Coluna Gustavo Almeida Política Dinâmica
GAECO: ALENTO CONTRA A CORRUPÇÃO NO PIAUÍ

GRUPO DO MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL TEM SE DESTACADO POR DESARTICULAR ESQUEMAS CRIMINOSOS EM PREFEITURAS DO INTERIOR DO ESTADO

13/12/2019 12:07 - Atualizado em 13/12/2019 12:25

Operações do Gaeco colocaram políticos na cadeia (Foto: Divulgação/Gaeco)

Em menos de 10 dias, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Piauí (Gaeco) colocou atrás das grades um prefeito e um ex-prefeito. No dia 3 deste mês, o gestor do município de Bertolínia, Luciano Fonseca (PT), foi preso na operação Bacuri. Junto com ele, também foram colocados atrás das grades a mãe, o pai, a primeira-dama da cidade, um primo do prefeito e outros membros da administração municipal. Todos são acusados de organização criminosa, desvio e lavagem de dinheiro.

Na última quarta-feira (11) foi a vez do ex-prefeito do munícipio de Sebastião Leal, José Jeconias, ser colocado na prisão após investigação do Gaeco. Jeconias é um dos investigados da mesma operação que prendeu Luciano Fonseca. Ele resolveu se apresentar à polícia. O ex-gestor teve a prisão preventiva decretada pela Justiça por suspeita de organização criminosa, corrupção ativa, desvio de recursos públicos, crimes licitatórios e lavagem de dinheiro.

Não é de hoje que a equipe do Gaeco se esforça para amenizar a farra da corrupção em prefeituras do interior do Piauí. Em 2016, ainda sob o comando do destacado promotor Rômulo Cordão, o grupo prendeu o então prefeito de Redenção de Gurguéia, Delano Parente. Também são exemplos da atuação firme do Gaeco operações contra gestores públicos em Cocal, Manoel Emídio, São Miguel da Baixa Grande e Buriti dos Lopes. Vale destacar que o grupo age em várias outras frentes no intuito de desmantelar esquemas criminosos.

A atuação do Gaeco deve ser aplaudida. A corrupção nas prefeituras é a que mais afeta a vida das pessoas. É claro que, em qualquer esfera, a corrupção é nociva para a população, mas aquela enraizada nos municípios tem efeito ainda mais voraz. No Piauí, a farra da corrupção praticada por gestores públicos em pequenas cidades ainda é um mar a ser desbravado. Os órgãos de controle estão cada vez mais presentes, mas precisam avançar.

Rômulo Cordão, um dos promotores do Gaeco (Foto: Jailson Soares/PoliticaDinamica.com)

É inadmissível que a população das pequenas cidades padeça de serviços básicos enquanto gestores fazem da prefeitura o que bem querem. Embora a fiscalização tenha sido mais intensa nos últimos anos, muitos políticos ainda se aproveitam da distância e do isolamento para praticar crimes longe dos olhos dos órgãos de controle. É inadmissível que falte ambulâncias, transporte escolar e que carros oficiais fiquem "no cepo" por meses e anos.

Vale lembrar que a corrupção nas pequenas cidades quase sempre é semelhante àquela que nos acostumamos a ver a nível nacional. O que muda é apenas a proporção do que é roubado. Contratação de construtoras fajutas, superfaturamento, emissão de notas frias, fraudes em licitações, conluio no fornecimento de combustível, de remédios, de peças para manutenção de veículos, etc. Sem falar no nepotismo que sempre reinou absoluto no interior.

Diante dessa realidade, é preciso celebrar a atuação firme de grupos como o Gaeco. Cabe ressaltar que o Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal, a Controladoria-Geral da União (CGU) também têm tido atuação digna de reconhecimento nessa frente contra a corrupção. O fato é que é preciso focar ainda mais em investigações nas prefeituras do interior, pois é justamente lá onde corruptos agem confiantes que nunca serão descobertos.

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