última semana. De fato, Estados e Município, juntos, tiveram um superávit de mais de R$ 38 bilhões. Uma folga no caixa que, segundo especialistas, está diretamente relacionada aos recursos que o Governo Federal distribuiu em 2020 por conta da pandemia.  

    Porém, o Piauí, é um dos 7 estados que ficaram no vermelho. Literalmente, um saldo negativo. O governo de Wellington Dias ficou devendo R$ 1,2 bilhão.

    Três estados do Nordeste comandados pelo PT ficaram no negativo em 2020, apesar do auxílio do Governo Federal (imagem: Correio Braziliense)

    Em entrevista ao Correio Braziliense, concedida há 15 dias, o secretário de Fazenda do Piauí falou que a folga de caixa não é "sustentável" nem foi igual pra todo mundo. Falando em nome do Comitê Nacional de Secretários da Fazenda, Finanças, Receitas ou Tributação dos Estados e Distrito Federal (Comsefaz), Rafael Fonteles explicou que “estados terminaram o ano com uma situação fiscal um pouco melhor em função dos auxílios. Porém, alguns estados tiveram uma compensação superior à perda de arrecadação, outros, não. E há uma preocupação com os meses seguintes. O cenário futuro é diferente, pois esses auxílios acabaram e ninguém esperava uma segunda onda tão forte”.

    BRIGA BOA

    O presidente pode ter usado o exemplo errado, mas existe uma boa lógica para reflexão no que ele disse.

    Há algumas semanas, Rafael Fonteles anunciou um auxílio emergencial específico para trabalhadores do setor de eventos e alimentação, mas cheio de falhas que impedem o alcance geral.

    Está na hora de Wellington e Rafael explicarem como está sobrando dinheiro para o PROPIAUÍ -- programa de retomada econômica que tem sido o palanque eleitoral da sucessão de Wellington e propaganda de Fonteles --, mas está faltando para o auxílio urgente e imediato dos piauienses.



    • R&G Feet
  • quinta, 01 de abril de 2021, às 15:39h

    Para o bem do Piauí, Wellington Dias (PT) já deveria ter exonerado o atual secretário de Saúde, Florentino Neto (PT). Estaria seguindo o melhor exemplo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que despachou seu Ministro da Saúde por inoperância e incompetência. Agora, para o seu próprio bem, é bom não demorar. Segundo apurou o Política Dinâmica, foi de uma lambança de Florentino Neto que nasceu a história de que 50 mil doses de vacinas recebidas do Governo Federal haviam "sumido".

    Florentino: ineficiência da gestão da Saúde do Piauí é uma máquina de produzir matérias negativas para o governo (foto: Jailson Soares | PoliticaDinamica)

    Uma fonte do PD revelou que Florentino Neto queria pressionar as Prefeituras Municipais a acelerar o ritmo da vacinação. Um técnico sem compromissos políticos daria uma entrevista em qualquer lugar listando os municípios mais lentos, ofereceria ajuda e fiscalizaria com total transparência a questão.

    Mas Florentino, além de ineficiente, é (pré) candidato a deputado federal e puxar as orelhas de prefeitos não ajuda na campanha. Teve, então, a "brilhante" ideia de divulgar para jornalistas por uma via não oficial do governo estadual os números da imunização no Piauí, para que a pressão junto às prefeituras nascesse na imprensa, lembrando que o Governo do Estado recebe e distribui, mas quem aplica são as Prefeituras. A ênfase da informação teria sido exatamente nessa diferença entre distribuídas e aplicadas.

    E foi aí que o tiro saiu pela culatra. A lambança de Florentino desmanchou boa parte da imagem de liderança nacional que Wellington Dias construiu nos últimos meses exatamente em cima do discurso da vacinação. E fez até o Ministério Público Federal requisitar a instauração de um inquérito para apurar o "sumiço" dos imunizantes.

    VACINÔMETRO

    Só para constar, hoje (1º), segundo o Vacinômetro (Painel Covid-19 - Piauí) a diferença entre vacinas distribuídas e aplicadas já é de quase 100 mil doses. Teresina, que é a capital e que possui a maior rede de Saúde do Piauí, utilizou apenas 79% das 84 mil doses de vacinas que recebeu para aplicar como primeira dose. Isso significa que mais de 17 mil doses dessa primeira rodada ainda não foram aplicadas. Das 25 mil doses recebidas para serem aplicadas como segunda dose nos grupos prioritários, a gestão de Doutor Pessoa (MDB) ainda não usou ainda 60%. 

