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COMISSÕES NAS COMPRAS DE VACINAS

MENSAGENS REVELAM QUE DOMINGUETTI CITA PIAUÍ, AMAZONAS, AMAPÁ E MATO GROSSO COMO SUPOSTOS COMPRADORES DE “VACINAS COM COMISSÃO”

05/07/2021 11:07

A CPI da Covid continua no Senado Federal e na última semana um depoimento chamou a atenção, o cabo da Polícia Militar Luiz Paulo Dominguetti acabou tendo o celular apreendido pela comissão. Uma reportagem do Fantástico, da Rede Globo, mostrou com exclusividade a mensagens que estavam no aparelho do militar, dentre essas há uma conversa em quem Dominguetti cita os estados do Piauí, Amazonas, Mato Grosso e Amapá, como possíveis compradores de vacina e rateio de comissão [propina].

Todo o material é importante para CPI montar a teia de relacionamento do militar com empresas e agentes públicos relacionados a compra de vacinas. O cabo Dominguetti, representante da Davati Medical Supply, foi convocado para depor na CPI da Covid após conceder entrevista ao jornal Folha de São afirmando que recebeu um pedido de propina de US $ 1 por dose da vacina em uma tentativa de negociação com o Ministério da Saúde.

No celular do cabo apreendido, a análise preliminar da CPI da Covid já identificou mais de 900 caixas de diálogos nos aplicativos de mensagens. Segundo que em algumas dessas, Dominguetti negociava por dose de vacina uma comissão de vinte cinco centavos de dólar (mais de R$ 1 real).

No celular, no dia 10 de fevereiro de 2021, Dominguetti envia uma mensagem à um contato identificado como Guilherme Filho Odilon onde ele fala: “estamos negociando algumas vacinas em números superior a 3 milhões de doses. Neste caso a comissão fica em 0.25 centavos de dólar por dose”. Ele ainda explica na mensagem que o que estão fazendo é pegar o volume da comissão e dividindo de forma igual a todos os envolvidos claro que de proporcionalmente aos grupos. O cabo ainda completa “sendo três pessoas, eu, você e seu parceiro não teria objeções em avançar neste sentido”, falou.

Para CPI, o cabo havia comentado um valor menor o,20 centavos de dólar por dose aplicada. Ainda nas mensagens encontradas no celular apreendido, o Guilherme Filho Odilon questiona que se caso quem assina venha a pedir alguma coisa [propina], podemos ver entre os três para viabilizar. E Dominguetti responde afirmando que “ajustamos”.

COMPRAS NOS ESTADOS

Ainda nas mensagens obtidas pelo Fantástico, há uma conversa oito dias depois dessas conversas acima, Dominguetti conversa novamente com o Odilon revelando que tem vacina Astrazeneca ao valor de 3,97 dólares o valor da dose, com capacidade de entrega de 100 milhões de doses.  Tendo Odilon respondido que ainda aguardava documentação. O cabo Dominguetti ainda reforça que afirma que Amapá e Mato Grosso estão comprando, ele ainda menciona o Piauí. “Hoje se for do seu interesse podemos fazer uma call [ligação] com representante tren/Astrazeneca para você pontuar. Conseguimos 6 meses contrato garantir qualquer venda no Piauí ou outro parceiro”.

Em nota, a Astrazeneca afirmou que não trabalha com qualquer intermediário no Brasil, os senadores querem saber agora quem é esse Odilon, citado na CPI. As mensagens ‘pegas’ no celular de Dominguetti também aponta que ele também negociava não só a Astrazeneca, mas também outras vacinas como a Sputnik.

imagens retiradas da reportagem do Fantástico - Rede Globo

GOVERNOS RESPONDEM

Os governos citados na reportagem do Fantástico responderam através de nota. O Governo de Mato Grosso respondeu que recebeu em março/2021 um e-mail da empresa Davati Medical Supply [empresa que Dominguetti representa] com uma oferta de vacinas contra Covid, mas que a negociação não avançou porque não foi enviada nenhuma carta de representação da fabricante Johnson e Johnson. Já o Governo do Piauí disse, por nota, que não negociou a compra de vacinas por meio de nenhum intermediário. Também, em nota, o Governo do Amapá disse que os únicos contatos feitos para compra de vacinas foram com fundo soberano russo e o Instituto Butantan. O Governo do Amazonas respondeu que desconhece esse fundo citado nas mensagens de R$ 160 milhões para compra de vacinas que o Estado teria.


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