Coluna Gustavo Almeida Política Dinâmica
ROMPIMENTO MEXE COM CENÁRIOS ELEITORAIS NO INTERIOR

FIM DA ALIANÇA POLÍTICA ENTRE CIRO NOGUEIRA E WELLINGTON DIAS VAI AFETAR DISPUTAS ELEITORAIS EM CIDADES DO INTERIOR DO PIAUÍ

06/08/2020 10:22 - Atualizado em 06/08/2020 10:46

Wellington anunciou rompimento com Ciro (Foto: Jailson Soares/PoliticaDinamica.com)

O rompimento entre o senador Ciro Nogueira (Progressistas) e o governador Wellington Dias (PT) afeta o cenário político em várias cidades do interior do Piauí. E o fato de Wellington ter se adiantado e feito o anúncio do fim da aliança, o que chamou atenção, deixa ainda mais evidente a vontade do petista de conter o avanço de Ciro pelo Estado.

Esperto em política, Wellington já trabalha com foco nas eleições de 2022 e sabe que dar munição a Ciro nas eleições municipais deste ano é perigoso para ele lá na frente. O governador já viu que, pelo andar da carruagem, Ciro estará abraçado com Jair Bolsonaro em 2022 e que o presidente da República não medirá esforços para ver o PT derrotado no Piauí.

Logo, não faria sentido Wellington esperar passar o pleito de 2020 para romper com Ciro. O rompimento se fez necessário agora para que as eleições municipais já possam ser campo de batalha para tentar tirar forças de Ciro e impedir seu crescimento rumo a 2022, quando o senador quer disputar o governo. Rompidos, eles podem travar disputas nas cidades sem nenhuma cerimônia. Dias deve agir nos municípios, principalmente nos mais importantes.

Ciro se gaba da quantidade de prefeitos do seu partido no Piauí — são quase 100 — e aposta pesado para manter ou ampliar esse número nas eleições deste ano. É justamente esse ponto que Wellington também observa. O governador não vai dar forças a prefeitos ou candidatos a prefeito que ele sabe ou ao menos desconfia que não pode contar em 2022.

Independentemente de quem seja seu candidato a governador, um petista ou o senador Marcelo Castro (MDB), Wellington quer eleger prefeitos que ele sabe que estarão com ele e não com Ciro. Desse modo, muitos candidatos do Progressistas no interior que esperavam Wellington em seus palanques já podem acender o alerta após esse rompimento.

Porém, cabe destacar que Wellington não vai virar as costas para todos os prefeitos e/ou candidatos do Progressistas nos municípios. O índio também conta com prefeitos do partido de Ciro que, na hora do pega pra capar, ficam com ele e não com o senador. Aliás, essa situação é semelhante até mesmo com relação a alguns deputados do partido de Ciro.

Para agir no interior, Wellington terá aliados importantes. Um deles é o senador Marcelo Castro, que sonha em ser o candidato a governador em 2022 apoiado por Wellington. Marcelo tem sido extremamente fiel ao governador. É quase um petista. Dessa forma, em algumas cidades onde o MDB é aliado do Progressistas, o alerta também pode ser ligado.

É importante destacar que em muitos municípios do interior nem sempre as questões partidárias estaduais implicam na política local. No interior é comum existir até mesmo aliança de extremos como PT e DEM, PSL e PT. Mas é evidente que o rompimento de Wellington e Ciro e os interesses de ambos para 2022 vão fazer muita coisa mudar. É aguardar para ver.

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