Coluna Gustavo Almeida Política Dinâmica
ANDRADE GUTIERREZ SUSPENDE OBRA NO PIAUÍ

EM ACORDO COM O GRUPO EQUATORIAL ENERGIA, EMPREITEIRA DECIDE PARALISAR TEMPORARIAMENTE CONSTRUÇÃO DE LINHA DE TRANSMISSÃO

29/05/2020 18:02 - Atualizado em 29/05/2020 18:29

Andrade Gutierrez decide suspender obra no Piauí (Foto: Reprodução/Equatorial)

Após a repercussão negativa sobre a atuação da empresa Andrade Gutierrez em plena pandemia do novo coronavírus em cidades do Sul do Piauí e da Bahia, a empreiteira decidiu paralisar temporariamente a obra de construção de uma linha de transmissão. A empresa vinha sendo duramente criticada por moradores dos municípios depois que os casos de Covid-19 aumentaram exponencialmente, principalmente entre trabalhadores da obra.

Na última quarta-feira (27), reportagem do Política Dinâmica abordou a situação preocupante nos municípios piauienses de Dirceu Arcoverde, Dom Inocêncio e Lagoa do Barro do Piauí. Os três abrigam canteiros de obra da Andrade Gutierrez e passaram a registrar casos da doença após a empresa ter retomado os trabalhos na região em abril.

A linha de transmissão pertence ao Grupo Equatorial Energia e a construção é executada pela Andrade Gutierrez. O trecho Linhão BA-PI vai de Buritirama (BA) a Queimada Nova (PI) e atravessa 17 municípios ao longo de 859 quilômetros de extensão nos estados da Bahia e Piauí. Conforme cronograma inicial de execução, o projeto deveria ser concluído em junho.

Linha de Transmissão passa por cidades do Piauí (Foto: Reprodução/Equatorial)

Na nota divulgada nesta sexta-feira (29), a Andrade Gutierrez diz que a paralisação da obra será, inicialmente, por 15 dias. A paralisação das atividades ocorrerá nos canteiros das cidades de Buritirama (BA), Campo Alegre de Lourdes (BA), Pilão Arcado (BA), Dirceu Arcoverde (PI), Dom Inocêncio (PI) e Lagoa do Barro (PI).

A empresa ainda justifica a paralisação como medida de segurança contra atos violentos que ocorreram em um dos seus alojamentos. O caso aconteceu em Campo Alegre de Lourdes, cidade do Norte da Bahia que fica na divisa com o Piauí. No local, moradores atearam fogo em alojamento da empresa revoltados com o aumento dos casos do novo coronavírus provocado pelo andamento da obra no período de pandemia.

Confira a nota na íntegra.

“Diante da preocupação popular demonstrada em regiões contempladas pelas obras de linhas de transmissão do consórcio Linhão BA-PI, a Andrade Gutierrez e o consórcio responsável receberam autorização do Grupo Equatorial (cliente do projeto) para paralisar as atividades temporariamente a partir de hoje (29). Apesar de o empreendimento ter aprovação das autoridades de saúde para funcionamento e também respaldo legal, a construtora e o consórcio vêm conversando com as respectivas prefeituras e com o cliente ao longo da semana. A paralisação das atividades ocorrerá nos canteiros das cidades de Buritirama (BA), Campo Alegre de Lourdes (BA), Pilão Arcado (BA), Dirceu Arcoverde (PI), Dom Inocêncio (PI) e Lagoa do Barro (PI).

Inicialmente, a paralisação será de 15 dias, a contar da data de hoje, com desmobilização dos funcionários por 30 dias. Todos os que testaram negativo para a doença serão acompanhados pelo consórcio para suas cidades de origem e estão sendo orientados a cumprirem isolamento em suas residências, de forma preventiva. Já os funcionários que apresentaram diagnóstico positivo para a Covid-19 vão seguir cumprindo quarentena com atenção médica nos alojamentos do consórcio. A construtora e o consórcio ressaltam que o isolamento não coloca em risco a população local, uma vez que as instalações têm amplo espaço e todos os cuidados estão sendo adotados.

Cabe destacar que as prefeituras se mostraram abertas a dialogar sobre a questão e explicaram seus anseios à construtora e ao consórcio. Além disso, a medida também foi tomada visando a integridade física dos colaboradores, uma vez que populares usaram de violência nos últimos protestos, inclusive com uso de armas. A Andrade Gutierrez e o consórcio lamentam a postura violenta de populares que em nada contribui para a resolução de um problema de saúde pública e lembram que seus funcionários são um extrato da sociedade, estão exercendo suas profissões e trabalhando pelo país, portanto merecem respeito e acolhimento de todos. Por fim, a empresa e o consórcio reforçam que suas obras seguem todos os padrões de higiene e segurança, com realização de triagem diária de saúde das equipes, adequação dos ambientes de trabalho e ampla comunicação preventiva”.

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