Coluna Gustavo Almeida Política Dinâmica
56 ANOS DO GOLPE: POLÍTICOS DO PIAUÍ COMENTAM

ENQUANTO PRESIDENTE DA REPÚBLICA CELEBRA ANIVERSÁRIO DO GOLPE, MEMBROS DA BANCADA FEDERAL DO PIAUÍ CONDENAM REGIME MILITAR

31/03/2020 15:16 - Atualizado em 31/03/2020 15:40

Militares tomaram o poder em março de 1964 (Foto: Reprodução/Internet)

O Golpe Militar de 1964 completa 56 anos nesta terça-feira (31). Em 31 de março daquele ano, os militares tomavam o poder no país e davam início à uma Ditadura que durou 21 anos. Após derrubarem o então presidente João Goulart (que morreu no exílio, sem voltar vivo ao país), os militares se revezaram no poder até 1985.

Passados 56 anos, a maioria é categórica ao considerar o 31 de março de 1964 um dia sombrio para a história do Brasil. Em tempo de acirramento político, há quem ainda renda homenagens à data. Nesta terça-feira, o vice-presidente da República, General Hamilton Mourão, celebrou o aniversário do movimento que ele não considera ter sido golpe.

"Há 56 anos, as Forças Armadas intervieram na política nacional para enfrentar a desordem, subversão e corrupção que abalavam as instituições e assustavam a população. Com a eleição do general Castello Branco, iniciaram-se as reformas que desenvolveram o Brasil", escreveu. Mourão encerrou dizendo que "31 de março pertence à História".

O próprio presidente da República Jair Bolsonaro (Sem partido), que é militar e assumido defensor do Regime, se referiu à data de hoje como "grande dia da liberdade".

Deputados piauienses falaram sobre o golpe (Fotos: Jailson Soares/PoliticaDinamica.com)

No Piauí, políticos ouvidos pelo Política Dinâmica rechaçaram os anos de chumbo dos governos militares. O deputado federal Flávio Nogueira (PDT) disse que o regime ditatorial iniciado em 31 de março de 1964 se notabilizou pela supressão de todas as liberdades.

"O período de 1964 a 1985 notabilizou-se pela supressão de todas as liberdades. Do livre direito do cidadão de ir e vir. Da livre expressão, da censura imposta ao livre exercício da imprensa. Livros e produções culturais sob os rigores da censura. Prisões arbitrárias, viúvas que choravam por "maridos vivos". Filhos de pais ausentes que queriam notícias deles, se presos ou mortos. Enfim, torturas físicas e psicológicas marcaram esse período de trevas da história brasileira".

O deputado federal Assis Carvalho (PT) avaliou que a elite brasileira sempre teve uma tendência ao totalitarismo e ao escravismo e lembrou que o Brasil foi uma das últimas nações a abolir a escravatura. Já depois da proclamação da República, ele citou que o país viveu alguns períodos de abertura democrática, o que foi interrompido em 1964. Para o petista, é necessário pegar o exemplo negativo da Ditadura para evitar que tempos como aquele voltem a existir no Brasil.

"No dia 31 de março, e a gente lembra isso com muita tristeza, houve um fechamento que durou 21 anos. Isso empobreceu o país, diminuiu a capacidade de pensar, maltratou a intelectualidade, deixou o Brasil de joelhos diante do mundo. É um preço muito alto que um país paga quando se instala o autoritarismo, como aconteceu com o golpe de 64. Lamentavelmente tem [hoje] uma linha no país, de uma elite, com essa tendência ao autoritarismo. Hoje a gente percebe que, por outros caminhos, novamente temos uma visão tentando fechar as vias democráticas. E nós não queremos imaginar que vamos voltar à pobreza intelectual de 64. É preciso que a gente pegue o grande exemplo do legado negativo que a Ditadura nos deixou e que a gente não permita que o nosso país viva novamente momentos tão difíceis. Portanto, Ditadura nunca mais", falou.

A deputada federal Iracema Portella (Progressistas) disse que regimes ditatoriais são cruéis e vergonhosos para qualquer nação. Passados 56 anos do golpe de 1964, Iracema destaca que neste 31 de março de 2020 a democracia é o grande patrimônio do Brasil.

"A principal lição que aprendemos com a história é que a ditadura é cruel e vergonhosa para qualquer país. Hoje, neste 31 de março, digo que a Democracia é o nosso grande patrimônio enquanto nação, por tudo que ela representa, especialmente pela liberdade", falou.

Notícias relacionadas
REGINA, BOLSONARO E A CONTAGEM DOS MORTOS
REGINA, BOLSONARO E A CONTAGEM DOS MORTOS
MARGARETE CELEBRA ANIVERSÁRIO DO PARQUE SERRA DA CAPIVARA
MARGARETE CELEBRA ANIVERSÁRIO DO PARQUE SERRA DA CAPIVARA
PREFEITURA DE DOM INOCÊNCIO ANUNCIA LOCKDOWN
PREFEITURA DE DOM INOCÊNCIO ANUNCIA LOCKDOWN
PROFISSIONAIS DE SAÚDE AMEAÇAM ENTREGAR CARGOS EM FLORIANO
PROFISSIONAIS DE SAÚDE AMEAÇAM ENTREGAR CARGOS EM FLORIANO