COVIDÃO: CÚPULA DA SESAPI TODA INVESTIGADA

SECRETÁRIO E DIRETORES ESTÃO SENDO INVESTIGADOS; SUPERFATURAMENTO EM ALGUNS CASOS PODE TER CHEGADO ATÉ 192% DE LUCRO BRUTO PARA EMPRESAS

Marcos Melo Marcos Melo
13/01/2021 11:04 - Atualizado em 13/01/2021 12:05

A Polícia Federal ainda acha cedo para falar em propina. Mas não descarta que servidores da Secretaria de Saúde do Piauí tenham recebido vantagens indevidas para participar do esquema que supostamente direcionou contratos, superfaturou compras e soma mais de R$ 33,72 milhões de reais em pagamentos com recursos federais em apenas três deles.

De todo modo, a investigação da PF que deu origem à Operação Campanile – deflagrada nesta terça-feira (12) – já tem uma certeza: os agentes públicos procuraram as empresas suspeitas, e não o contrário, como costuma divulgar o Governo do Estado do Piauí em casos assim.

Cúpula da Sesapi na mira da PF: Alderico e Florentino investigados (foto: Ascom Governo do Estado)

Não parece ter sido ao acaso que a Polícia Federal visitou endereços residenciais do secretário Florentino Neto (PT) em Teresina e em Parnaíba, nem do superintendente de Gestão de Rede de Média e Alta Complexidade da Secretaria Estadual de Saúde, médico Alderico Tavares, também na capital e na localidade Caiçara, parte baixa da cidade de Joca Marques. Outros endereços de diretores e coordenadores da SESAPI também foram visitados.

Durante a coletiva de imprensa da Polícia Federal, a delegada Milena Calland deu a entender que a investigação é bastante grande. “(...) os crimes investigados são fraudes, fraude a licitação e de elevação de valores para... em prejuízo do Estado, e associação criminosa ou organização criminosa, falsidade ideológica, crimes relacionados a emissão de notas fiscais frias”, comentou a delegada.

Sem citar nomes, também apontou que “...os investigados, eles atuavam em diretorias e em comissões. Na Comissão de Licitação, na Diretoria de Gestão, havia uma diretoria que fazia a destinação dos itens de medicamentos e equipamentos hospitalares (...) são diretorias... a diretoria que geria o Fundo Estadual de Saúde (...) são setores da SESAPI que manipulavam volumes consistentes e que estavam relacionados a estes contratos”.

A esposa de Alderico, deputada estadual Janainna Marques (PTB), entregou ao marido no final de 2020 uma homenagem de "herói da Saúde", na Assembleia Legislativa (foto: ASCOM ALEPI)

O lucro bruto das empresas envolvidas no suposto esquema pode ter chegado a 192% em alguns casos. Para adquirir camas hospitalares do tipo Fawler, por exemplo, a SESAPI pagou R$ 2.700,00, mas o mesmo item havia sido comprado pela empresa por R$ 1.123,00. Macas que entraram na empresa contratada por R$ 638 foram repassadas à SESAPI por R$ 1.474 a unidade. O próprio Alderico Tavares, numa reportagem publicada no Portal do Governo do Estado em agosto de 2020, fala sobre a aquisição das camas. Clique aqui para ler!

Quando o superfaturamento acontece em compras feitas por dispensa de licitação, é melhor que ganhar na loteria. Afinal, você nem precisa contar com a sorte. Precisa apenas ter o “amigo” certo dentro do governo.

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