Coluna Marcos Melo Política Dinâmica
TOPIQUE: O ESQUELETO NO ARMÁRIO

LOBISTA NO CONGRESSO, CHEFE NA FUNDAC, PRESO NA ZELOTES E DELATOR NA TOPIQUE; HALYSSON CARVALHO VOLTOU PARA ASSOMBRAR REJANE E WELLINGTON

15/10/2020 13:58 - Atualizado em 15/10/2020 13:58

O delator: Halysson era nome respeitado pela proximidade e influência junto a Wellington Dias e Rejane Dias no início do terceiro mandato do petista como governador do Piauí (foto: PoliticaDinamica.com)

O ano é 2015 e na euforia da ocupação do novo governo de Wellington Dias (PT) de repente um nome começou a chamar atenção. Halysson Carvalho Silva estava mandando na Fundação Cultural do Piauí

13 de março de 2015: Halysson ficou na primeira fila junto com os secretários Helder Jacobina (SEDUC) e Mauro Eduardo (SEID) e ao lado de Rejane e Wellington Dias durante as comemorações dos 192 anos da Batalha do Jenipapo, em Campo Maior (foto: PoliticaDinamica.com)

Ninguém sabia ao certo de onde veio a indicação, mas o fato é que ele foi nomeado por Wellington Dias como diretor da Unidade Financeira da Fundac e chegou a acumular por várias semanas a interinidade da presidência do órgão.

Halysson tinha fama de bem ser bem relacionado em Brasília desde os tempos da gestão do ex-presidente Lula, do PT (foto: redes sociais)

Ele colaborou com a Polícia Federal para desmantelar o esquema de desvio de recursos federais do transporte escolar dentro da Secretaria de Estado da Educação. Sim, a denúncia do Ministério Público Federal que acusa o ex-secretário Helder Jacobina e Pauliana Amorim de cometerem os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro também revela: Halysson delatou o roubo na SEDUC

O esqueleto saiu do armário espontaneamente.

FORÇA E LIGAÇÕES

Vale relembrar: a FUNDAC era um órgão subordinado à Secretaria de Estado da Educação. Halysson mandava e desmandava sem contestação, afinal, era, nos bastidores, tido como pessoa próxima tanto do governador quanto da primeira-dama Rejane Dias. Nomeou servidores, designou funções, redistribuiu pessoal, ordenou despesas.

Halysson circulava com desenvoltura pelos mais diversos setores da SEDUC, principalmente onde despachavam os investigados pela Operação Topique; na foto de 2015, conversa com Francis Lopes (Fundac) e o ainda major Ronald Moura (UNAD/SEDUC) (foto: PoliticaDInamica.com)

Era tão forte nos bastidores que não saiu da cadeira nem quando a FUNDAC foi oferecida ao suplente de deputado estadual Francis Lopes (à época no PRP). Foi assunto das editorias de política na TV e nos portais durante semanas. Halysson só sairia dali quando o próprio PT passou a tomar conta da pasta que iria se tornar a atual Secretaria de Estado da Cultura, tendo o deputado estadual Fábio Novo (PT) no comando.

Em certo momento, chegou a ser constrangedor até para o governador Wellington Dias, como é possível notar nessa entrevista que fizemos em junho de 2015. Veja!

DELAÇÃO

Halysson foi preso em outubro de 2015 na Operação Zelotes, por conta do esquema de corrupção montado por lobistas para aprovar medidas provisórias com benefícios fiscais em prol da indústria automotiva no fim do governo Lula. Foi condenado em marco de 2016: seriam 4 anos e três meses em regime semiaberto. Talvez por isso já soubesse de uma coisa que Helder Jacobina, Ronald Moura e Pauliana Amorim talvez ainda não tenham entendido: quem delata primeiro, tem mais vantagem diante da Justiça.

No início de 2018, antes da primeira fase da Operação Topique ser deflagrada, Halysson procurou a Polícia Federal para falar sobre esquemas de corrupção dentro da SEDUC e entregou seu celular. No aparelho, conversas datadas de 2014, ano da eleição de Wellington Dias. As mensagens foram trocadas entre ele e o advogado Helder Jacobina, que viria a ocupar interinamente a função de secretário de Educação até que a deputada federal Rejane Dias assumisse o posto de maneira definitiva.O esquema de desvio de recursos do transporte escolar começou antes mesmo do governo de Wellington Dias ter iniciado oficialmente (imagem: Trecho da denúncia do MPF)Os diálogos revelam que o esquema de desvio de recursos do transporte escolar já era premeditado e que Luiz Carlos Magno Silva, chefe do braço privado da organização criminosa, tinha influência suficiente para discutir uma indicação que, em tese, caberia ao governador Wellington Dias: quem seria o secretário antes de Rejane, sua esposa, num dos mais relevantes cargos do primeiro escalão do governo.

Para alguém que Wellington Dias e Rejane Dias supostamente não conheciam, até que Halysson Carvalho se “mexeu” bem dentro do governo.

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