GOVERNO DO PIAUÍ DEIXA FALTAR REMÉDIOS PARA DOENTES

USUÁRIO DENUNCIA QUE REMÉDIO QUE DEVERIA SER FORNECIDO PELO GOVERNO DO PIAUÍ ESTÁ EM FALTA NA FARMÁCIA POPULAR DESDE DEZEMBRO DE 2019

Gustavo Almeida Gustavo Almeida
24/09/2020 11:25 - Atualizado em 24/09/2020 11:33

Falta de medicamentos é problema recorrente (Foto: Jailson Soares/PoliticaDinamica.com)

Quem mora no Piauí já se acostumou a ver reportagens sobre a falta de remédios na farmácia de medicamentos excepcionais, a Farmácia do Povo, mantida pelo Governo do Estado. No órgão que deveria ter estoque de remédios para quem sofre de doenças especiais, o descaso administrativo faz aumentar o sofrimento de pacientes e familiares.

A reportagem do Política Dinâmica esteve na farmácia duas vezes neste mês. Um dos usuários que relatam falta de medicamentos é o senhor Renato Figueiredo. Ele foi ao local buscar o medicamento da esposa, que sofre de retocolite ulcerativa, uma doença inflamatória intestinal crônica em que há inflamação e ulcerações no intestino grosso (cólon) e no reto. Segundo ele, o remédio está em falta na farmácia desde dezembro de 2019.

Renato diz que remédio falta desde 2019 (Foto: Jailson Soares/PoliticaDinamica.com)

“Minha esposa tem uma doença chamada retocolite ulcerativa. Ela recebe o enema de um grama da mesalazina. Desde dezembro a farmácia não tem. O grupo Acronn já entrou com processo na Procuradoria alegando isso e eles dizem que vão comprar e nunca compraram. Esse remédio custa por mês R$ 690. Todo mês a gente compra porque não está tendo aqui na farmácia. Só consigo pegar em comprimido de 800 miligramas”, falou.

A Acronn citada por ele é a Associação do Portador de Doença Crohn e Retocolite do Norte-Nordeste do Brasil. Segundo Renato, a esposa precisa usar o remédio todos os dias, pelo resto da vida. “Eu acho um descaso. Eles alegam que vai chegar e nunca chega. O dinheiro vem, mas o que acontece a gente não sabe. É muito triste ver isso porque a gente precisa e todo mês estamos tendo que gastar R$ 690 porque aqui não tem”, completou.

Usuários na fila em busca de medicamentos (Foto: Jailson Soares/PoliticaDinamica.com)

A compra da mesalazina é de responsabilidade do Governo do Piauí e cabe à Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi) adquirir e pagar pelo medicamento, com recursos próprios. No mês de junho, a diretora-geral da Farmácia do Povo, Wanda Avelino, admitiu em entrevista à TV Clube que o remédio estava faltando. Na ocasião, ela relatou problemas de aquisição de vários medicamentos e afirmou que o processo de compra é bastante demorado.

USUÁRIO DIZ QUE FALTA GESTÃO

Outro piauiense que relata descaso na Farmácia do Povo é Paulo Lauriano, ex-vereador do município de Picos. Ele costuma ir até a farmácia pegar o medicamento para uma paciente de Jacobina, no interior do Piauí. O remédio dela não está faltando dessa vez, mas já faltou em outras ocasiões e causou muito transtorno. Ele conta que é muito comum faltar diferentes tipos de remédio na farmácia e avalia a situação como falta de gestão.

Paulo Lauriano culpa gestão estadual por problemas (Foto: Jailson Soares/PoliticaDinamica)

“Aqui sempre falta algum tipo de medicamento. Eu acredito que seja por falta de gestão. Casos de insulina, por exemplo, que é muito essencial para o paciente que faz uso contínuo, como é que pode faltar? Eu acho que antes de acabar as dosagens que tem na farmácia já tinha que renovar o estoque. Mas aqui só renova quando acaba. Aí tem que fazer licitação e é dois, três meses para chegar de novo. Quem usa não pode faltar”, conta ele citando a falta de insulina, problema que não é raro acontecer por lá.

ASSISTA AO VÍDEO

O QUE DIZ A SESAPI

Procurada pelo Política Dinâmica no começo do mês, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi) admitiu que a medicação mesalazina está em falta na Farmácia do Povo, conforme denunciado pelo usuário Renato Figueiredo, cuja mulher sofre de retocolite ulcerativa e precisa usar o remédio diariamente. Na ocasião, a Sesapi disse que o remédio está em processo de aquisição com empenhos nos fornecedores e a previsão de chegada era a partir do dia 18 de setembro.

A Sesapi admitiu ainda a falta de outros medicamentos, como a Leuprorrelina, usada para tratar câncer de próstata, de mama, miomas uterinos e puberdade precoce. A pasta informou que, devido à pandemia do novo coronavírus, o estoque tem tido variação abaixo da média normal, pois os medicamentos são fornecidos quase em sua totalidade por empresas de outros estados, principalmente do eixo Rio/São Paulo, que foram bastante castigadas pela crise da covid-19.

O Política Dinâmica ainda questionou a Secretaria de Saúde do Piauí sobre a suposta falta de pagamentos a fornecedores de alguns remédios disponibilizados na Farmácia, o que estaria provocando a falta de estoque de algumas medicações, segundo relato de fontes na Secretaria de Fazenda (Sefaz). No entanto, a Sesapi ficou calada e não respondeu sobre esse ponto.

REMÉDIOS NÃO CHEGARAM

Nesta quinta-feira (24), os remédios continuavam em falta na farmácia. A promessa de que eles chegariam após o dia 18 não foi cumprida. Dessa vez, a assessoria de imprensa da própria Farmácia do Povo deu um novo prazo, agora mais longo. Segundo o órgão, os medicamentos em falta só devem chegar no final de outubro. 

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