Coluna Política
  • domingo, 17 de janeiro de 2021, às 12:31h

    Profissionais de Saúde de Teresina estão apreensivos. As notícias que se espalham pelos corredores da Fundação Municipal de Saúde (FMS) são de que os contracheques referentes ao mês de janeiros de 2021 já não conter a gratificação por insalubridade no combate ao Covid-19. Além disso, os servidores que estavam em trabalho remoto ou afastados por pertencerem ao grupo de risco da pandemia de coronavírus foram obrigados a retornar ao trabalho presencial.

    Pessoa botou moral: Sindserm não fala com novo prefeito do jeito que falava com o antigo, não é Sinésio? (fotos: Jailson Soares | PoliticaDinamica.com)

    Se por vergonha, medo ou acordo, não se sabe, mas o SINDSERM (Sindicato dos Servidores Públicos de Teresina) silenciou diante da gestão do Dr. Pessoa (MDB). O curioso neste caso é que a insalubridade de 40% que os profissionais de Saúde estavam recebendo até aqui foi uma gratificação instituída pela gestão do ex-prefeito Firmino Filho (PSDB), criticado diária e fervorosamente pelo SINDSERM.

    O pagamento da insalubridade foi anunciado em abril de 2020 e alcançava todos os servidores na linha de frente do combate à pandemia, independente da natureza do vínculo profissional.

    Até aqui, o SINDSERM se limitou a, discretamente, solicitar a suspensão da portaria 003/2021 da FMS, que obriga o retorno dos servidores afastados. Sem nenhum tipo de manifestação liderada pelo coordenador Francisco Sinésio em frente à Prefeitura, FMS ou Câmara Municipal. 

    TEM CONDIÇÃO DE RECEBER GENTE DE FORA?

    Para aumentar a preocupação dos servidores, Doutor Pessoa aceitou receber pacientes vindos do Estado do Amazonas, onde a cepa mais contagiante do coronavírus já fez a capital Manaus viver seus piores momentos de toda a pandemia nos últimos dias.

    Segundo o prefeito, o Hospital Universitário criou vagas específicas para esses pacientes vindos de fora, o que não interfere na oferta imediata que já era oferecida pela FMS aos teresinenses.

    E o salário, ó: Pessoa teria cortado insalubridade de 40%, mandado servidores em grupos de risco voltarem ao trabalho presencial e mudado regras de gratificação; enquanto isso, recebe pacientes de fora do estado com nova cepa de coronavírus (foto: Jailson Soares | politicaDinamica.com)

    Perguntamos à Prefeitura de Teresina sobre o corte da insalubridade e as novas regras do Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ) de maneira objetiva, mas a FMS se dispôs a dizer apenas que “O Ministério da Saúde suspendeu recursos para o Nasf e COVID. Os recursos foram enviados até 31 dezembro. Não existe previsão de recursos do Ministério da Saúde para esses casos. A FMS está mantendo e ampliando assistência COVID mesmo sem aporte financeiro do Governo Federal. O prefeito está tentando recursos para manutenção de toda assistência que os pacientes precisarem”.

    Ou seja: Pessoa aceitou receber pacientes infectados com a nova cepa do coronavírus à pedido do Governo Federal, mas esqueceu de perguntar ao mesmo Governo Federal sobre o financiamento do combate à pandemia. Deixou servidores à mercê da própria sorte, sem compensação pelo risco e decepcionados com o tratamento dado pela nova gestão.

    E olha que o prefeito é médico.

    DEVE ESTAR DE FÉRIAS

    De algum jeito, Pessoa calou o sindicato que, antigamente, estava sempre se manifestando por qualquer motivo. O Política Dinâmica tem tentado insistentemente entrar em contato com alguém que fale pelo SINDSERM de maneira oficial. Não obtivemos sucesso, mas o espaço está aberto para manifestações posteriores.

    • R&G Feet
  • quinta, 14 de janeiro de 2021, às 15:59h

    O deputado estadual Pablo Santos (MDB) é um dos investigados da Operação Onzena, que apura fraudes em licitações, superfaturamento em compras, associação criminosa e desvio de recursos públicos. Porém, existe possibilidade de a operação ser anulada, pelo menos em parte e o caso do parlamentar virou uma polêmica jurídica sobre o foro privilegiado.  

    Pablo Santos preside a FEPISERH no Estado e indicou a presidência da Fundação Municipal de Saúde de Teresina; investigação contra ele abriu margem para polêmica (foto: Facebook)

    Sem analisar o mérito da investigação, mas observando o caminho processual dela, juristas divergem sobre a legalidade dos mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao deputado. Por não terem tido acesso ao inquérito da PF, os advogados criminalistas preferiram falar “em tese” e sem que seus nomes fossem divulgados.

    INSTÂNCIAS DIFERENTES

    Os mandados da Operação Onzena executados nesta quinta-feira (14) foram assinados pelo juiz substituto Leonardo Tavares Saraiva, da 1ª Vara Federal, que responde por processos criminais e de improbidade administrativa. É a primeira instância da Justiça Federal. E é uma situação diferente do que aconteceu dois dias antes, na terça-feira (12), na Operação Campanile, que apura fraudes no mesmo âmbito do “Covidão” do governo de Wellington Dias, mas teve autorização da segunda instância do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

    Se as operações são distintas, então qual o problema?

    Bem, na Operação Campanile, foi respeitado o foro privilegiado do secretário de Saúde Florentino Neto, que é um dos investigados. O cargo de secretário de Estado lhe garante foro especial por prerrogativa de função e, por isso, os mandados foram assinados por um desembargador na segunda instância da Justiça Federal. Coisa que para alguns juristas ouvidos pelo Política Dinâmica é diferente no caso do deputado Pablo Santos.

    Veja o que disse o delegado Allan Reis, da Polícia Federal, sobre a questão:

    Na condição de presidente da Fundação Hospitalar, hoje, Pablo Santos está licenciado do mandato parlamentar. Sem mandato e sem ser secretário, Pablo não teria direito ao tal foro tal foro privilegiado. É... “em tese”! Alguns criminalistas entendem assim mesmo e pode ter sido o entendimento do juiz federal que assinou os mandados.

