FEDERAL ELEITO PELA SESAPI: UMA TRADIÇÃO DO PT

EM TODAS AS GESTÕES DE WELLINGTON DIAS, QUEM MANDA NA SECRETARIA DE SAÚDE VIRA DEPUTADO FEDERAL NA ELEIÇÃO SEGUINTE

Marcos Melo Marcos Melo
Francisco Filho Francisco Filho
11/05/2021 10:43 - Atualizado em 11/05/2021 14:55

Em todas as vezes que Wellington Dias (PT) foi governador do Piauí, a  Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (SESAPI) foi palanque para eleger um deputado federal. Mas desta vez, a estrutura vai ter que aguentar dois: o deputado e líder do PT na Assembleia Legislativa, Francisco Costa e o atual secretário de Saúde do Estado, Florentino Neto, também do partido do governador.

Em 2006, Nazareno; em 2010 e 2018, Assis; quem será agora o petista eleito pela SESAPI em 2022? (fotos: Jailson Soares | PoliticaDInamica)

A SESAPI é o 3º maior orçamento do governo: são R$ 1,6 bilhão de reais previstos para gastos em 2021 sem contar os "extras" que o Governo Federal manda para o combate à pandemia de Covid-19. No quesito "dinheiro pra gastar", perde apenas para a Secretaria de Administração e Previdência (SEADPREV), com orçamento de R$ 3,1 bilhões de reais; e para a Secretaria de Educação (SEDUC), que tem R$ 1,8 bilhão de reais de orçamento.

O mais estranho desse "fenômeno" talvez seja o fato de que não temos um sistema de Saúde que, à primeira vista, gere reconhecimento espontâneo de seus gestores.

SESAPI E POLÍTICA

Pai de Rafael Fonteles -- o atual pré-candidato a governador do Piauí em 2022, Nazareno foi eleito deputado federal depois de ser secretário de Saúde; antes e depois disso, só conseguiu suplência nas eleições (foto: Jailson Soares | PoliticaDInamica)

A Sesapi em governo do PT no Piauí tem relação estreita com a Câmara Federal. Em 2002, Nazareno Fonteles era o primeiro suplente do PT tendo obtido apenas 42 mil votos para deputado federal naquelas eleições. Em 2003, ano que em Wellington Dias assumiu o seu primeiro governo, Nazareno se tornou secretário de Saúde. Na eleição seguinte, em 2006, Fonteles foi eleito deputado federal titular com 64 mil votos.

Quando Wellington Dias assumiu seu segundo mandato, em 2007, o petista escolhido para assumir a SESAPI foi Assis Carvalho, à época, deputado estadual eleito com 33 mil votos. Veio então a eleição de 2010 e Assis deu um salto da Assembleia Legislativa do Piauí para a Câmara Federal com 99 mil votos nominais.

Eleito e reeleito deputado federal em 2010, 2014 e 2018, a única vez que a votação de Assis caiu foi quando não estava mandando na SESAPI (foto: Jailson Soares | PoliticaDInamica)

Entre os anos de 2010 e 2014, os governadores foram Wilson Martins (PSB) e Zé Filho (à época, MDB). Nenhum de seus secretários de Saúde foi candidato a deputado federal.

AGORA SÃO DOIS

Eleito em 2014 para o terceiro mandato, Wellington Dias pões novamente a Saúde na cota de gestão de Assis Carvalho, reeleito deputado federal com 94 mil votos, uma votação menor do que aquela obtida com o controle da SESAPI. Desta vez, Assis indica uma pessoa de sua confiança para ser secretário enquanto permanece deputado em Brasília, mas mantém o controle total da pasta. O médico Francisco Costa (PT) à época era prefeito de São Francisco do Piauí e largou o mandato para assumir o comando da SESAPI.

Francisco Costa era um ilustre prefeito desconhecido do interior do Piauí antes de ser indicado por Assis e nomeado por Wellington Dias para o cargo de secretário de Saúde; em 2018, em "dobradinha" com o deputado federal foi eleito para a Assembleia Legislativa com a segunda maior votação dentro do PT (foto: Jailson Soares | PoliticaDinamica)

Quatro anos mais tarde, nas eleições de 2018, a votação de Assis dispara para 129 mil votos dando a ele seu terceiro mandato na Câmara Federal. De quebra, Francisco Costa foi eleito deputado estadual com 41 mil votos.

Wellington Dias "colou" Francisco Costa na família de Assis Carvalho e estimulou que ele fosse seu substituto no mandato federal (imagem: reprodução)

Com a saída de Francisco Costa da SESAPI, quem assumiu a pasta foi o ex-prefeito Florentino Neto, de Parnaíba, derrotado em 2016 por Mão Santa (à época, PSC) em Parnaíba. Ele ocupa o cargo até hoje, mantido na pasta quando Wellington Dias assumiu seu quarto mandato em 2019.  

Florentino conseguiu a proeza de perder uma reeleição de prefeito em Parnaíba em 2016, uma derrota amplificada pelo fato de ter sido, ao mesmo tempo, vitória de Mão Santa, um dos maiores adversários de Wellington Dias; seria fim de carreira para um político sem liderança como é este cidadão, mas ser secretário de Saúde já o coloca como provável deputado federal eleito em 2022 (foto: Jailson Soares | PoliticaDinamica)

Ninguém vai substituir o político que Assis Carvalho era, para o PT, para Wellington ou para o Piauí. Porém, a morte dele não deixou a SESAPI sem "candidato".

Francisco Costa e Florentino vão, ambos, disputar a vaga de deputado federal. O ex-prefeito de Parnaíba já ensaiava há muito tempo o voo solo. O deputado estadual foi alçado pelo governador Wellington Dias como "substituto" de Assis imediatamente após a notícia da morte dele, para evitar uma debandada de prefeitos, vereadores e lideranças ligadas ao mandato de Assis e manter os colégios eleitorais no contexto do governo.

Em plena pandemia, ao invés de trabalhar para garantir que não faltassem insumos e leitos -- e faltaram! --, Florentino Neto estava fazendo campanha eleitoral antecipada para 2022 ao lado de Rafael Fonteles, como é possível verificar em suas redes sociais (imagem: reprodução)

Não é o melhor uso para a secretaria em meio a uma pandemia, mas é o que o atual governo sabe fazer.

Uma questão de tradição para o PT e, nisso, os petistas são bem conservadores.

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