Coluna Gustavo Almeida Política Dinâmica
O VOTO DE FLÁVIO NOGUEIRA A FAVOR DA REFORMA

PARLAMENTAR FEDERAL DIVERGIU DA ORIENTAÇÃO PARTIDÁRIA E, ALEGANDO TER ESTUDADO A PROPOSTA DA REFORMA, VOTOU PELA APROVAÇÃO DA PEC

11/07/2019 21:41 - Atualizado em 11/07/2019 21:53

Flávio Nogueira votou a favor da reforma (Foto: Jailson Soares/PoliticaDinamica.com)

Dos 10 deputados federais do Piauí, oito votaram a favor da reforma da Previdência, aprovada em primeiro turno na madrugada desta quinta-feira (11) na Câmara dos Deputados. Entre os oito favoráveis está Flávio Nogueira (PDT). O parlamentar, divergindo da orientação partidária, foi um dos 379 deputados federais do país que, ao todo, votaram pela aprovação.

O voto de Nogueira surpreendeu muita gente pelo fato dele ser do PDT, partido de oposição ao presidente Jair Bolsonaro e alinhado com pensamentos de esquerda. O piauiense, no entanto, não foi o único pedetista que divergiu do comando do partido na votação da reforma. Além dele, outros sete deputados federais da legenda votaram pela aprovação.

Apesar da surpresa para alguns, Flávio Nogueira já havia sinalizado que votaria a favor da reforma, desde que alguns pontos da proposta original enviada ao Congresso pelo Palácio do Planalto fossem revistos, o que, de fato, aconteceu. O próprio Flávio, inclusive, propôs alterações no texto e teve uma emenda acolhida de forma integral pelo relator da reforma.

Logo, votar contra seria se posicionar contrário à própria sugestão de aprimoramento apresentada por ele e aprovada nos debates nas comissões. Além disso, Nogueira discordava de partes da reforma que prejudicavam trabalhadores rurais e que atingiam o Benefício de Prestação Continuada (BPC), situações que foram revistas durante as discussões na Câmara.

Na visão do parlamentar, não se pode cravar posição contrária a uma determinada proposta só pelo fato de ser oposição, sem ao menos estudá-la, debatê-la e, principalmente, sugerir mudanças no intuito de aprimorá-la. Em suas entrevistas, Nogueira sempre destacou que não concordava inteiramente com o texto original, mas que cabia ao Parlamento debater.

O impasse sobre o fato de divergir da orientação partidária pode ser encarado sob diversas óticas. Embora partidos tenham programas [pelo menos seria o natural ter], cobrar que cada membro, eleito pelo povo, em diferentes regiões, siga o que manda um líder maior, atinge a independência. Ao parlamentar, cabe a função de propor, debater, discutir, estudar matérias e, após isso, tomar decisões. Obviamente, levando em conta também quem o elegeu.

A situação de Flávio é vivida também por outros políticos, inclusive do Piauí, como é o caso de Átila Lira, que, sendo do PSB, divergiu da orientação partidária e votou pela aprovação da reforma. No caso de Flávio Nogueira, ele não esconde a simpatia e satisfação pelos debates e discussões nas comissões técnicas da Câmara e entende que as matérias precisam ser, antes de tudo, estudadas e discutidas, independentemente de fatores partidários.

O voto de Nogueira pode até não agradar cada um dos 111.672 eleitores que votaram nele, o que é normal, mas não se deu cegamente por mera questão partidária, como aparentam terem sido alguns. Embora estejam filiados, os que divergiram [para sim ou para não] mostraram que, além de partido, têm suas convicções. No parlamento se debate e apresenta propostas. No caso da Previdência, não se pode dizer que Flávio Nogueira não fez isso.

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