    DIVERGÊNCIA

    Acontece que em 2017, quando a Assembleia Legislativa do Piauí aprovou uma Emenda à Constituição Estadual para permitir Pablo Santos a assumir a presidência da FEPISERH sem perder o mandato de deputado, a mesma emenda conferiu a esse cargo de presidente um “status” de secretário. Há um grupo de juristas que defende a ideia de que “ter” o status não é a mesma coisa de “ser” um secretário de Estado, ainda que o salário seja o mesmo.

    Pablo Santos confiou em emenda constitucional de 2017 para assumir presidência da FEPISERH no governo de Wellington Dias (foto: Ascom Governo do Estado)

    Para outros, com a Emenda Constitucional em questão valendo, ter o status de secretário e ser secretário são a mesma coisa. E por conta disso, dizem que houve um grave erro de competência quando o juiz Leonardo Tavares assinou os mandados.

    Na visão destes criminalistas, pelo menos o que diz respeito às investigações que tocam o deputado Pablo Santos, tudo o que for produzido nas investigações deve ser anulado.

    Tem mais: para alguns criminalistas ouvidos pelo PD, mesmo que o “cambalacho” legislativo de 2017 que permitiu Pablo assumir a FEPISERH seja de fato inconstitucional, um novo entendimento não pode retroagir para prejudicar o direito do deputado. Assim, a regra mudaria apenas daqui pra frente.

    É ver no que vai dar.

    Buscamos contato com a defesa do deputado Pablo Santos, mas não obtivemos retorno.

    • R&G Feet
  • quinta, 14 de janeiro de 2021, às 8:40h

    Um dia após a Polícia Federal entrar na Secretaria de Saúde do Piauí, o governador Wellington Dias (PT) foi lá na Prefeitura de Teresina dividir o desgaste com o prefeito da capital, Doutor Pessoa (MDB). O petista criticou a PF ao lado de Pessoa. Um dia depois, outra operação da mesma PF entra, agora, na fundação hospitalar que é comandada pelo deputado estadual Pablo Santos, emedebista igual ao prefeito e que indicou o presidente da Fundação Municipal de Saúde na gestão de Pessoa. O sinal de alerta está aceso.

    ALIADOS DIVIDIDOS

    A visita de Wellington Dias não estava publicada na agenda oficial do governador e dividiu opiniões entre os aliados do prefeito. Alguns acharam que foi um movimento de cortesia e humildade. 

    Wellington e Doutor Pessoa: o MDB já deixou a Prefeitura bem parecida com o Governo do Estado (foto: Jailson Soares | PoliticaDinamica.com)governo já bem parecidos

    Os menos iludidos e mais experientes entenderam que Wellington não queria estar sozinho ao criticar a Polícia Federal. E foi lá plantar uma narrativa de “perseguição”, surfando na popularidade que ainda tem o Doutor Pessoa.

    ESPERTEZA DE WELLINGTON

    O governador ainda não havia se manifestado sobre a Operação Campanile, que apura fraudes em dispensas de licitação da Secretaria de Saúde e superfaturamento em pagamentos feitos com recursos federais. E é de se esperar que soubesse que a lista de empresas visitadas pela PF era incompleta do ponto de vista dos pagamentos suspeitos de sua gestão. O empresário Jadyel Alencar não é uma celebridade apenas nas redes sociais; dentro do governo de Wellington, a sua Dimensão Distribuidora também faz sucesso. 

    Baixou a cabeça: Doutor Pessoa defendia tanto a ideia de "mãos limpas", mas ficou calado enquanto Wellington Dias criticava a Polícia Federal (foto: Jailson Soares | PoliticaDinamica.com)

    Por lógica, Wellington sabia que a PF visitaria outra vez seu governo, em breve, por conta do Covidão. Talvez não esperasse que fosse tão cedo, menos de 24 horas depois dele abrir a boca para dizer que a primeira visita foi um “espetáculo lamentável”.

    PÉSSIMO SINAL

    É um dia comum na rotina de Wellington Dias quando ele tem que falar mal da PF ou da Controladoria-Geral da União, que investigam todo tipo de corrupção no cardápio do governo dele. Para a imagem do Doutor Pessoa, avaliam alguns próximos dele, não foi o melhor aceno às instituições de controle externo. Aliados já recomendaram que o prefeito espere algumas semanas antes de posar para fotos com o governador outra vez. São os mesmos que não foram ouvidos por Pessoa quando este foi alertado: estava montando uma equipe política demais e com muita gente ligada ao governador Wellington Dias.

    COMUM DE DOIS

    De todo modo, Pessoa e Wellington tinham o que conversar, com certeza. O deputado estadual Pablo Santos é do mesmo MDB do prefeito de Teresina Dr. Pessoa e um parlamentar importante da base e do governo de Wellington. E foi dele a indicação de Gilberto Albuquerque para a presidência da Fundação Municipal de Saúde na gestão do Doutor Pessoa. Antes de assumir a FMS, Gilberto comandava o Hospital Getúlio Vargas por indicação do mesmo Pablo Santos.

    Gilberto Albuquerque, enquanto era diretor do HGV: reunião com Florentino e Pablo, investigados pela PF, e com o governador Wellington Dias (foto: Instagram)Gilberto foi indicado por Pablo para Fundação Municipal de Saúde na gestão do Doutor Pessoa (foto: Instagram)

    A reunião entre o governador e o prefeito foi feita a portas fechadas. A imprensa não teve acesso e, segundo informações, em determinado momento, a conversa foi “pé-de-ouvido” entre os dois apenas. Segundo Pessoa em entrevista após o encontro conversa administrativa, sem politicagem pelo meio.

    Sim, uma conversa com Wellington Dias que não tem política pelo meio, mas que a imprensa não podia acompanhar.

    E o boi dormiu depois que o prefeito disse isso.

    • R&G Feet
  • quarta, 13 de janeiro de 2021, às 11:04h

    A Polícia Federal ainda acha cedo para falar em propina. Mas não descarta que servidores da Secretaria de Saúde do Piauí tenham recebido vantagens indevidas para participar do esquema que supostamente direcionou contratos, superfaturou compras e soma mais de R$ 33,72 milhões de reais em pagamentos com recursos federais em apenas três deles.

