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JEOVÁ PRESENTEIA ENZO

VEREADORES DE TERESINA APROVAM PROJETO PARA ANTECIPAR ELEIÇÃO DE PRESIDENTE DA CÂMARA E JÁ TÊM CONSENSO POR ENZO SAMUEL

14/06/2022 12:31

Em uma manobra política, os vereadores de Teresina aprovaram nesta terça-feira (13) um requerimento para antecipação da eleição para compor a Mesa Diretora da Câmara Municipal da capital. A votação que deveria ocorrer somente no fim do ano ou início de 2023, foi antecipada sob a justificativa que haveria prejuízos ao trabalho legislativo na Casa por conta da proximidade do período eleitoral de 2022 que se finda em outubro.

Jeová Alencar espera sair da presidência da Câmara no fim de 2022, mas já deixar o substituto eleito para o biênio 2023-2024 (foto: Jailson Soares / PD)

O requerimento foi apresentado pelo vereador Deolindo Moura (PT) e aprovado por 27 dos 29 parlamentares, com duas abstenções, do vereador Dudu (PT) e Ismael Silva (PSD). O atual presidente da Câmara, vereador Jeová Alencar (Republicanos), deve deixar a função no fim do ano. Jeová já foi eleito por três vezes presidente daquela casa, sendo a última para o biênio 2021-2022.

Como agora é pré-candidato à deputado estadual, Jeová Alencar acredita que vai sair vitorioso da empreitada e deixará o mandato de vereador no fim do ano para tomar posse na Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi). Porém, antes disso, o vereador quer garantir seu domínio na Câmara de Vereadores deixando um parlamentar da sua base a frente do legislativo municipal. O escolhido é o vereador Enzo Samuel que deixou há pouco a liderança do prefeito, talvez, já de olho na presidência para o biênio 2023-2024.

ENZO PRESIDENTE
Ficar afastado da Prefeitura de Teresina parece não ser bom negócio para os gestores da capital. Quem não lembra quando em 2017, o então prefeito Firmino Filho viajou para o exterior e ao voltar, já encontrou tudo remexido no legislativo municipal, num jogo político do presidente Jeová Alencar, que se reelegeu presidente para o biênio 2019-2020, com uma eleição antecipada.

Expectativa é que Enzo seja chapa única para presidência da Câmara (foto: Jailson Soares / PD)

Dessa vez, quem não terá tempo para interferir no Legislativo será o prefeito Doutor Pessoa (Republicanos). Em mais uma manobra política, o pleito para escolha da Mesa Diretora da Câmara foi aprovado pelos parlamentares para ocorrer nesta quarta-feira (15/06/2022), sete meses antes do previsto.

A maioria dos vereadores já tem até um nome de consenso, capaz de aglutinar a maior parte dos votos dos colegas. O escolhido é Enzo Samuel (PDT) que deixou recentemente a liderança do prefeito na Câmara, um mês após assumir a função. Quase unanimidade entre os colegas, Enzo tem ainda o “apadrinhamento” do atual presidente da Câmara, Jeová Alencar, que o quer no seu lugar ao deixar o poder legislativo municipal.

ANTECIPAR, VIROU MODA
Vale lembrar que em 2017, o vereador Dudu (PT) foi quem apresentou o requerimento para eleições da Mesa Diretora da Câmara um ano antes do previsto. Na ocasião, Jeová foi reeleito para seu segundo mandato como presidente. O fato gerou o descontentamento do então prefeito Firmino Filho (PSDB), que estava em viagem ao exterior e não tinha dado como certo o apoio reeleição de Jeová. O fato gerou um racha do grupo de vereadores ligados ao então prefeito tucano na época.

Em 2017, Jeová Alencar aproveitou viagem do prefeito Firmino Filho para arquitetar sua reeleição na Câmara (foto: Jailson Soares / PD)

PRÓPRIO REMÉDIO
Relator do projeto para antecipação da eleição da Mesa em 2017, o vereador Dudu (PT), agora, parece não ter gostado de provar do próprio remédio em 2020. Presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, Dudu se absteve da votação desse novo projeto que quer a antecipação do pleito de 2023 para 2022.    

Vereador Dudu se absteve da votação e disse que vai avaliar legalidade do projeto que antecipa eleição (foto: Jailson Soares / PD)

Só voto sabendo o que tá acontecendo. Ouvi e pedi a releitura pelo relator Deolindo. Quero analisar o projeto, não podemos antecipar uma eleição só por ter eleições presidenciais e estaduais que, naturalmente, acontecem de quatro em quatro anos. Uma coisa é votar por interferência do executivo, outra coisa é um fato natural. Nós queremos que essa eleição ocorra de acordo com a lei orgânica desta casa, seguindo os tramites. Acima da autonomia tem a leis que precisam obedecer. Preciso analisar pra saber se essa alegação [das eleições] é suficiente para não tornar esse processo ilegal”, explicou Dudu.

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