LÁ VEM MAIS UMA BRONCA FEDERAL

GOVERNO DE WELLINGTON DIAS FECHA 2020 COM MAIS UM ESCÂNDALO ENVOLVENDO RECURSOS FEDERAIS; MPF QUER INVESTIGAR DENÚNCIAS CONTRA SECRETARIA DE CULTURA

Marcos Melo Marcos Melo
31/12/2020 10:29

As primeiras denúncias foram publicadas pelo perfil O Piauiense no Instagram há uma semana. Os resultados de editais bancados com recursos federais dentro da Secretaria de Cultura estariam contemplando empresas fora do setor artístico e de entretenimento. No final da manhã desta quarta-feira (30), a plataforma Custo Piauí conseguiu no Tribunal de Contas do Estado uma liminar para suspender um dos editais, ou seja, nada de pagamento até que haja análise da concorrência. Por fim, no início da noite de ontem, foi a vez do Ministério Público Federal solicitar à Polícia Federal a instauração de inquérito para investigar possíveis irregularidades.

Fábio e Wellington: novo escândalo federal nos últimos dias de 2020 (foto: Jailson Soares | politicaDinamica.com)

Os recursos federais em questão são oriundos da Lei Aldir Blanc (Lei 14.017/2020), que trata de ações emergenciais destinadas ao setor cultural em decorrência do estado de calamidade pública causado pela pandemia da covid-19. O jornalista Petrus Evelyn – criador de O Piauiense – apontou diversos resultados questionáveis nas listas de contemplados do edital “Seu João Claudino”: tinha academia de ginástica, padaria, bandas que fazem apologia e incentivam o estupro. E a denúncia ganhou as redes sociais. Acompanhe no perfil O Piauiense:






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Polêmica atrás de polêmica, mais de 120 classificados nas primeiras listas foram desclassificados em listas de erratas publicadas pela Secretaria de Cultura. O próprio Fábio Novo reconheceu erros em alguns casos e apontou que outras denúncias eram distorcidas e maliciosas.

Veja o que disse Fábio Novo em suas redes sociais:






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Mas a atenção das autoridades foi capturada, ao que parece, quando dois casos mais específicos foram divulgados. A empresa DV Produções foi responsável pelo audiovisual da campanha eleitoral do secretário Fábio Novo (PT) e cobrou do petista R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais) pelo serviço. E, por coincidência ou não (é um dos pontos que será investigado), um mês depois das eleições foi contemplada com o mesmo valor no edital “Afrânio Castelo Branco”, que também é financiado com recursos público federais da Lei Aldir Blanc.

O outro caso é o da Associação dos Moradores do Itararé no mesmo edital. A AMI foi contemplada no resultado preliminar com um valor de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais). Durante anos a entidade foi presidida por Scheyvan Lima, que atualmente faz parte do Conselho responsável exatamente por avaliar os projetos e definir os ganhadores dos editais Seu João Claudino e Afrânio Castelo Branco.

Scheyvan premiou a instituição que ele mesmo comandava e da qual é atual diretor; ele será o "secretário" de cultura de Teresina a partir de amanhã (foto: reprodução)

Além disso, Scheyvan é dos quadros do Solidariedade, o partido do deputado Evaldo Gomes, e que compôs a coligação majoritária de apoio a Fábio Novo nas eleições de Teresina. Mas antes de ser do partido de Evaldo Gomes, Scheyvan foi do PCdoB, partido do atual secretário de Governo de Wellington Dias. A página da AMI no Facebook tem dezenas de fotos de eventos do PCdoB em suas dependências e o partido fez parte, também, da aliança eleitoral que apoiou Fábio Novo em 2020.

Scheyvan chegou a ser cotado para vice de Novo e a partir de amanhã (1º) vai comandar a Fundação Monsenhor Chaves, o órgão de cultura da Prefeitura de Teresina na gestão do Dr. Pessoa, por indicação de Evaldo e de sua filha, a vereadora eleita Fernanda Gomes.

Até o momento, nenhuma palavra do governador Wellington Dias (PT). É como se a confusão nem fosse da gestão dele.

Mas é.

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