    De todo modo, a investigação da PF que deu origem à Operação Campanile – deflagrada nesta terça-feira (12) – já tem uma certeza: os agentes públicos procuraram as empresas suspeitas, e não o contrário, como costuma divulgar o Governo do Estado do Piauí em casos assim.

    Cúpula da Sesapi na mira da PF: Alderico e Florentino investigados (foto: Ascom Governo do Estado)

    Não parece ter sido ao acaso que a Polícia Federal visitou endereços residenciais do secretário Florentino Neto (PT) em Teresina e em Parnaíba, nem do superintendente de Gestão de Rede de Média e Alta Complexidade da Secretaria Estadual de Saúde, médico Alderico Tavares, também na capital e na localidade Caiçara, parte baixa da cidade de Joca Marques. Outros endereços de diretores e coordenadores da SESAPI também foram visitados.

    Durante a coletiva de imprensa da Polícia Federal, a delegada Milena Calland deu a entender que a investigação é bastante grande. “(...) os crimes investigados são fraudes, fraude a licitação e de elevação de valores para... em prejuízo do Estado, e associação criminosa ou organização criminosa, falsidade ideológica, crimes relacionados a emissão de notas fiscais frias”, comentou a delegada.

    Sem citar nomes, também apontou que “...os investigados, eles atuavam em diretorias e em comissões. Na Comissão de Licitação, na Diretoria de Gestão, havia uma diretoria que fazia a destinação dos itens de medicamentos e equipamentos hospitalares (...) são diretorias... a diretoria que geria o Fundo Estadual de Saúde (...) são setores da SESAPI que manipulavam volumes consistentes e que estavam relacionados a estes contratos”.

    A esposa de Alderico, deputada estadual Janainna Marques (PTB), entregou ao marido no final de 2020 uma homenagem de "herói da Saúde", na Assembleia Legislativa (foto: ASCOM ALEPI)

    O lucro bruto das empresas envolvidas no suposto esquema pode ter chegado a 192% em alguns casos. Para adquirir camas hospitalares do tipo Fawler, por exemplo, a SESAPI pagou R$ 2.700,00, mas o mesmo item havia sido comprado pela empresa por R$ 1.123,00. Macas que entraram na empresa contratada por R$ 638 foram repassadas à SESAPI por R$ 1.474 a unidade. O próprio Alderico Tavares, numa reportagem publicada no Portal do Governo do Estado em agosto de 2020, fala sobre a aquisição das camas. Clique aqui para ler!

    Quando o superfaturamento acontece em compras feitas por dispensa de licitação, é melhor que ganhar na loteria. Afinal, você nem precisa contar com a sorte. Precisa apenas ter o “amigo” certo dentro do governo.

    • R&G Feet
  • terça, 12 de janeiro de 2021, às 16:14h

    O céu promete desabar na cabeça do atual secretário de Estado da Saúde, Florentino Neto, do PT. Um dos endereços visitados pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União durante a Operação Campanile é sua casa no município de Parnaíba. Mas o problema não é (apenas) este. Além de Florentino, pelo menos outros 5 diretores dele na Secretaria de Saúde também são alvos das investigações do Covidão no Piauí.

    Investigado: Florentino é suspeito de participar de esquema que superfaturou contratos na Secretaria de Saúde do Piauí durante a pandemia de Covid-19 (foto: Jailson Soares | Ascom PF | PoliticaDinamica.com)

    Segundo a delegada Milena Calland, as investigações da PF tiveram início no mês de junho de 2020, após uma denúncia, presencial, em que a fonte das informações abasteceu a polícia de informações sobre o suposto esquema e pediu para não ser identificada, o que de fato aconteceu. E após análise conjunta com a CGU, o que se verificou foi os “fortes elementos” da denúncia foram “ratificados facilmente”.

    Desenhando para que não haja dúvidas: a PF e a CGU já estavam investigando a SESAPI e as empresas envolvidas enquanto as despesas que somaram mais de R$ 33,72 milhões de reais eram ordenadas dentro da secretaria.

    Veja um resumo da coletiva de imprensa realizada pela Polícia Federal para comentar a Operação Campanile:


    “MIGUÉ” DE FLORENTINO

    Homem de confiança do governador Wellington Dias (PT), por meio de sua assessoria de imprensa, o secretário Florentino Neto alegou que sua gestão colabora com a Polícia Federal e com a Controladoria-Geral e sempre agiu com transparência.

    É mentira. Pura e simples.

    As investigações foram necessárias exatamente pela falta de transparência da gestão do petista. Segundo a PF, em pelo menos dois casos, a SESAPI pagou as empresas antes mesmo de haver contrato.

    Tem mais. Mesmo depois de pagar antes e assinar depois o contrato, em pelo menos um dos casos, a publicação no Diário Oficial se deu um mês após seu início.

    Veja nosso comentário na TV Dinâmica:

    “Isso é grave (...) fica difícil poder fazer algum monitoramento alguma fiscalização, algum acompanhamento, foi nesse sentido que as investigações fluíram”, comentou o Glauco Soares Ferreira, superintendente da CGU-PI, durante coletiva de imprensa.

    Veja a nota da SESAPI:

    NOTA OPERAÇÃO SESAPI

    A Secretaria de Estado da Saúde informa que colabora plenamente com as investigações da Polícia Federal deflagradas na manhã nesta terça (12). O órgão ressalta sua transparência e seriedade durante todo o trabalho de combate a pandemia do coronavírus e destaca que todos os procedimentos contratuais e licitatórios obedecem, rigorosamente, o que prevê a lei. A Sesapi reconhece o trabalho e o dever da polícia de investigar e irá mostrar, ao longo do processo, que não há nenhuma irregularidade em suas ações.

    • R&G Feet
  • segunda, 11 de janeiro de 2021, às 18:13h

    Nesta segunda-feira (11) o secretário de Turismo do Piauí, deputado estadual Flávio Júnior (PDT) assinou 3 contratos de repasse junto a Caixa Econômica Federal. O valor das obras em questão soma quase R$ 20 milhões de reais,a serem investidos em Barra Grande e na região do Cânion do Rio Poti.

    O mais badalado destino turístico do Piauí vai receber duas obras. No valor estimado de R$ 1,6 milhão de reais, a primeira delas é a revitalização da principal praça da localidade, a Praça Nossa Senhora da Conceição. Estão previstos serviços de paisagismo, pintura iluminação e instalação de bancos e passarelas de madeira para acesso às principais ruas no entorno.

