Coluna Gustavo Almeida Política Dinâmica
“É TUDO QUESTÃO DE HERMENÊUTICA”

FATOS HISTÓRICOS: EM 1998, MÃO SANTA SOFREU ACUSAÇÕES DE CLIENTELISMO POLÍTICO COM A ESTRUTURA DO ESTADO, MAS NÃO FICOU SEM ARGUMENTAR.

09/07/2020 10:54 - Atualizado em 09/07/2020 11:09

Mão Santa em evento quando era governador do Piauí (Foto: Reprodução/Internet)

Em 1998, quando disputava a reeleição para o Governo do Piauí, Mão Santa montou uma equipe de seis advogados para fazer plantão no Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI). O então governador era alvo de uma enxurrada de denúncias quase diárias.

O caso foi tema de reportagem do jornal Folha de S. Paulo, em 16 de agosto daquele ano.

Na época, um dos principais motivos das denúncias era o uso da máquina estadual em favor da reeleição. A reportagem da Folha diz que Mão Santa era conhecido pelo clientelismo político. O apelido dele aparecia em projetos declaradamente clientelistas como "Conjunto Mão Santa", "Sopa na Mão", "Spa Santo", "Luz Santa" e até "Caixão Santo".

Na época, ele se defendia dizendo que as denominações dos projetos surgiram do domínio público. "O spa, por exemplo, batizei inicialmente de Spa Público, mas o povo só chamava de Spa Santo. Aí eu deixei, porque a voz do povo é a voz de Deus", disse Mão Santa.

Os adversários acusavam o então governador de clientelismo e messianismo político. Wellington Dias (PT), na época deputado estadual, dizia que "a mão do governador não tem nada de santa". O então senador Hugo Napoleão (PFL), adversário de Mão Santa naquela campanha, chegou a dizer que o governador era um "desmiolado perigoso".

No seu estilo peculiar, Mão Santa defendeu-se dizendo que os adversários queriam vencer a eleição no tapetão porque sabiam da derrota nas urnas. E por fim, concluiu: "Uns dizem que é clientelismo, mas pra mim é pura solidariedade. É tudo uma questão de hermenêutica".

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