    Planilha atualizada com números de 31 de março de 2021 (imagem: reprodução)

    Mais: temos 9 municípios que ainda não conseguiram aplicar nem metade das vacinas recebidas para a primeira dose. Outras 97 prefeituras ainda não aplicaram em sua população -- ou não informaram a aplicação -- a metade das vacinas recebidas para a segunda dose. Estamos falando aqui de Municípios grandes, como União, Corrente, Miguel Alves e Pedro II.

    Nem coragem para gerir, nem habilidade para comunicar; se Assis Carvalho fosse vivo, já teria feito Wellington Dias demitir Florentino Neto há meses (foto: Jailson Soares | politicaDInamica)

    As doses são distribuídas com recibo, do Governo Federal para o Estadual, do Estadual para os Municipais. Logo, em tese, o Governo do Piauí estaria recebendo e distribuindo as vacinas em um ritmo mais rápido do que as prefeituras conseguem aplicar. Se vacinas ficam paradas ou são desviadas ou simplesmente nas vacinações não são informadas, o problema estaria localizado nas secretarias municipais.

    E Florentino além de não ajudar as prefeituras a acelerar a vacinação, conseguiu transformar uma pauta positiva da gestão de Wellington em péssimas manchetes nacionais.

    NÃO DÁ PRA MISTURAR

    Florentino Neto, secretário de Estado da Saúde do Piauí, é a prova de que misturar pandemia e campanha não dá certo. E que o serviços de saúde precisam, mais do que nunca, ser executados com eficiência e sem interferência política.

    Não é a Veja, nem a Istoé, nem a Época ou Crusoé, mas não se pode negar que a imagem de Wellington ficou muito associada à vacinação, inclusive nacionalmente; mas até nisso Florentino está atrapalhando (foto: reprodução)

    Se Wellington até aqui não demitiu Florentino nem pensou no bem coletivo que isso poderia representar, que o faça agora, pensando em si mesmo.

    Mas faça.

    Na prática, o resultado disso já seria bom para todo mundo.

    • R&G Feet
  • quinta, 01 de abril de 2021, às 14:13h

    "Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço". Essa frase pode ser utilizada em qualquer foto pública do governador Wellington Dias (PT). Sendo o principal nome dentre os governadores do Brasil na cobrança por mais recursos para os Estados na pandemia, o petista está deixando de informar como o dinheiro recebido pelo Piauí foi gasto no combate ao coronavírus. E agora está sendo cobrado pela Procuradoria-Geral da União.

    Cadê o dinheiro? Estados bem maiores que o Piauí já prestaram informações sobre uso de recursos federais no combate à pandemia (foto: Jailson Soares | politicaDinamica.com)

    A PGR solicitou oficialmente informações a todos os governadores do Brasil informações sobre a utilização dos recursos já encaminhados pelo Governo Federal. Todos os 27 governadores tem a obrigação de dar essas explicações -- não apenas ao Ministério Público, mas à sociedade! --, mas Wellington Dias está na lista dos 9 governadores que ainda não entregaram seus relatórios. Aliás, no nordeste, apenas governadores do PT (Camilo Santana, do Ceará, e Fátima Bezerra, do Rio Grande do Norte) não deram as informações.

    A solicitação de informações foi enviada no último dia 12 de março e tinha prazo de uma semana. São Paulo, que é o maior Estado do Brasil, mandou as informações. A Bahia, o maior Estado do Nordeste, mandou as informações. Mas a gestão de Wellington Dias falhou nessa responsabilidade.

    A PGR quer saber quantos hospitais foram instalados em cada local, quantos foram construídos, se funcionaram ou não e a quantidade de leitos ativos neste momento. Porém, o que parece estar preocupando os governadores que estão inadimplentes com o envio das informações é o relatório sobre o fechamento desses hospitais de campanha e o registro de destinação dos insumos e equipamentos adquiridos para o funcionamento dos leitos temporários.

    É provável que, em breve, haja algum governador -- ou alguns deles -- sendo investigados se houver indícios de irregularidades.

    Quem souber pra onde foi -- e como foi -- o dinheiro, avise!


    • R&G Feet


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