    R$ 2,5 milhões em obras: ainda não é o valor à altura da importância que Barra Grande tem hoje para o Turismo do Piauí (foto: Reprodução)

    Também em Barra Grande e custando R$ 743 mil reais, deve ser criada uma estrutura turística de parque ambiental, chamada de Parque de Cajueiro da Praia. O local fica próximo aos grandes hotéis, pousadas, bares, restaurantes da vila. E deve contar até com um mirante, além de passarelas, quiosques e área de lazer infantil.

    Praça Nossa Senhora da Conceição vai ser revitalizada em Barra Grande (foto: reprodução)

    Custando oito vezes mais, a terceira obra é a pavimentação asfáltica do trecho de estrada entre o município de Buriti dos Montes até a Cachoeira da Lembrada. Um lugar muito bonito, mas que da última vez que o Política Dinâmica conferiu, recebe bem menos turistas que Barra Grande.

    Pelo menos não é dinheiro que vai para estradas vicinais que ninguém consegue fiscalizar -- e onde a secretaria de Turismo já torrou milhões de reais nos últimos anos.

    Segundo Flávio Júnior, a obra "beneficiará os moradores e turistas que visitam os atrativos da região e participam das festividades no município de Buriti dos Montes".

    Os recursos são provenientes de emendas parlamentares do pai do secretário do Turismo, o deputado federal Flávio Nogueira (PDT) e também do Ministério do Turismo.

    • R&G Feet
  • segunda, 11 de janeiro de 2021, às 15:26h

    A equipe do vice-prefeito Robert Rios (PSB), atual secretário de Finanças, divulgou hoje (11) a nova tabela de pagamento dos servidores municipais de Teresina. E ao estabelecer até a data do 13º salário já na segunda semana de janeiro, o anúncio enfraquece as declarações de integrantes do Palácio da Cidade sobre Doutor Pessoa (MDB) ter recebido uma Prefeitura "quebrada" do ponto de vista financeiro.

    Enquanto pela regras da CLT as empresas são obrigadas a pagarem seus funcionários até o 5º dia útil do mês seguinte, a Prefeitura de Teresina na gestão do ex-prefeito Firmino Filho (PSDB) efetuava seus pagamentos em apenas quatro dias. O início dos repasses começavam ainda dentro do mês trabalhado e terminavam no segundo dia útil do mês seguinte. É bem diferente do que se vê no Governo do Estado, por exemplo.

    Pessoa e Robert: anúncio da tabela desmancha discurso de "Prefeitura quebrada" e aponta que tranquilidade fiscal da capital (foto: Jailson Soares | PoliticaDinamica.com)

    Seguindo uma tradição estabelecida nos últimos anos por Firmino, a gestão do Doutor Pessoa (MDB) vai pagar os salários do funcionalismo público municipal de acordo com as pastas de origem de cada servidor.

    Veja a tabela abaixo:

    Professores serão os primeiros a receber, seguidos pelos gabinetes do Prefeito e Vice-prefeito e dos Vereadores. Os médicos e demais servidores da Fundação Municipal de Saúde ficaram por último.

    Dr. Pessoa destacou que o pagamento regular dos servidores será compromisso da sua gestão. “Nossa primeira ação no âmbito das finanças foi garantir que o salário do servidor seja pago religiosamente em dias, por isso, determinamos à Secretaria de Finanças que a prioridade seria o pagamento da folha do servidor”, diz o prefeito.

    • R&G Feet
  • segunda, 11 de janeiro de 2021, às 11:25h

    Oito dos treze integrantes da bancada federal do Piauí tomaram café da manhã com o presidente da Assembleia Legislativa do Piauí, o deputado estadual Themístocles Filho (MDB). Na pauta da reunião, projetos para a capital do Piauí e o que cada um deles pode fazer quanto a destinação de emendas para Teresina. Eleito por Themístocles Filho, o atual prefeito de Teresina também foi convidado e participou da reunião.

    É de Themístocles Filho a condução da articulação política e institucional da gestão de Dr. Pessoa; na foto, o presidente da Alepi ao lado do coordenador da bancada federal Átila Lira e dos senadores Marcelo Castro e Elmano Ferrer (foto: Ascom ALEPI)

    Segundo Themístocles, “nós convidamos os deputados para uma reunião com o prefeito da nossa capital, Dr. Pessoa, para sabermos quais as principais obras e onde ele deseja o apoio decisivo da bancada para que a prefeitura possa executar estas obras”. A condução de toda a reunião foi dele.

    A movimentação do presidente da ALEPI foi encarada nos bastidores como estratégia para minar a influência do “primeiro-ministro” e secretário de Planejamento de Dr. Pessoa, João Henrique Sousa. E para demonstrar aos políticos quem é que tem força de verdade dentro da Prefeitura. Se a reunião era sobre investimentos em Teresina, poderia ter acontecido exatamente na sede da PMT, onde técnicos dos mais diversos setores da administração pública poderiam apresentar as demandas de investimentos.

    Veja as fotos do encontro:

    A reunião ter sido exatamente na ALEPI -- e não ter contado com a presença de João -- não é mero acaso. O resultado prático para o Município de Teresina é nenhum. Mas o encontro serviu para uma coisa. Também foi um recado ao governador Wellington Dias (PT), a ser repassado por sua esposa, a deputada federal Rejane Dias (PT), que esteve presente. Há semanas Wellington tem tentado se comunicar diretamente com Dr. Pessoa, mas suas ligações não são atendidas nem retornadas. Agora, ele já sabe para quem ligar.

    Junto aos demais convidados, Dr. Pessoa ficou atento ao que dizia Themístocles Filho (foto: Ascom ALEPI)

    “Espero que Teresina esteja inserida no progresso, junto com as emendas parlamentares vindas de Brasília. Não estamos isolados do restante dos municípios do Piauí, consequentemente, espero que os parlamentares separem emendas individuais e de bancada para nossa cidade”, disse o prefeito aos deputados e senadores presentes.  

