Coluna Gustavo Almeida Política Dinâmica
OPINIÃO
É PRECISO OLHAR PARA OS RINCÕES

OS MAIS GRAVES REFLEXOS DA CORRUPÇÃO SÃO SENTIDOS POR QUEM VIVE NO COTIDIANO DOS MUNICÍPIOS, PRINCIPALMENTE NAS REGIÕES MAIS LONGÍNQUAS

01/05/2018 12:10 - Atualizado em 01/05/2018 12:38

No sertão brasileiro, as pessoas humildes estão mais vulneráveis à ação de corruptos (Foto: Gustavo Almeida/PoliticaDinamica)

É inegável que os avanços no combate à corrupção foram significativos nos últimos anos em nosso país. A atuação mais firme dos órgãos de controle e o endurecimento de ações contra a rapinagem no erário público trouxeram, sem nenhuma dúvida, alento para uma sociedade que sempre foi vítima de uma parcela de gestores públicos corruptos e pouco comprometidos com a melhoria da qualidade de vida da população.

Na última década, temos passado a ver gestores condenados e, em alguns casos até presos, por práticas de corrupção na administração pública. O fenômeno Lava Jato, que já colocou na cadeia altas autoridades da República, tem mostrado que surrupiar o dinheiro do povo não é mais uma prática distante do braço da lei. A operação atinge o topo da pirâmide, mostrando que a casta política do país não está livre dos ditames da Justiça.

No entanto, é preciso que as ações de combate à corrupção sejam mais efetivas e constantes também nos rincões do país, onde determinados gestores ainda acham que estão longe dos olhos da Justiça. Os desmandos nas cidades precisam ser vistos com maior atenção porque é lá onde vivem os que mais precisam. Os problemas nos municípios são justamente os mais sentidos pelas pessoas, pois o dia-a-dia das cidades é que é, de fato, vivido por nossa gente.

Obra do governo do Piauí abandonada desde 2006 no semiárido (Foto: Alonso Gomes)

É óbvio que as cifras milionárias roubadas da Petrobras, desviadas da construção de uma hidrelétrica ou de obras da Copa do Mundo significam um duro golpe para qualquer brasileiro, mas é o dinheiro desviado dos postos de saúde das pequenas cidades, dos mercados públicos de localidades rurais, de obras de calçamento, de escolas ou de pequenas barragens para rurícolas do sertão que mais impacta na vida do cidadão.

Todo desvio ou roubalheira é crime e tem que ser severamente punido, mas o impacto gerado numa mãe que vê um filho deixar de ser socorrido porque a ambulância da cidade está sem pneu é muito maior do que a revolta de quem vê R$ 1 milhão sendo negociado em propina na construção de um estádio de futebol. Repito para ficar bem claro: todo crime é crime e precisa ser enfrentado. No entanto, é preciso que se intensifique com urgência as ações de combate nos lugares mais longínquos desse país.

Em grande parte das cidades nordestinas [cito o Nordeste porque é aqui que vivo], existem inúmeros descasos que se repetem gestão após gestão. Deve-se ressaltar que as mesmas práticas de conluio entre empreiteiros e gestores públicos que se notabilizou em nível nacional também existem nos municípios do interior, guardadas, obviamente, as devidas proporções. Como resultado, são obras inacabadas, feitas com material de terceira categoria ou, em alguns casos, totalmente inexistentes.

Órgãos de controle precisam intensificar ações nas comunidades mais distantes (Foto: Gustavo Almeida/PoliticaDinamica.com)

O Ministério Público Federal (MPF) e o Tribunal de Contas da União (TCU) têm sido protagonistas no enfrentamento às práticas arcaicas de políticos inidôneos no interior. Os dois órgãos fiscalizam a aplicação dos recursos federais destinados aos municípios, dinheiro que, aparentemente, os criminosos de colarinho branco passaram a ter um pouco mais de receio em desviar. No entanto, é preciso que haja intensa fiscalização e rigor, por parte das instâncias competentes, no uso de recursos de outras fontes, como por exemplo o de emendas parlamentares que caem nas contas das prefeituras.

Nos rincões do Brasil, políticos mequetrefes que se acham “espertos” fraudam licitações, contratam empresas de fachada, adotam práticas de nepotismo para enriquecimento de suas famílias, fraudam a quantidade de dias letivos na rede municipal e se apoderam da máquina pública para se locupletarem com o patrimônio do povo. Além disso, deixam verdadeiras carcaças de obras públicas encravadas no meio de comunidades longínquas, confiados na remota possibilidade dos órgãos de controle descobri-las e/ou dos moradores, em sua maioria pouco instruídos, denunciarem.

Por isso, é preciso haver um olhar mais atento para as falcatruas praticadas nas brenhas desse país. Os mais graves reflexos da corrupção são sentidos por quem vive o dia-a-dia nos municípios. É da estrutura pública das cidades que os brasileiros mais precisam no seu cotidiano, principalmente naquelas mais distantes dos grandes centros, onde não existe escola privada e nem tampouco hospital particular. Nesses lugares, a dependência dos serviços públicos é imensamente maior e por isso é urgente o fim de práticas corrosivas protagonizadas por agentes públicos nefastos.

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