FIM DA ERA FÁBIO ABREU NA SEGURANÇA

DEPOIS DE SEIS ANOS, ACABOU PARA ELE: WELLINGTON DIZ A FÁBIO ABREU QUE ELE NÃO VOLTA PARA A SEGURANÇA, MAS QUE PODE DIZER QUE RECUSOU O CONVITE

Marcos Melo Marcos Melo
17/03/2021 17:16 - Atualizado em 17/03/2021 17:33

É o fim de um ciclo. Foram 6 anos de Fábio Abreu (PL) mandando da Segurança Pública do Piauí. Foram 6 anos de resultados questionáveis, de um aumento na sensação de insegurança e de facções criminosas nacionais se instalando no Piauí. Foram 6 anos que o governador Wellington Dias (PT) não quer levar para 2022. Na última sexta-feira (12), Abreu foi comunicado que não voltará a ser secretário.

O Política Dinâmica já havia adiantado o fato no início do mês de fevereiro, quando o governador Wellington Dias fez questão de entregar 246 viaturas alugadas para a Segurança do Piauí sem a presença de Fábio Abreu.

Um político tradicional sem uma secretaria pra chamar de sua: futuro de Fábio Abreu se complica para 2022 (foto: Marcos Melo | politicaDinamica.com)

Lá em 2014, quando Fábio foi eleito a primeira vez com 80 mil votos, ele era uma escolha óbvia para o cargo: colocar alguém popular num setor que desgasta e, ao mesmo tempo, abrir vaga para um aliado suplente.

Já em 2018, quando reeleito com 132 mil votos ao mesmo tempo em que uma crise de violência se instalava em todo o Piauí, ficou claro que o pior tipo de política tinha tomado o lugar da popularidade. O governador ficou, inclusive, “refém” do aparelhamento de Fábio Abreu dentro do governo. Só uma saída “voluntária” poderia dar a Wellington a oportunidade de mudar a gestão da Segurança. E Fábio Abreu saiu. Deixou de lado a secretaria para se candidatar a prefeito de Teresina, iniciando a disputa em segundo lugar e terminando como 5º colocado. Ficou menor e virou passado.

Abreu disse em entrevistas que quer se dedicar ao mandato parlamentar. E, claro, alguns jornalistas acreditaram nisso. Um deputado de oposição ao Governo Federal, que tem zero de influência em Brasília, no meio de uma pandemia, onde a maior parte do “trabalho” é remoto, preferiu ficar só com o gabinete de parlamentar do que ser secretário de Segurança.

Saiu de 61 mil votos em Teresina em 2018 para 29 mil votos em 2020 e não quer voltar a ser secretário. Quer, finalmente, ser deputado federal, num contexto em que sua atuação é irrelevante do ponto de vista prático.

Digam tudo de Wellington Dias, menos que ele não sabe ser político. O governador deu a Fábio Abreu a oportunidade de dizer que foi convidado a voltar ao cargo, mas que recusou.

Quanta generosidade.

Wellington despachou Fábio; quando Abreu saiu menor do que entrou na campanha de prefeito, perdeu também o capital político que o mantinha na Segurança (foto: Jailson Soares | PoliticaDinamica.com)

O coronel Rubens Pereira – que substitui Abreu desde a campanha – continua no cargo por mais algumas semanas. Mas já pode ir se acostumando com a ideia de esvaziar as gavetas.

Ele também não deve demorar ali.

As imagens que ninguém esquece de viaturas sucateadas e falta de combustível vão ficar associadas apenas à gestão de Fábio Abreu (fotos: Redes sociais | Jailson Soares | PoliticaDinamica.com)

Segundo apurou o Política Dinâmica, com perfis mais discretos e sem planos políticos, o delegado-geral da Polícia Civil, Luccy Keiko, e o comandante-geral da PMPI, Lindomar Castilho, devem permanecer nos cargos. Mas haverá trocas de nomes em algumas celebridades ligadas a Fábio Abreu em delegacias especializadas na Civil e em grupamentos e batalhões da Militar.

A esperança é que alguma coisa melhore.

Marcos Melo

Marcos Melo

Jornalista

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