    Estavam na Reunião os senadores Marcelo Castro (MDB) e Elmano Ferrer (PP), e os deputados federais Marina Santos (SDD), Fábio Abreu (PL), Flávio Nogueira (PDT), Marco Aurélio Sampaio (MDB), Rejane Dias (PT) e o coordenador da bancada Átila Lira (PP).

    • R&G Feet
  • sábado, 09 de janeiro de 2021, às 15:43h

    Aos que desconfiavam que Robert Rios (PSB) não fosse saber conduzir a Secretaria de Finanças por não ser um técnico da área, fica a informação: lá já tem gente que sabe o que fazer. O prefeito Dr. Pessoa (MDB) nomeou Odimirtes Neves para o cargo de Tesoureira Geral do Município.

    Wilson tinha Robert como secretário de seu governo e Odimirtes cuidando das finanças; a inovação de Pessoa na Prefeitura foi copiar Wilson? (foto: Youtube)

    De onde virá o dinheiro para financiar a gratuidade de estudantes no sistema público? Como fazer para melhorar esse sistema sem aumentar o valor da passagem? Como conceder o reajuste prometido na campanha a professores? Como fomentar a economia da capital quando não houver mais auxílio emergencial do Governo Federal sem aumentar impostos e se livrando a “indústria da multa” criticada na campanha?

    “Nem roubar, nem deixar ninguém roubar”, é a frase que repete seguidas vezes o atual prefeito de Teresina quando questionado como solucionar os problemas financeiros da Prefeitura.

    Para os mais esquecidos, vamos lembrar: Odimirtes era a superintendente do Tesouro Estadual durante a gestão de Wilson Martins (PSB). Na prática, quando o assunto era pagamento, mandava mais que o próprio secretário de Fazenda, Silvano Alencar. Sem roubar, nem deixar roubar, acredita-se.

    A nomeação de Odimirtes consta no Anexo do Diário Oficial do dia 4 de janeiro de 2021, que você confere aqui!

    O "Rafael Fonteles" de Dr. Pessoa: Odimirtes será a Tesoureira da Prefeitura de Teresina (foto: ASCOM Governo do Estado do Piauí)

    Os fornecedores que mantinham contratos com o Governo do Estado à época certamente lembram. Todos, aliás, lembram sempre com boas histórias para contar!

    Pessoa segue cumprindo pelo menos uma promessa de campanha: a de “surpreender muita gente”.

    • R&G Feet
  • sábado, 09 de janeiro de 2021, às 11:15h

    Tão logo o Política Dinâmica publicou informações sobre a disputa interna no MDB entre o senador Marcelo Castro e o deputado Themístocles Filho, um secretário de Dr. Pessoa entrou em contato. Com discurso polido, ponderou que nem um, nem outro vai envolver a Prefeitura de Teresina em pré-campanha ou disputa pelo Governo do Estado.

    "Acredito que seja um momento prematuro para qualquer discussão. Compreendemos que a grande vitória do Dr. Pessoa deixou muita gente eufórica na perspectiva futura de 2022, mas neste momento, ninguém aqui quer se envolver nesse tipo de disputa. Nosso prefeito quer todo mundo trabalhando e entregando resultados. Tem muita coisa pra fazer aqui, não podemos entrar em jogos de vaidades", disse o experiente político, como se mandasse um recado indireto para alguém.

    Se alguém for usar a Prefeitura de Teresina em campanha de governador em 2022, parece que não será outra pessoa que não o próprio prefeito (foto: Jailson Soares | PoliticaDinamica.com)

    Afirmando que o Piauí vai se surpreender de maneira positiva com o resultado do primeiro ano da gestão de Pessoa, o secretário do atual prefeito de Teresina ainda brincou para deixar uma ideia no ar. "De repente, a gente chega em 2022 com os piauienses querendo esse modelo no estado inteiro. Aí Teresina, inevitavelmente, terá que se envolver, Marcos Melo".

    Questionamos o secretário sobre a idade de Dr. Pessoa (ele tem 74 anos) e a disposição dele para uma disputa ainda mais puxada que a de prefeito. "Temos um homem que é incansável. E os '70' são os novos '50', meu caro. Ter essa idade 30 anos atrás era uma coisa, hoje é outra. Sabia que o Marcelo tem 70? E o Themístocles tem 63 anos. A diferença entre eles não é tão grande. São homens realizados que agora só querem fazer o melhor pelo bem do Piauí. Mas eu acho que o Pessoa caminha bem mais que os dois", ponderou.

    Se a gente olhar para a maneira como Dr. Pessoa conseguiu colocar todos os deputados do MDB dentro de sua gestão -- bem mais política do que técnica, diga-se de passagem --, não é estranho pensar que, lá na frente, ele realmente não possa reivindicar uma candidatura também.

    Mas se tem alguma coisa importante no que disse o secretário ao PD, essa coisa é que tá na hora de trabalhar e não apenas dizer que vai. 

    • R&G Feet
  • quinta, 07 de janeiro de 2021, às 13:10h

    Entre os anos de 2019 e 2020, segundo o Mural de Contratos do Tribunal de Contas do Estado do Piauí, a Secretaria de Agronegócios do Piauí contratou R$ 17.683.451,93 em serviços. Nada menos que 72,12% desses recursos foram para as empresas de Felipe Santana Machado, o Felipinho.

    Felipinho, Simone, Georgiano e Júlio César: quem olhar bem de perto também vai desconfiar que não existe coincidência (foto: Facebook | Jailson Soares | PoliticaDinamica.com)

    Segundo se comenta nos bastidores, as vitórias das empresas Poty Construções e Empreendimentos Imobiliários LTDA e da Felipe de Santana Machado EPP tem menos a ver com licitação e mais a ver com eleição. A SEAGRO é controlada pelo deputado estadual Georgiano Neto e seu pai, o deputado federal Júlio César Lima, donos do PSD.

    Em 2022, Georgiano vai disputar a eleição de deputado federal no lugar do pai. A atual secretária de Agronegócio, Simone Pereira (uma segunda mãe para Georgiano), deve disputar a vaga de estadual no lugar de Georgiano (a contragosto de um irmão dele); e Júlio César quer ser o vice-governador na chapa do atual secretário de Fazenda, Rafael Fonteles (PT). É sabido por todos os pregoeiros do Piauí -- e por qualquer um que se atreva a receber em dia depois de ter prestado serviço ao Estado -- que um dos melhores amigos de Felipinho carrega no pescoço a chave do cofre do governo de Wellington Dias. Felipinho é hoje o empresário que mais ganha em volume e o que recebe mais rápido recursos do Governo do Estado no ramo da construção civil.

