JUIZ ABSOLVE TEMER E DIZ QUE MPF ADULTEROU DIÁLOGOS

EX-PRESIDENTE DA REPÚBLICA ERA ACUSADO DE OBSTRUÇÃO DE JUSTIÇA APÓS TER SIDO GRAVADO PELO EMPRESÁRIO JOESLEY BATISTA EM 2017

17/10/2019 07:36 - Atualizado em 17/10/2019 08:33

Temer sofria acusação após ter sido gravado por Joesley (Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)

O juiz Marcos Vinícius Reis Bastos, da 12ª Vara Federal do Distrito Federal, absolveu nesta quarta-feira (16) o ex-presidente Michel Temer (MDB) da acusação por crime de obstrução de Justiça. O processo é relacionado a uma conversa com o empresário Joesley Batista, da JBS. 

A ação contra o emedebista, no âmbito da Lava Jato, foi arquivada. A sentença sinaliza a absolvição de Joesley Batista e Ricardo Saud, ambos da JBS e denunciados pelo mesmo crime.

Na decisão (veja a íntegra), o juiz considerou que não houve crime no diálogo e que, no conteúdo da conversa, não havia nada semelhante ao que o então procurador-geral da República Rodrigo Janot divulgou à imprensa em 17 de maio de 2017, que demonstrava que o então presidente teria estimulado a compra do silêncio do doleiro Lúcio Funaro.

A conversa foi gravada por Joesley Batista. No diálogo, o executivo relatava pagamentos ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e também a Funaro, conhecido operador do mercado. O dinheiro do empresário seria para mantê-los em silêncio. Temer teria dito em seguida: "Tem que manter isso, viu?".

Reis Bastos disse que o Ministério Público Federal editou a transcrição do diálogo e adulterou o seu sentido ao divulgá-lo. "Tenho que a prova sobre a qual se fia a acusação é frágil e não suporta sequer o peso da justa causa para a inauguração da instrução criminal", afirmou.

"O diálogo quase monossilábico entre ambos evidencia, quando muito, bravata do então presidente, muito distante da conduta dolosa de impedir ou embaraçar concretamente investigação de infração penal que envolva organização criminosa", completou.

Segundo o juiz, a perícia no áudio registrou 76 vezes o termo ininteligível e outras 76 vezes o termo "descontinuidade". Ele ainda comparou a transcrição do diálogo feita no laudo pericial com a edição feita por Janot. "Por sua vez, a denúncia transcreve o mesmo trecho do áudio sem considerar interrupções e ruídos, consignando termos diversos na conversa, dando interpretação própria à fala dos interlocutores".

Fonte: Poder 360

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