Coluna Gustavo Almeida Política Dinâmica
SEM TRANSPORTE ESCOLAR, ALUNOS DEIXAM DE IR À ESCOLA NO PIAUÍ

ALUNOS DA REDE ESTADUAL ESTÃO SEM TRANSPORTE DESDE O FIM DO PRIMEIRO SEMESTRE E PAIS CLAMAM POR PROVIDÊNCIAS DO GOVERNO

18/09/2017 17:38 - Atualizado em 18/09/2017 19:58

Escola do povoado Salgado, o maior do município, é uma das mais afetadas com a suspensão do serviço desde o 1º semestre (Foto: PoliticaDinamica.com)

Centenas de estudantes da rede estadual estão sem transporte escolar desde a primeira quinzena de junho no município de Dom Inocêncio, a 615 km de Teresina. Após o retorno das aulas no segundo semestre, os carros que faziam o transporte dos alunos da zona rural pararam de rodar e os pais estão sendo obrigados a tirar dinheiro do próprio bolso para manter os filhos estudando. Quem não pode, vê os jovens deixarem de ir à escola.

O transporte da maior parte dos estudantes da rede estadual era feito por ônibus mantidos pela prefeitura, através de uma pactuação com a Secretaria de Estado da Educação (Seduc). Mas desde junho a parceria deixou de ser executada e os alunos ficaram sem transporte. Com a falta de solução entre prefeitura e Estado, alguns alunos pararam de frequentar as escolas.

A falta do transporte atinge localidades onde funcionam anexos escolares com ensino médio e ainda os alunos que se deslocam para estudar na zona urbana. O município de Dom Inocêncio possui uma das maiores extensões territoriais do Piauí e devido à ausência do transporte escolar do Estado, os estudantes que podem optam por percorrer as estradas de chão em motocicletas para poderem chegar até a escola.

Seduc, comandada por Rejane, deixou alunos sem transporte escolar no município de Dom Inocêncio, no Sul do Piauí (Foto: Gustavo Almeida/PoliticaDinamica.com)

A pescadora Aldenora dos Santos Sousa, moradora da localidade Moreira, conta que a filha de 18 anos parou de ir à escola desde quando as aulas retornaram no segundo semestre. Sem ter como percorrer 24 km até o povoado Salgado, onde fica a escola, a menina deixou de assistir as aulas no 3º ano do ensino médio. As turmas de ensino médio mantidas pela rede estadual nas localidades rurais em Dom Inocêncio funcionam no turno da noite.

“Minha filha não está indo para a escola porque o transporte parou de rodar desde a primeira quinzena do semestre. Considero que ela já perdeu o ano letivo. É lamentável. É a única coisa que podemos oferecer aos nossos filhos, mas infelizmente não está sendo possível, pois não tenho condições de manter minha filha em outro lugar para estudar”, disse a pescadora.

Comunidades rurais são as mais afetadas pelo problema (Foto: PoliticaDinamica.com)

O descaso do governo estadual com os estudantes da zona rural também tem sido denunciado por parlamentares da oposição na Câmara Municipal de Dom Inocêncio. De acordo com o vereador Ângelo Oliveira (PMDB), a suspensão do transporte atinge alunos de dezenas de localidades que são transportados para as escolas situadas nos povoados Lagoa dos Currais, Salgado, Ladeira, Cansanção e para a zona urbana.

“Eu quero fazer um apelo ao senhor governador e a secretária de Educação para que tomem providências sobre o município de Dom Inocêncio. Os pais estão desesperados e querendo uma explicação, pois seus filhos estão sendo prejudicados e correm o risco de perder o ano letivo. Uma das únicas coisas que um pai do interior pode dar um filho é a educação e eles estão perdendo esse direito”, desabafou o parlamentar.

PREFEITURA CULPA O ESTADO
O secretário de Educação de Dom Inocêncio, Janilson da Costa Dias, disse ao Política Dinâmica que a prefeitura não tem condições financeiras de manter a parceria com o Estado e por isso a atual gestão não continuou. Segundo ele, o município possui oito ônibus escolares, sendo que dois não estão em condições de circular e os seis que estão rodando já passaram por manutenção após a nova gestão ter assumido. 

O gestor conta que recebeu a frota de ônibus bastante danificada da antiga gestão municipal e que a prefeitura gastou bastante para consertar o máximo de veículos possível. Com estradas de chão e longas distâncias, o município alega altos custos com a manutenção dos carros.

Sem transporte, quem pode percorre estradas de chão em motos para ir à escola; na foto a estrada para o povoado Lagoa dos Currais (Foto: Gustavo Almeida/PoliticaDinamica)

Janilson afirmou que a responsabilidade pelo transporte da rede estadual é da Seduc e que a parceria não compensa para a prefeitura. “O repasse do Estado não compensava muito, então nós achamos melhor não fazer essa parceria. A responsabilidade desse transporte é do Estado. Tem pessoas que responsabilizam muito o município, mas na verdade a responsabilidade é do Estado. É ele que tem que arcar com esse serviço”, disse o secretário destacando que na atual gestão nunca houve a pactuação com o Estado.

ESTADO CULPA A PREFEITURA
Por meio de nota enviada ao Política Dinâmica, a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) informou que o transporte escolar de Dom Inocêncio era de responsabilidade da prefeitura do município, que rompeu o convênio com o governo ainda no primeiro semestre deste ano, deixando os estudantes sem transporte.

Segundo a secretaria, para que uma empresa que faz o transporte possa assumir as rotas e transportar os alunos, a Seduc fez um termo aditivo ao contrato, que está em análise na Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz). A nota diz que tão logo seja autorizado o aditivo, o transporte dos estudantes será retomado em Dom Inocêncio.

Prefeita Virgínia (PP) e governador Wellington Dias (PT) são aliados, mas deixaram alunos sem transporte escolar (Foto: Gustavo Almeida/PoliticaDinamica.com)

ALIADOS
A falta de entendimento entre prefeitura e Estado causa estranheza. A atual prefeita de Dom Inocêncio, Maria das Virgens Dias, a Virgínia (PP), teve amplo apoio do governador Wellington Dias (PT) nas eleições de 2016. A secretária de Educação e primeira-dama do Estado, Rejane Dias, tem apoio político do vice-prefeito, que é do PT. Mesmo com o alinhamento, os gestores não se entendem e enquanto isso centenas de estudantes estão sofrendo com a falta de transporte escolar e deixando de assistir as aulas.

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