O MUNDO DÁ VOLTAS: PADRE WALMIR EMBARGA OBRAS DO ESTADO EM PICOS

PREFEITO CONSIDERA ESTRANHO QUE GESTÃO DE WELLINGTON DIAS COMECE A ESPALHAR CALÇAMENTO PELA CIDADE NO PERÍODO ELEITORAL

Gustavo Almeida Gustavo Almeida
29/10/2020 18:07 - Atualizado em 29/10/2020 18:45

Padre Walmir Lima, prefeito de Picos (Foto: Jailson Soares/PoliticaDinamica.com)

A eleição municipal em Picos, a 306 km de Teresina, foi a mais tumultuada do interior do Piauí em 2016. O motivo foi a “força-tarefa” do Governo do Estado para reeleger o prefeito Padre Walmir (PT). A cidade recebeu uma enxurrada de obras nos últimos dias da campanha eleitoral e Walmir acabou reeleito numa disputa acirrada com Gil Paraibano (Progressistas).

Na época, o episódio irritou o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas. Ele chegou a afirmar que a gestão do governador Wellington Dias (PT) cometeu um estelionato eleitoral em Picos para mudar o resultado da eleição municipal e reeleger Padre Walmir. Por conta disso, Ciro e Walmir passaram os últimos quatro anos como gato e rato. 

Mas o mundo dá muitas voltas. Walmir agora se diz traído pelo PT, não apoia o candidato petista Araujinho para prefeito de Picos e vai votar em Gil Paraibano, seu rival de 2016. Recentemente, o senador Ciro mudou o tom contra o padre e disse que “não se dispensa voto de ninguém.”

Isso já seria suficiente para chamar atenção, mas a política é dinâmica e surpreende quando menos se espera. Na quarta-feira (28), Walmir mandou embargar obras de pavimentação que o governo de Wellington começou fazer em Picos agora no período eleitoral. O padre acusa a gestão estadual de colocar máquinas e iniciar obras sem alvarás e certidões do município.

Walmir diz achar muito estranho que o governo não tenha feito as obras de calçamento antes e que somente agora começa a espalhar pavimentação de ruas pela cidade. 

“De repente aparecem umas empresas ligadas a não sei quem, nesse período agora em estado de emergência, simplesmente colocando as máquinas nas ruas, botando pedra para calçamento em tudo o quanto é lado da cidade, sem tirar os documentos necessários, sem tirar as certidões, alvarás com o município. E a gente não pode irresponsavelmente deixar as coisas acontecerem dessa forma”, disse o padre em vídeo publicado no Instagram.

Ordem de embargo expedida pela prefeitura de Picos (Foto: Divulgação/Prefeitura)

O padre destacou que não está impedindo que o Governo do Estado faça obras em Picos, mas apenas exigindo que tudo seja feito dentro da legalidade. “Não estamos proibindo as obras virem para Picos. Nós queremos sim, Governo do Estado, que as obras venham. Sempre pedimos isso porque queremos que as coisas sejam respeitadas, combinadas. Nesse período agora fazem de um jeito e amanhã as consequências vão ficar para o gestor atual”, falou.

A Secretaria de Meio Ambiente de Picos alega que é necessária uma licença ambiental para que haja a intervenção no município. A licença pode ser da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Semar) ou da Secretaria Municipal do Meio Ambiente. Segundo a prefeitura de Picos, a licença foi um dos documentos que a empresa responsável pela pavimentação não apresentou.

Esse é o mundo que dá voltas. A prática adotada este ano é exatamente a mesma que foi decisiva para reeleger Walmir em 2016. Embora não seja candidato, mas pelo fato de hoje votar no adversário do Governo, pode-se dizer que Walmir está provando do próprio veneno.

Até a manhã desta quinta-feira (29), o Governo do Estado informou que não tinha sido notificado de nenhuma ordem ou pedido para suspender as obras na cidade de Picos.

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