    A soma dos atuais contratos de Felipinho com a SEAGRO passa dos R$ 12,7 milhões, segundo informações do TCE-PI. E de acordo com o Diário Oficial do Estado, todos os contratos foram aditivados e prorrogados pela secretária Simone Pereira por mais um ano no dia 30 de dezembro de 2020.

    Na mesma edição do DOE, a SEAGRO publicou aviso de 9 novas licitações de obras e serviços de engenharia. Calçamento, asfalto, estradas vicinais... Juntas, devem custar mais de R$ 15,25 milhões. E somadas às demais licitações anunciadas para 2021 pela SEAGRO até aqui, serão mais de R$ 41,12 milhões de reais em obras. 

    É muita coisa. 

    E adivinhe você, leitor, quem vai ganhar.

    O QUE DIZEM OS CITADOS

    Não conseguimos contato com Felipe Machado. A secretária Simone Pereira e os deputados Georgiano Neto e Júlio César Lima foram contatados por meio de Whatsapp. Nenhum respondeu até a publicação desta matéria, mas o espaço continua aberto para manifestações. 

    Segue o texto enviado aos citados:

    Boa tarde,

    Gostaríamos que a SEAGRO comentasse o fato de que as empresas do Sr. Felipe Santana Machado (Poty e FSM EPP) venceram 16 das 18 ultimas licitações de obras da pasta, que somam 72% do valor de todos os contratos da SEAGRO entre 2019 e 2020.

    1. As licitações foram direcionadas?
    2. Existe acordo político envolvendo a SEAGRO, o sr. Felipe Machado e os deputados Júlio Cesar Lima e Georgiano Neto, que controlam a secretaria?

    3. As empresas de Felipe Machado serão vencedoras das próximas licitações da SEAGRO no tocante a obras de construção civil? 

    • R&G Feet
  • quarta, 06 de janeiro de 2021, às 19:00h

    O governador Wellington Dias (PT) vai iniciar uma série de conversas individuais com os parlamentares de sua base. Para 2022, serão três as opções de partidos para que eles estejam filiados: PT, MDB e PSD. São os partidos que têm, hoje, musculatura proporcional para disputar cadeiras na Assembleia e na Câmara Federal. Nada de dizer que vai votar no candidato da base e permanecer filiado a partido "independente" ou de oposição, principalmente se este partido for o Progressistas.

    As primeiras conversas serão com os presidentes do MDB, PT e PSD, respectivamente, o senador Marcelo Castro, o deputado estadual Limma e o federal Júlio César. 

    Marcelo, Limma e Júlio: os presidentes estaduais do MDB, PT e PSD devem ser comunicados em breve da estratégia para ajudar a criar o ambiente de mudanças dentro da base (fotos: Jailson Soares | PoliticaDinamica.com)

    Nessa situação estão hoje os estaduais Firmino Paulo, Hélio Isaías e Wilson Brandão, além da federal Margarete Coelho. Wellington conta com todos eles ao seu lado, mesmo que Ciro Nogueira seja candidato a governador pela oposição -- coisa que na avaliação dos governistas, está perdendo fôlego, principalmente depois que o senador perdeu Teresina nas eleições de 2020. E desta vez, não poderá haver dúvidas. A permanência no controle de secretarias vai seguir esse critério.

    DESPERDÍCIOS E SUPLENTES

    Com o fim das coligações -- e com a tendência de que esta seja a regra para 2022 -- Wellington quer facilitar a convocação de suplentes (um número grande de partidos dificulta a acomodação dos que não foram eleitos). E também quer evitar que a base desperdice votos em partidos menores, deixando escapar cadeiras na ALEPI e na Câmara Federal, visto que parte dos deputados da base são "ilhas" de voto em partidos sem "escadinha". 

    Este é o caso do deputado federal Flávio Nogueira e do estadual Flávio Junior, seu filho, ambos ainda filiados ao PDT, mas em trânsito para o REPUBLICANOS, onde já está o estadual Gessivaldo Isaías. Neste caso específico desta sigla, Wellington estaria avaliando também que Ciro Nogueira teria influência nacional sobre o caminho do partido e não quer dar espaço a contratempos.

    Além deles, também Evaldo Gomes, hoje no Solidariedade, vai ter que ir para um dos partidos grandes. Nos cálculos dos governistas, Evaldo teria uma reeleição inviável fora de um destes partidos. O deputado estadual Oliveira Neto, do Cidadania (antigo PPS), também deverá trocar de partido.

    PTB e PL

    No caso destes dois partidos, as conversas são mais delicadas. Apesar de respeitar a liderança de João Vicente Claudino no PTB e do deputado Fábio Xavier no PL -- e a bancada de cada sigla na ALEPI, são 2 deputados do PTB e 3 do PL -- Wellington quer saber se os partidos possuem condição de fazer deputados federais.

    • R&G Feet
  • domingo, 03 de janeiro de 2021, às 10:15h

    Coisa inédita no Piauí aconteceu na terra natal de Wellington Dias (PT). No apagar das luzes de 2020, o governador mandou o secretário Florentino Neto (PT) pegar de volta para o Estado a gestão da Unidade Mista de Saúde. Os motivos, segundo apurou o Política Dinâmica, são dois: manter uma gestão política para sua família no município e, principalmente, impedir que o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) mande recursos para cidade e fortaleça, assim, a imagem do senador Ciro Nogueira (PP).

    Sim, tudo se trata de 2022. Segundo fonte do PD dentro da secretaria de Saúde, “o que aconteceu lá em Paes Landim é inédito”. A Unidade Mista de Saúde, aliás, tem o nome do avô de Wellington Dias, Félix Barroso, que já foi prefeito da cidade e era pai de seu pai. A UMS foi municipalizada em 2007, durante o segundo mandato de Wellington.

