Coluna Política
  • sexta, 19 de março de 2021, às 10:58h

    Greve no transporte público, saúde em colapso, distribuição de secretarias para políticos. Não é o que se esperava da nova gestão de Teresina antes mesmo dos 100 primeiros dias do Doutor Pessoa (MDB). Aí, na última semana, o prefeito distribuiu a informação de que havia "encontrado" 5 mil tablets "abandonados" na Secretaria de Educação. Teriam sido adquiridos por R$ 28 milhões, num preço unitário de R$ 5.600,00 e nunca utilizados, segundo a versão oficial de Pessoa.

    A narrativa da PMT sobre o caso é de que houve superfaturamento e abandono do material; na verdade, equipamentos foram adquiridos por licitação, num valor bem menor que o divulgado por Pessoa e vinham sendo utilizados até a pandemia (foto: Jailson Soares | politicaDinamica.com | ASCOM PMT)

    Seria uma lástima se a denúncia fosse verdadeira. Se fosse veradeira, aliás, merece uma denúncia formal ao Ministério Público. O Política Dinâmica entrou em contato com a Prefeitura de Teresina para tratar do assunto. Questionamos sobre quando a PMT iria formalizar uma denúncia contra a gestão anterior, diante de uma situação que, se verdadeira, seria criminosa. Mais uma vez a PMT não respondeu.

    Parece, então, que é uma mentira infeliz.

    Primeiro: não são tablets, mas notebooks. Segundo: não foram "encontrados", por que não estavam escondidos ou abandonados. Estavam guardados. Terceiro: não foram adquiridos por R$ 28 milhões, mas por R$ 5 milhões, com preço unitário de R$ 935,00. É muita diferença para não se imaginar que foi algum "engano". Foram adquiridos em 2014 e utilizados desde então.

    Doutor Pessoa e o atual secretário de Educação de Teresina, Nouga Cardoso, sabem da existência e localização dos equipamentos desde a primeira semana da nova gestão. Mas a "denúncia" só apareceu agora, quase três meses depois. 

    Pessoa disputou com Kleber as eleições de 2020; sua equipe de marketing recomendou "reacender" a disputa para desviar o foco das crises da nova gestão de Teresina (foto: Jailson Soares | politicaDinamica.com)

    O ex-secretário de Educação, Kleber Montezuma, disse ao Política Dinâmica que os equipamentos faziam parte de um programa específico de ensino e aprendizagem, desenvolvido dentro do ambiente de sala de aula. Há depoimentos e provas de que eram utilizados pelos alunos do Ensino Fundamental.

    Infelizmente, segundo o ex-secretário, os programas foram interrompidos pela pandemia de Covid-19, que obrigou escolas públicas e privadas a fecharem suas portas. Para que o equipamento não fosse roubado de dentro das unidades escolares -- basta uma busca rápida na internet para ver notícias sobre arrombamentos constantes em escolas do Município e do Estado -- os equipamentos foram guardados no depósito da Secretaria de Educação.

    Mais uma que Pessoa joga pra plateia. Fazer, que é bom, nada.

    Kleber Montezuma, posteriormente, emitiu uma nota à imprensa sobre o assunto, onde se referiu aos equipamentos como sendo "Tablets" para enfatizar que se trata do mesmo equipamento que a atual gestão divulgou como sendo "abandonado".

    Veja abaixo:

    “A secretaria de educação de Teresina (Semec), à época em que o secretário de educação foi o professor Kleber Montezuma, tinha como política de gestão adquirir máquinas e equipamentos necessários para uso administrativo e pedagógico de modo planejado e através de procedimentos licitatórios públicos.

    A rede municipal de ensino de Teresina conta com mais de trezentos prédios escolares e cerca de noventa mil alunos matriculados e cerca de quatro mil professores.

    Então, para atender a todo esse universo de escolas e de alunos e de professores, a secretaria de educação comprou, à época, máquinas e equipamentos diversos tais como carteira escolar, mesa, cadeira, freezer, geladeira, fogão, panelas, aparelho de ar-condicionado, data-show, computador, notebook entre outros. Desse modo, se se for a qualquer um dos depósitos sob a responsabilidade de guarda da Semec é possível encontrar muitos desses equipamentos e máquinas que, de acordo com a necessidade de escolas e/ou de programas ou projetos da secretaria de educação, podem ser entregues às escolas para os devidos fins.

