MORRE O EX-MINISTRO PIAUIENSE REIS VELLOSO

NATURAL DA CIDADE DE PARNAÍBA, NO LITORAL DO PIAUÍ, ELE SE TORNOU UMA FIGURA DE DESTAQUE NO CENÁRIO ECONÔMICO E POLÍTICO DO BRASIL

19/02/2019 15:44 - Atualizado em 19/02/2019 15:54

Velloso foi um dos piauienses de maior destaque no País (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

O ex-ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso morreu em casa na manhã desta terça-feira (19) aos 87 anos. Ele vivia em Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro. Natural de Parnaíba, no Piauí, e radicado no Rio, ele serviu a diferentes governos desde o início da ditadura militar, em 1964, atuando diretamente com quatro ex-presidentes do Brasil.

Como ministro, Reis Velloso era considerado um dos civis mais poderosos no governo de Ernesto Geisel. Ele entrou para a política em 1951, aos 20 anos, quando se mudou para a capital fluminense.  Na época, ele passou a ser secretário do deputado federal Jorge Lacerda, da UDN (União Democrática Nacional), sigla opositora de Getúlio Vargas.

Depois, seria escriturário do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários (IAPI). Em 1955, passou em concurso público para o Banco do Brasil e se mudou para São Paulo, onde começou a cursar economia na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) – mas a graduação só seria concluída em 1960 na Universidade Federal do Rio.

Após ser assessor no BB, Reis Velloso trabalhou no gabinete do ministro da Fazenda Válter Moreira Sales no fim de 1961, no governo João Goulart. Contudo, quando houve o golpe militar de 1964, ele estava fazendo mestrado nos Estados Unidos. Quando retornou, em julho daquele ano, o marechal Humberto Castelo Branco já era presidente.

Reis Velloso foi então trabalhar no Ministério do Planejamento, comandado pelo economista Roberto Campos, ícone do liberalismo econômico no País. Na nova função, Reis Velloso organizou e chefiou até 1968 o Escritório de Pesquisa Econômica e Social Aplicada (EPEA), atualmente denominado Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Em abril de 1968, assumiu o cargo de secretário-geral do Ministério do Planejamento. Reis Velloso assumiu como ministro no fim de 1969,após a posse de Emílio Garrastazu Médici na presidência. À frente da pasta, coordenou as duas edições do Plano Nacional de Desenvolvimento (PND). O 1º PND foi lançado em 1972, e o 2º PND, em 1974.

Ele deixou o Ministério do Planejamento em 1979. O novo presidente, João Batista de Figueiredo, indicaria o ex-ministro da Fazenda Mário Henrique Simonsen para substitui-lo. A saída do Ministério do Planejamento marcou o fim da carreira política de Reis Velloso. O nome dele seria aventado como candidato ao governo do Piauí, mas o ex-ministro optou por assumir a presidência, em 1980, do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec).

De lá para cá, Reis Velloso integrou conselhos de administração de diversas estatais, mas atuou principalmente no setor privado. Em 1988, organizou fórum nacional com o tema "Ideias para a modernização do Brasil". O evento reuniu economistas, cientistas sociais e políticos, líderes sindicais e empresariais, para discutir da atualidade.

Com informações do Estadão Conteúdo

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