    Wellington Dias já garantiu cargo público e manutenção de força política para sua família em Paes Landim; na foto, Gutim, sua esposa Keylane, que vai comandar a UMS, e o governador Welligton Dias (foto: Facebook)

    WELLINGTON X CIRO

    A retomada da UMS foi uma jogada política tão urgente que foi realizada numa canetada do secretário Florentino Neto no dia 25 de dezembro, feriado de Natal. A portaria foi publicada no Diário Oficial do dia 28 de dezembro, mesma edição que traz a nomeação da ex-primeira-dama da cidade e esposa do primo de Wellington, o ex-prefeito Gutemberg Araújo, o Gutim do PT, que não conseguiu se reeleger em 2020.

    Pressa muita: Florentino tomou a UMS no dia de Natal, 25 de dezembro (imagem: reprodução)

    O primo de Wellington foi derrotado por Thalles Marques, filiado ao Progressistas do senador Ciro Nogueira. Foram apenas 58 votos de diferença, mas a simbologia do resultado foi expressiva: Wellington e o PT rejeitados na “casa” do próprio governador. Com todos os parentes perdendo os cargos na Prefeitura e sem ter onde fazer favor em troca de votos, o jeito foi o governador retomar a UMS, que na cidade tinha um dos maiores quadros de funcionários, comissionados e contratos temporários da gestão municipal.  

    Esposa de Gutim já está nomeada para mandar na UMS em Paes Landim (imagem: reprodução)

    “Escutei por aqui que por conta da derrota do parente dele, o governador não quer o Ciro [Nogueira, senador] mandando dinheiro pra lá, porque é a cidade dele [Wellington] e também porque se chegar muito recurso federal, isso faria bem para a imagem do presidente [Jair] Bolsonaro”, revela a fonte.

    É pessoal: Wellington Dias estaria agindo para impedir que Ciro Nogueira e Jair Bolsonaro tenham imagem melhor que a sua própria em Paes Landim (foto: Jailson Soares | politicaDinamica.com)

    EXISTEM OUTROS CASOS QUE SÃO URGENTES

    Ainda segundo essa pessoa que trabalha na Secretaria de Saúde, por atrasos no repasse do cofinanciamento do setor, há casos mais urgentes precisando de atenção em municípios onde o atendimento não corresponde à demanda, provocando um efeito dominó que, em último caso, “pressiona fortemente” o sistema de Saúde de Teresina.

    Sem olhar prioridades: gestão política da SESAPI está sacrificando atendimentos pelo interior do Piauí e sobrecarregando Teresina (foto: Jailson Soares | PoliticaDinamica.com)

    “Não quero avaliar do ponto de vista político. O que posso garantir, vendo nossos números aqui, é que, do ponto de vista técnico, temos dezenas de outros casos mais urgentes de prefeituras que não conseguem manter o atendimento de saúde em hospitais e unidades de saúde que foram municipalizadas lá atrás. Não vejo que esse seja o caso em Paes Landim. Em Palmeirais, temos um caso bem mais urgente, por exemplo, de hospital que poderia voltar para o controle do Estado”, argumenta a fonte.

    E só essa denúncia já é o bastante para o Ministério Público do Estado do Piauí solicitar informações à SESAPI. O Política Dinâmica solicitou, mas até a publicação desta matéria, ainda não havia recebido qualquer resposta.

    INFORMAÇÕES SOLICITADAS:

    Por meio de Whatsapp, solicitamos à assessora de imprensa da SESAPI, Élida Sá, informações sobre o caso. A mesma mensagem foi enviada para o número do secretário Florentino Neto. Os servidores da SESAPI, segundo a assessoria de imprensa, estão de recesso desde o dia 31 de dezembro de 2020.

    Bom dia, Élida.

    Precisamos de informações sobre a Portaria SESAPI/GAB nº 747, de 25 de dezembro de 2020. Ela trata da reestadualização da Unidade Mista de Saúde de Paes Landim.

    1. Por qual motivo a SESAPI retomou o controle da UMS?

    2. Houve gestão política do governador Wellington Dias para que a UMS permanecesse sob controle de sua família na cidade?

    3. Que critérios foram levados em consideração para o ato do sr. secretário de Saúde, Florentino Neto, neste caso?

    4. Existe o planejamento do Governo do Estado do Piauí para retomar outras unidades básicas ou mistas de saúde em outros municípios?

    5. Existe um estudo sobre o impacto financeiro sobre essas retomadas? Ou pelo menos sobre a retomada da UMS em Paes Landim?

    Aguardamos o quanto antes as respostas.

    Atenciosamente,

    Marcos Melo

    Política Dinâmica

    • R&G Feet
  • quinta, 31 de dezembro de 2020, às 10:29h

    As primeiras denúncias foram publicadas pelo perfil O Piauiense no Instagram há uma semana. Os resultados de editais bancados com recursos federais dentro da Secretaria de Cultura estariam contemplando empresas fora do setor artístico e de entretenimento. No final da manhã desta quarta-feira (30), a plataforma Custo Piauí conseguiu no Tribunal de Contas do Estado uma liminar para suspender um dos editais, ou seja, nada de pagamento até que haja análise da concorrência. Por fim, no início da noite de ontem, foi a vez do Ministério Público Federal solicitar à Polícia Federal a instauração de inquérito para investigar possíveis irregularidades.

    Fábio e Wellington: novo escândalo federal nos últimos dias de 2020 (foto: Jailson Soares | politicaDinamica.com)

    Os recursos federais em questão são oriundos da Lei Aldir Blanc (Lei 14.017/2020), que trata de ações emergenciais destinadas ao setor cultural em decorrência do estado de calamidade pública causado pela pandemia da covid-19. O jornalista Petrus Evelyn – criador de O Piauiense – apontou diversos resultados questionáveis nas listas de contemplados do edital “Seu João Claudino”: tinha academia de ginástica, padaria, bandas que fazem apologia e incentivam o estupro. E a denúncia ganhou as redes sociais. Acompanhe no perfil O Piauiense:


    Polêmica atrás de polêmica, mais de 120 classificados nas primeiras listas foram desclassificados em listas de erratas publicadas pela Secretaria de Cultura. O próprio Fábio Novo reconheceu erros em alguns casos e apontou que outras denúncias eram distorcidas e maliciosas.