    No caso dos citados Tablets, a compra foi efetuada para atender a projetos pedagógicos que a secretaria de educação desenhou com vista a levar para escolas da rede municipal – ensino fundamental II – tecnologias facilitadoras para aluno e para professor em sala de aula. À época, foram adquiridos cerca de 5.228 Tablets e foi pago R$ 4.885.043,02 Reais. A esse valor, cada um dos Tablets custou cerca de R$ 934,40 Reais.

    Vale dizer ainda que, dentre os projetos previstos, os citados equipamentos também foram destinados para uso por parte de alunos, no ensino fundamental II, que participavam do projeto Letramento em Programação, desenvolvido em escolas, através de uma parceira feita entre a Semec, o Instituto Ayrton Senna, a universidade estadual do Piauí e o Centro Unificado de Inovação Aplicada.

    O projeto de Letramento em Programação iniciou atendendo a alunos do 6º Ano de ensino fundamental, em várias escolas, e, a cada ano, o projeto previa o ingresso de novos alunos no curso de Letramento.

    No decorrer de implantação desses projetos aconteceram fatos supervenientes que levaram a gestão superior da Semec, à época, a sustar a ampliação do projeto e, mesmo, a suspender a sua execução nas escolas. O ano de 2020, em particular, foi ano que trouxe o COVID-19 que fechou as escolas com a consequente suspensão de aulas e, por consequência, a interrupção de programas e projetos em curso em escolas.

    Diante dessa realidade, e por entender ser o mais seguro, a gestão superior da Semec decidiu trazer, para a secretaria, a guarda desses equipamentos (Tablets) – é de conhecimento público a vulnerabilidade do espaço escolar.

    Vale reforçar também a informação de que os equipamentos (Tablets) foram adquiridos por processo absolutamente legal, acompanhado pelo Tribunal de Contas: empenho, liquidações e notas fiscais em ordem e pagamento em ordem. Vale lembrar ainda que as máquinas (Tablets) se encontram em depósito da Semec sob a guarda da Semec.

    Rogo para que a atual gestão da Semec possa fazer, tanto quanto possível, bom uso desses equipamentos.

    Prof. Kleber Montezuma
    Ex-secretário de educação de Teresina”



    • R&G Feet
  • quarta, 17 de março de 2021, às 17:16h

    É o fim de um ciclo. Foram 6 anos de Fábio Abreu (PL) mandando da Segurança Pública do Piauí. Foram 6 anos de resultados questionáveis, de um aumento na sensação de insegurança e de facções criminosas nacionais se instalando no Piauí. Foram 6 anos que o governador Wellington Dias (PT) não quer levar para 2022. Na última sexta-feira (12), Abreu foi comunicado que não voltará a ser secretário.

    O Política Dinâmica já havia adiantado o fato no início do mês de fevereiro, quando o governador Wellington Dias fez questão de entregar 246 viaturas alugadas para a Segurança do Piauí sem a presença de Fábio Abreu.

    Um político tradicional sem uma secretaria pra chamar de sua: futuro de Fábio Abreu se complica para 2022 (foto: Marcos Melo | politicaDinamica.com)

    Lá em 2014, quando Fábio foi eleito a primeira vez com 80 mil votos, ele era uma escolha óbvia para o cargo: colocar alguém popular num setor que desgasta e, ao mesmo tempo, abrir vaga para um aliado suplente.

    Já em 2018, quando reeleito com 132 mil votos ao mesmo tempo em que uma crise de violência se instalava em todo o Piauí, ficou claro que o pior tipo de política tinha tomado o lugar da popularidade. O governador ficou, inclusive, “refém” do aparelhamento de Fábio Abreu dentro do governo. Só uma saída “voluntária” poderia dar a Wellington a oportunidade de mudar a gestão da Segurança. E Fábio Abreu saiu. Deixou de lado a secretaria para se candidatar a prefeito de Teresina, iniciando a disputa em segundo lugar e terminando como 5º colocado. Ficou menor e virou passado.

    Abreu disse em entrevistas que quer se dedicar ao mandato parlamentar. E, claro, alguns jornalistas acreditaram nisso. Um deputado de oposição ao Governo Federal, que tem zero de influência em Brasília, no meio de uma pandemia, onde a maior parte do “trabalho” é remoto, preferiu ficar só com o gabinete de parlamentar do que ser secretário de Segurança.

