Coluna Gustavo Almeida Política Dinâmica
DIA MUNDIAL DA LUTA CONTRA A SECA: POUCO A COMEMORAR

SENADOR LEMBRA LUTA HISTÓRICA CONTRA OS EFEITOS DA SECA E AFIRMA QUE POLÍTICAS PÚBLICAS TÊM FRACASSADO NAS ÚLTIMAS DÉCADAS

17/06/2020 18:25 - Atualizado em 17/06/2020 19:29

Senador Elmano Férrer, do Podemos-PI (Foto: Jailson Soares/PoliticaDinamica.com)

Neste dia 17 de junho é celebrado o Dia Mundial de Combate à Seca e à Desertificação, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1994. Mas, para o senador piauiense Elmano Férrer (Podemos), não há muito o que se comemorar por aqui. 

Em texto enviado ao Política Dinâmica nesta quarta-feira (17), o político lamenta que ainda exista forte dependência de carros-pipa no semiárido e critica o fato de obras importantes que poderiam amenizar o drama da seca nunca terem saído do papel no Estado. 

Semiárido nordestino sofre com drama da seca (Foto: Gustavo Almeida/PoliticaDinamica)

Elmano foi técnico da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e conhece bem o semiárido. Para ele, obras que nunca viraram realidade representam o fracasso das políticas públicas de enfrentamento à seca nas últimas décadas no Piauí. O senador cita também que em pleno ano de 2020, apenas 7% dos piauienses dispõem de saneamento básico. Para ele, esse quadro injustificável enche de vergonha qualquer cidadão de bem.

No semiárido, adutoras como a Adutora do Sertão e a Adutora Padre Lira se arrastam no tempo e nunca viraram realidade para quem mora na região. Mesmo diante desse quadro vergonhoso, o senador cita o poeta Gonçalves Dias, diz que a vida é um combate e fala que continuará lutando bravamente para tentar transformar a vida do povo sertanejo.

Leia o texto enviado pelo senador.

Hoje é o Dia Mundial de Combate à Seca e à Desertificação. Mas infelizmente temos muito pouco a comemorar. Conheço essa realidade de perto. Cheguei ao Piauí nos idos de 1966 para passar um ano, mas acabei criando raízes, tornei-me piauiense, e já se vão 54 anos nesta terra que aprendi a amar. 

Cheguei ao Piauí pelo município de Marcolândia, à época um povoado de 800 pessoas que surgira ao redor do posto fiscal da divisa com Pernambuco. Ali, naquele cenário de miséria e desesperança, experimentei um dos momentos mais tristes da minha vida, ao presenciar a morte de um bebê recém-nascido, vítima da fome e da sede. Aquela lembrança me acompanhará até o fim de meus dias na Terra. E minha tristeza e frustração são ainda maiores ao constatar que, após mais de meio século, milhões e milhões de crianças em todo o planeta continuam sendo vítimas do mesmo mal que levou aquele bebê. Voltando a Marcolândia, aquele pequeno povoado cresceu, se emancipou, e hoje é um importante município com 8300 habitantes, mas, em pleno século XXI, ainda dependente de carros-pipa, ainda é refém da indústria da seca. E esta realidade se repete por quase todo o nosso Nordeste.

Esse exemplo mostra o fracasso das políticas públicas nas últimas décadas. O que poderia ser mais importante do que garantir água, o bem mais precioso e essencial à vida, a todos os cidadãos brasileiros? Num país que possui mananciais superficiais e subterrâneos abundantes, como é possível não se resolver este drama? Por que no ano 2020 somente 7% dos piauienses dispõem de saneamento básico? É um quadro injustificável, que enche de vergonha a qualquer cidadão de bem.

Enquanto isso, nosso Piauí segue com todas as suas importantes obras de adutoras paralisadas ou se arrastando a passos de jabuti por décadas, e projetos revolucionários permanecem dormindo nas gavetas. A Adutora do Sertão é um perfeito exemplo disso. Uma ousada proposta que nasceu na CPRM, e prevê a exploração dos aquíferos subterrâneos do Vale do Gurgueia, e que pode levar água de excepcional qualidade para até 600 mil piauienses em 51 municípios do semiárido, solucionando o drama secular da sede no sertão. Abraçamos a ideia desde 2015 e estamos lutando pela elaboração do EVTEA e Projeto Básico da Adutora, enfrentando dificuldades e resistências de toda sorte. 

Mas seguiremos em frente. Como dizia o poeta Gonçalves Dias, “a vida é combate, que aos fracos abate, e aos fortes e bravos só pode exaltar”. Continuaremos lutando bravamente para transformar a vida dos nossos sertanejos.

Elmano Férrer de Almeida

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