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Advogada alerta para números alarmantes de feminicídios no Piauí

KARLA OLIVEIRA FALA AINDA SOBRE FATORES SOCIOJURÍDICOS RELACIONADOS AO TIPO PENAL, QUE OCORREU 28 VEZES EM 2019

13/02/2020 09:02 - Atualizado em 13/02/2020 15:31

A advogada Karla Oliveira e a professora Marcela Castro estiveram no programa Palavra Aberta Ajuspi na TV Assembleia. Em debate, aspectos jurídicos e sociais relacionados à violência contra a mulher e o crime de feminicídio, que a cada dia aumentam os registros em todo o país.

Para elas, o crime de feminicídio é o resultado de uma sequência de agressões, brigas e desentendimentos entre o casal. Elas chamam a atenção também para que as mulheres possam denunciar mais as agressões iniciais, evitando, assim, que as brigas aumentem e possa a vir ocorrer uma morte.

"Falamos sobre o conceito de feminicídio, que é uma qualificadora do crime de homicídio envolvendo mulheres, que aumenta a pena de 12 a 30 anos. Ressaltamos que o crime tende a se tornar imprescritível e inafiançável conforme proposta de PEC já aprovada pelo Senado Federal. Frisamos que tanto o feminicídio e a violência contra a mulher envolve questões de poderes do homem em relação à mulher, com controle, possessividade. Outra abordagem foi quanto à necessidade de ações preventivas e de empoderamento das mulheres vítimas para que denunciem mais. Hoje esse número ainda é pouco porque elas têm medo dos agressores, tem medo de não ter como criar os filhos, porque não acreditam na justiça, por falta de apoio da família. Enfim, são fatores diversos que levam a estas mortes, que precisam ser denunciadas. Até porque hoje o Piauí tem índices alarmantes, tendo 2019 terminado com 28 mortes, sendo 5 em Teresina", assinalou a advogada Karla Oliveira.

"Os casos de feminicídio decorrem de uma violência de gênero que inicia de forma tímida e vai se agravando. Começa com agressões verbais, desentendimentos entre os casais ao término de um relacionamento não aceitável por uma das partes, vindo a desencadear em agressões físicas e o crime em si. É importante lembrar que existem outras formas de violência contra a mulher, que se não combatidas no início, podem resultar em um feminicídio, que é o mais grave. Então, temos um cenário de machismo, alimentado por um patriarcado, que legitima uma relação de domínio do homem, que ao longo dos anos foi socialmente educado para isso. Mas já há avanços quanto a esse tema e hoje já temos homens com uma nova percepção. São homens que já ficam em casa trabalhando enquanto a mulher trabalha, mas ainda são poucos. É uma questão social e cultural bem forte que temos que mudar dia após dia", analisa Marcela Castro.


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