PÉSSIMO SINAL PRA FÁBIO ABREU

ANAMELKA, NIXON E SAMUEL ESTÃO OCUPANDO ESPAÇOS NA MÍDIA E NA POLÍTICA QUE ERAM MONOPÓLIO DE FÁBIO E DEVEM DISPUTAR MESMO CARGO EM 2022

Marcos Melo Marcos Melo
Francisco Filho Francisco Filho
01/06/2021 16:02 - Atualizado em 01/06/2021 16:54

Nas eleições de 2014, Fábio Abreu (PL) foi eleito deputado federal no contexto de esperança por dias melhores na Segurança Pública do Piauí. Nas eleições seguintes, em 2018, reeleito montado na estrutura da secretaria, aumentou sua votação. Em 2022, o cenário não é bom. Outros nomes ligados ao setor devem atrapalhar o desempenho de Abreu, pelo menos em Teresina. A delegada Anamelka Cadena, o delegado Samuel Silveira e o coronel Nixon Frota estão, cada vez mais, ocupando espaços políticos e midiáticos que antes eram “monopólio” de Fábio.

Três candidatos viáveis devem disputar o mesmo cargo que Fábio Abreu e terão suas campanhas focadas no principal colégio eleitoral do atual deputado federal (fotos: Jailson Soares | PoliticaDInamica)

As duas eleições de Fábio foram viabilizadas por suas estrondosas votações em Teresina. Mais de 60 mil votos nas duas vezes. Mas em 2020, não lhe fez bem ter terminado a disputa pela Prefeitura da capital em 5º lugar com menos da metade da votação anterior (apenas 29 mil votos). Sem Prefeitura, sem secretaria de Segurança, que o governador Wellington Dias (PT) pegou de volta e não devolveu mais.

Wellington Dias tirou a Secretaria de Segurança de Fábio Abreu e reduziu drásticamente as chances de reeleição do deputado federal em 2022 (foto: Marcos Melo | PoliticaDInamica)

O petista, aliás, não apenas tirou de Fábio a Segurança, mas o afastou da nova fase da secretaria. A renovação da frota de veículos – ainda que alugados – foi anunciada sem a presença de Abreu. O anúncio do concurso de novos policiais militares, também. E para mostrar que Wellington não quer acordo com o desgaste que “colou” em Fábio, o governador está bancando a imagem da delegada Anamelka Cadena, que virou diretora da Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados ao Estado do Piauí (Agrespi).

PARTIDO NOVO, FUNÇÃO NOVA

 Anamelka era do PL, o mesmo partido de Abreu. Era, não é mais. Agora no Solidariedade, se diz mais amadurecida na política e vai concorrer ao cargo de deputada federal. Obviamente, o principal eleitorado dela está exatamente em Teresina, onde disputou as últimas eleições para o cargo de vereadora (ela teve 2.679 votos).

Investimento de Wellington Dias: governador colocou Anamelka em cargo no Executivo e ampliou a visibilidade da delegada (foto: Jailson Soares | PoliticaDinâmica)

Ela não conversa sobre o assunto, mas parte de seus apoiadores garante que o desempenho dela em 2020 não foi melhor exatamente por conta de Fábio Abreu, que não teria cumprido acordos com a campanha. Teria sido uma “sabotagem” para favorecer o médico Leonardo Eulálio, que foi eleito com ajuda de candidaturas laranjas e deve, em breve, perder o mandato.  

Troca de partido articulada junto com Wellington: delegada Anamelka deve fazer dobradinha com Evaldo Gomes em Teresina (foto: Ascom)

“Na realidade, o convite do Solidariedade já havia acontecido há alguns anos, antes mesmo das eleições passadas. Desta vez foi diferente, o convite foi mais reforçado, por isso resolvemos aceitar”, comentou Anamelka ao Política Dinâmica. Na capital, ele deve fazer dobradinha com o deputado estadual Evaldo Gomes, presidente estadual do partido.

NIXON: PREFEITURA E ASSEMBLEIA

Numa campanha em que os ânimos dos eleitores tendem a se polarizar entre esquerda e direita, a imagem de Nixon Frota pode ser beneficiada nas eleições. Ligado ao presidente da Assembleia Legislativa e fazendo parte do primeiro escalão da Prefeitura Municipal de Teresina, não se pode duvidar da possibilidade de que o coronel possa ser eleito.

Nixon: Polarização da campanha nacional deve favorecer a imagem de candidato oriundo das Forças Armadas (foto: Jailson Soares | PoliticaDinamica)

A intenção de disputar uma vaga na Câmara Federal ele não esconde de ninguém. Mas ainda não se sabe por qual partido Nixon irá para a disputa. Ele é presidente estadual do PRTB, porém, até o momento o partido não tem chapa que viabilize a eleição de um federal. Por esse motivo, fala-se nos bastidores que existe a possibilidade de que Nixon se filie ao MDB de Themístocles Filho. 

Nixon entrou na política do Piauí pelas mãos de Themístocles Filho (Foto: Divulgação/Alepi)

Como o comando da Guarda Municipal de Teresina agora é dele, o apoio de Doutor Pessoa não é coisa da qual se possa duvidar. De todo modo, a votação dele deve, também, se concentrar em Teresina, diminuindo o espaço de Fábio Abreu.

SAMUEL, O NOME DA OPOSIÇÃO

Fábio, Anamelka e Nixon, de alguma maneira, são ligados ao Governo do Estado. Mas a oposição também deve apresentar um nome do setor de Segurança para quem quiser votar fora dos terrenos de Wellington Dias. O delegado Samuel Silveira, hoje filiado ao PSDB, deve ser este candidato.

Renovação em Teresina: Samuel Silveira pode ser a alternativa para o voto fora dos grupos que apoiam Wellington Dias (foto: Jailson Soares | PolíticaDinamica)

O apelo é forte: mostrou desapego da política ao deixar a reeleição de vereador de lado para se dedicar ao combate à pandemia em 2020, quando era secretário de Assistência Social da gestão do ex-prefeito Firmino Filho. É tido pelos colegas da Polícia Civil como delegado produtivo e foi responsável pela implantação da Guarda Municipal de Teresina.

Samuel deixou de lado a eleição de vereador em 2020 para permanecer no combate à pandemia ao lado de Firmino em 2020 (foto: Ascom)

O perfil de Samuel já despertou o interesse do senador Ciro Nogueira, o nome forte da oposição para a disputa pelo Governo do Estado, que quer o delegado nos quadros do Progressistas em 2022, focando sua campanha exatamente, adivinhem, em Teresina.

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