CIRO PUBLICA ARTIGO E DIZ QUE ADIAR ELEIÇÃO É ATO HUMANITÁRIO

EM TEXTO PUBLICADO NO SITE PODER 360, SENADOR PIAUIENSE VOLTA A DEFENDER QUE ELEIÇÕES DE 2020 PRECISAM SER ADIADAS POR CONTA DA COVID-19

30/03/2020 09:58 - Atualizado em 30/03/2020 10:26

Ciro Nogueira volta a defender adiamento (Foto: Jailson Soares/PoliticaDinamica.com)

O senador Ciro Nogueira (Progressistas) voltou a defender o adiamento das eleições municipais deste ano para 2022. Em artigo publicado nesta segunda-feira (30) no site Poder 360, o piauiense explica que a grave crise de saúde provocada pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19) inviabiliza a realização do pleito. 

CONFIRA, NA ÍNTEGRA, O ARTIGO

A democracia é uma das maiores conquistas do povo brasileiro. Por meio do exercício da soberania da vontade popular, o país avançou nas últimas 3 décadas e alcançou melhorias econômicas, sociais e plena liberdade de manifestação de ideias e pensamentos. Foi justamente por essas conquistas da democracia, é preciso reconhecer, que a política tradicional sofreu abalos como nunca em sua história. Suas vísceras foram expostas e a população, com razão, manifestou democraticamente sua vontade de uma mudança profunda no funcionamento das instituições. A tragédia do coronavírus não permite qualquer espaço de dúvida na política que possa ser confundido com omissão.

Sou totalmente favorável ao adiamento por 2 anos das eleições. Acho que o partido de que sou presidente nacional, o Progressistas, deveria propor a doação do fundo eleitoral, que é no valor de R$ 2 bilhões, mais o custo do dia da eleição, que é de mais R$ 2 bilhões, e já que não vai ter demanda na Justiça Eleitoral, nós reduziríamos em 50% o valor dos recursos destinados à Justiça Eleitoral, que atualmente é em torno de R$ 8 bilhões. Ou seja, diminuiria para R$ 4 bilhões. Se somarmos tudo, teríamos recursos no montante de R$ 8 bilhões para doarmos para a saúde de nosso país. Seria muito mais importante que termos eleições este ano.

A tragédia do coronavírus colocou as democracias do mundo todo diante de novos e conflitantes desafios. O direito sagrado de ir e vir, pilar do ambiente democrático, precisa ser relativizado temporariamente em nome de algo maior e muito mais valioso: a vida humana. A sobrevivência da humanidade está acima de todos os outros valores. Não há civilização sem humanidade. Não há democracia sem humanidade. Precisamos fazer tudo para preservarmos o maior número de vidas e, depois dessa pandemia sanitária, fazer de tudo para dar suporte aos necessitados – dezenas de milhões – que serão duramente atingidos pela pandemia econômica de um mundo paralisado em todas as suas cadeias produtivas.

A política não pode ficar alheia a isso. Já ficou alheia demais, por muito tempo, e é hora mais que nunca de estar perto e em sintonia com seus únicos e verdadeiros donos: os eleitores, a população.

Não fosse o aspecto humanitário de destinar e concentrar o máximo de recursos possíveis para a única verdadeira prioridade nacional neste momento, o adiamento das eleições ainda atenderia a outras necessidades teóricas. Há muito se discute a importância de se unificar o calendário eleitoral brasileiro, fazendo coincidir todas as eleições, em todos os níveis, num ano só. A tragédia permite a correção dessa velha e sempre adiada solução. Também há aspectos da própria dinâmica das eleições, que num ambiente de pandemia não poderiam ser exercidos na plenitude democrática.

Estamos em plena pré-campanha dos partidos políticos para divulgação de suas plataformas. Quem prestará atenção a ideários partidários nesse momento? Ninguém. Os eleitores têm o direito de tirar o seu primeiro título até 6 de maio. Não poderão fazê-lo porque tudo está paralisado. Como seriam feitas, em 20 de julho, as convenções partidárias sem a possibilidade de aglomerações? E a Justiça Eleitoral parada? Reuniões partidárias para discussão de estratégias: como?

A democracia tem de estar onde está o povo. Tem de permanecer ao seu lado, ser solidária, com empatia, não pode se isolar. Essa foi a grande lição das crises que criaram amargor nos eleitores e os fizeram clamar por uma nova política. Particularmente, como político, não me agrada ver trincado o calendário eleitoral. Do ponto de vista abstrato do princípio democrático, não é o ideal. Mas não é hora de abstrações. É hora de entendermos a gravidade do momento e a excepcionalidade histórica sem precedentes dessa tragédia humana, econômica e social. Adiar as eleições é o mínimo que nós, políticos, temos de fazer em respeito aos nossos eleitores, aos seres humanos, aos brasileiros e brasileiras.

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