    Veja o que disse Fábio Novo em suas redes sociais:


    Mas a atenção das autoridades foi capturada, ao que parece, quando dois casos mais específicos foram divulgados. A empresa DV Produções foi responsável pelo audiovisual da campanha eleitoral do secretário Fábio Novo (PT) e cobrou do petista R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais) pelo serviço. E, por coincidência ou não (é um dos pontos que será investigado), um mês depois das eleições foi contemplada com o mesmo valor no edital “Afrânio Castelo Branco”, que também é financiado com recursos público federais da Lei Aldir Blanc.

    O outro caso é o da Associação dos Moradores do Itararé no mesmo edital. A AMI foi contemplada no resultado preliminar com um valor de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais). Durante anos a entidade foi presidida por Scheyvan Lima, que atualmente faz parte do Conselho responsável exatamente por avaliar os projetos e definir os ganhadores dos editais Seu João Claudino e Afrânio Castelo Branco.

    Scheyvan premiou a instituição que ele mesmo comandava e da qual é atual diretor; ele será o "secretário" de cultura de Teresina a partir de amanhã (foto: reprodução)

    Além disso, Scheyvan é dos quadros do Solidariedade, o partido do deputado Evaldo Gomes, e que compôs a coligação majoritária de apoio a Fábio Novo nas eleições de Teresina. Mas antes de ser do partido de Evaldo Gomes, Scheyvan foi do PCdoB, partido do atual secretário de Governo de Wellington Dias. A página da AMI no Facebook tem dezenas de fotos de eventos do PCdoB em suas dependências e o partido fez parte, também, da aliança eleitoral que apoiou Fábio Novo em 2020.

    Scheyvan chegou a ser cotado para vice de Novo e a partir de amanhã (1º) vai comandar a Fundação Monsenhor Chaves, o órgão de cultura da Prefeitura de Teresina na gestão do Dr. Pessoa, por indicação de Evaldo e de sua filha, a vereadora eleita Fernanda Gomes.

    Até o momento, nenhuma palavra do governador Wellington Dias (PT). É como se a confusão nem fosse da gestão dele.

    Mas é.

    • R&G Feet
  • segunda, 28 de dezembro de 2020, às 17:20h

    Quando cumpriu mandados de busca e apreensão nas empresas que fazem parte da organização criminosa investigada pela Operação Topique, a Polícia Federal encontrou mais do que se poderia imaginar. Há vários documentos que apontam: o esquema extrapolou as licitações da Secretaria de Educação, sob o comando da deputada federal Rejane Dias.

    Carlos Edilson e Daniel Oliveira: na época, o primeiro era o subsecretário do segundo na Justiça (foto: Instagram)

    Uma anotação encontrada numa das agendas de Paula Rodrigues de Sousa -- gerente financeira da organização criminosa -- aponta que havia planos para fraudar uma licitação de veículos na Secretaria de Justiça e Direitos Humanos. Com data do dia 27 de setembro de 2017, Paula escreveu um lembrete: “Preparar orçamentos para SEJUS”.

    Logo em seguida vem a relação das empresas que deveriam participar de duas disputas: locação mensal e por diária. Todas elas empresas controladas pelo empresário e ex-filiado ao PT Luiz Carlos Magno da Silva, que também já fez parte dos quadros da SEDUC.

    Esta é uma das muitas anotações encontradas pela PF durante os mandados de busca e apreensão (foto: PoliticaDinamica.com))

    Durante o ano de 2017, a SEJUS mantinha pagamentos regulares com a LC Transporte Escolar (dependendo do contrato, também aparecendo como Locar Transportes), a principal empresa do esquema de desvio de recursos da Educação. Só naquele ano, a SEJUS realizou pagamentos que somam R$ 1.147.830,00 (hum milhão cento e quarenta e sete mil oitocentos e trinta reais).

    Na época em que esses pagamentos eram realizados, a mesma empresa patrocinava viagens, dava mesadas, pagava contas e até premiava com casas quitadas servidores da SEDUC. Dentre eles, Helder Jacobina, que iniciou a terceira gestão de Wellington Dias (PT) esquentando a cadeira de secretário de Educação para Rejane Dias, a primeira-dama, poder sentar-se em seguida.

    Suspeito: Daniel Oliveira era cota pessoal de Rejane Dias dentro da gestão de seu marido; na SEDUC, todo mundo com poder de decisão foi envolvido no desvio de recursos em contratos de aluguel de veículos (foto: Jailson Soares | PoliticaDinamica.com)

    À época, Rejane não tinha ascendência apenas na SEDUC. A indicação de Mauro Eduardo para a Secretaria de Inclusão da pessoa com Deficiência e de Daniel Oliveira para a pasta da Justiça passaram pelo crivo da deputada, sendo também parte de sua cota pessoal na gestão. Daniel sempre foi muito próximo a Rejane, tendo sido, inclusive, seu advogado de campanha.

    Detalhe: Helder Jacobina, réu na Operação Topique por lavagem de dinheiro e por corrupção passiva, também é advogado. E fazia parte dos quadros do escritório Carvalho & Oliveira Advogados Associados, o escritório de Daniel. Isso, logo antes dos dois fazerem parte do primeiro escalão do governo de Wellington em 2015.

    Daniel e Helder eram do mesmo escritório antes de cada um assumir uma secretaria na gestão de Wellington na cota de Rejane Dias; ambos ordenaram despesas para empresas investigadas pela Operação Topique (foto: reprodução do site Código Do Poder)

    A Polícia Federal entende que os contratos entre as empresas da organização criminosa e as demais secretarias de Estado devem ser investigados pela própria PF. Isso porque, ainda que os recursos nestes casos não sejam federais, os pagamentos se deram por força de adesão aos pregões montados para desviar recursos da SEDUC, um crime continuado.

    O Política Dinâmica procurou os advogados Daniel Oliveira e Carlos Edilson (à época dos fatos, secretário e subsecretário da SEJUS, respectivamente) para comentar o fato. A eles, por meio de suas atuais assessorias de imprensa, foi questionado se trabalharam para direcionar contratos de locação, se conheciam Luiz Carlos Magno, e se receberam vantagens pessoais para garantir os contratos com as empresas da organização criminosa.

    Até o momento, não obtivemos resposta. O espaço está aberto.

    • R&G Feet


voltar para 'Política Dinâmica'