PESSOA ENGANOU TRABALHADORES

PREFEITO DISSE QUE PAGARIA TERCEIRA PARCELA DE ACORDO, MAS NÃO FEZ REPASSE; PMT AINDA DISTORCEU NÚMEROS PARA DISFARÇAR MANOBRA

Marcos Melo Marcos Melo
27/01/2021 09:05 - Atualizado em 27/01/2021 09:42

O teresinense vai ficar mais um dia sem serviço de transporte público de qualidade. O prefeito Doutor Pessoa (MDB) enganou trabalhadores ao afirmar que honraria acordo homologado na Justiça do Trabalho, mas fez exatamente o contrário: "forçou" greve exatamente para escapar do pagamento. E a Prefeitura ainda distorceu dados para disfarçar a manobra. 

Pessoa parece ter apenas fingido que queria resolver problema, mas terminou por aumentar o caos (foto: Jailson Soares | PoliticaDinamica.com)

FAZ DE CONTA

Quando motoristas e cobradores cruzaram os braços na segunda-feira (25), Doutor Pessoa esteve reunido com representantes da categoria e empresários. Da reunião saiu uma promessa: a PMT pagaria R$ 600 mil referente à 3a. parcela de um acordo feito em outubro com a categoria. 

Ao invés de ser repassado aos trabalhadores, o dinheiro foi enviado à STRANS, onde quem manda são dois sobrinhos de Doutor Pessoa: Cláudio Pessoa e Bruno Pessoa.

Esse dinheiro serviria para bancar vales refeição e planos de saúde dos trabalhadores do setor, que ficaram sem trabalhar durante os meses em que houve restrição de circulação de pessoas por conta da pandemia em 2020. 

A parcela venceu no dia 20 de janeiro e Pessoa deixou atrasar. A 4a. parcela venceria em fevereiro, na mesma data, e seria a última.  

Acontece que no acordo homologado pela Justiça do Trabalho, se o SINTETRO convocasse greve outra vez durante a vigência do acordo, a PMT estaria livre do compromisso. E foi aí que Pessoa viu uma oportunidade de não pagar mais nada. Há três semanas, quando o prefeito encontrou a primeira vez com os motoristas, o problema era outro. Trabalhadores de uma empresa protestaram contra o fato de não terem recebido o valor das férias e pelo fato do salário em si também não estar sendo pago.
Pessoa poderia ter intermediado a questão. Evitado o problema para outros teresinenses que dependem do sistema.

Fez o contrário: adicionou ao desespero pessoal de cada motorista e cobrador que já não recebia seu salário o drama de também não terem o tiquete alimentação e plano de saúde do mês. E olha que o prefeito sempre diz diz "cuida de gente" e ainda por cima é médico. 

Forçou trabalhadores a cruzar os braços para reivindicar o básico: nem reajuste, nenhuma nova vantagem, nada além do salário.  

CONTAS NÃO BATEM

O secretário de Finanças e vice-prefeito de Teresina ainda fez uma conta que não fecha. Como se os trabalhadores estivessem sendo mal agradecidos à PMT, disse que os R$ 600 mil que seria pago aos trabalhadores daria em média R$ 2 mil para cada um, numa divisão do repasse por 150 ônibus com um motorista e um co redor cada. 

Sem sentido: contas feitas pelo secretário de Finanças para justificar manobra da PMT são descoladas da realidade do setor (foto: Jailson Soares | Politicadinamica.com)

Nessa conta de Robert, é como se apenas 300 trabalhadores dessem conta do sistema de transporte da capital. Discurso de quem não sabe o que fala ou de quem sabe, mas quer justificar a manobra. 

Motoristas e cobradores somam mais de 1200 trabalhadores, segundo informa o SINTETRO. Ainda existem outros tantos fiscais que fecham as equipes de rua. Além destes, outros mais nas operações de garagem e escritórios de administração. Se o dinheiro que Pessoa disse que iria dar -- e não deu -- fosse dividido só com motoristas e cobradores, não daria R$ 500,00 para cada. 

A PMT parece querer, por maldade, criar o caos antes de fazer alguma coisa pelo sistema de transporte público. Ou pior: não sabe o que fazer e vai deixar o caos se instalar por incompetência. 

E o teresinense vai sofrendo. 

Marcos Melo

Marcos Melo

Jornalista

Comente!

ANTERIOR

ELE GOSTA É DE CACIQUES... ...POLÍTICOS!

PRÓXIMA

TÁ COMIGO, OU TÁ COM MEDO?