    Saiu de 61 mil votos em Teresina em 2018 para 29 mil votos em 2020 e não quer voltar a ser secretário. Quer, finalmente, ser deputado federal, num contexto em que sua atuação é irrelevante do ponto de vista prático.

    Digam tudo de Wellington Dias, menos que ele não sabe ser político. O governador deu a Fábio Abreu a oportunidade de dizer que foi convidado a voltar ao cargo, mas que recusou.

    Quanta generosidade.

    Wellington despachou Fábio; quando Abreu saiu menor do que entrou na campanha de prefeito, perdeu também o capital político que o mantinha na Segurança (foto: Jailson Soares | PoliticaDinamica.com)

    O coronel Rubens Pereira – que substitui Abreu desde a campanha – continua no cargo por mais algumas semanas. Mas já pode ir se acostumando com a ideia de esvaziar as gavetas.

    Ele também não deve demorar ali.

    As imagens que ninguém esquece de viaturas sucateadas e falta de combustível vão ficar associadas apenas à gestão de Fábio Abreu (fotos: Redes sociais | Jailson Soares | PoliticaDinamica.com)

    Segundo apurou o Política Dinâmica, com perfis mais discretos e sem planos políticos, o delegado-geral da Polícia Civil, Luccy Keiko, e o comandante-geral da PMPI, Lindomar Castilho, devem permanecer nos cargos. Mas haverá trocas de nomes em algumas celebridades ligadas a Fábio Abreu em delegacias especializadas na Civil e em grupamentos e batalhões da Militar.

    A esperança é que alguma coisa melhore.

    • R&G Feet
  • segunda, 15 de março de 2021, às 18:17h

    Ciro Nogueira (PP) é hoje a oposição declarada a Wellington Dias (PT). Entre os maiores líderes do estado, o único. Até agora. Na manhã desta segunda-feira (15), Ciro convidou João Vicente Claudino (PTB) para os quadros do Progressistas. E JVC está inclinado a aceitar, o que acendeu um alerta dentro do Palácio de Karnak, afinal de contas, é uma baixa significativa do ponto de visto político na base governista.

    JVC e Ciro: a oposição vai crescer mais rápido daqui pra frente? (foto: ASCOM)

    O grupo de JVC comanda duas secretarias no governo de Wellington Dias: a de Desenvolvimento Econômico e a de Infraestrutura. As indicações não são de JVC, são respectivamente, dos deputados Nerinho e Janaínna Marques. A deputada tem, ainda, influência dentro da Secretaria de Saúde, onde seu marido é o segundo na hierarquia administrativa da pasta. Mas mesmo que os espaços sejam dos deputados, a referência política de grupo é João Vicente.

    Fontes no Karnak relatam que o governador Wellington Dias avaliou com naturalidade o convite feito por Ciro a JVC, mas estranhou bastante a resposta de que “a possibilidade é grande” de que a filiação ocorra de fato. Em entrevista logo após o convite, JVC rasgou elogios a Ciro, e disse que o Progressistas é um partido “que tem compromisso com o estado e com as pessoas”.

    JVC também se mostrou à vontade com a candidatura natural de Ciro a governador em 2022 e afirmou reconhecer nele a vontade de trabalhar pelo Piauí. Ciro também foi só elogios a JVC, que ele entende ser fundamental para a “mudança que está por vir”.

    As surpresas contra os planos do grupo de Wellington Dias parecem que estão apenas começando. E não serão boas para ele.

    • R&G Feet
  • sexta, 12 de março de 2021, às 18:09h

    Humilhado dentro do Palácio da Cidade. Recebendo hoje a conta de 2020. Desesperado em busca de promessas que o atual prefeito não deve cumprir. Sinésio Santos, um dos dirigentes do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Teresina (SINDSERM), revelou a jornalistas na manhã desta sexta-feira (12) que o atual prefeito da capital, Doutor Pessoa (MDB), mentiu para os servidores. A Prefeitura, segundo ele, fez um acordo para honrar pagamentos de gratificação para agentes de portaria que estão em greve desde o dia 5 de março.

    Deixou servidores serem humilhados pelo prefeito; será que Sinésio já está sentindo falta da antiga administração? (foto: reprodução)

    Fez o acordo, mas não vai cumprir.

    Nem o SINDSERM tem força para cobrar. Tanto que, agora, o dirigente do sindicato quer “chantagear” a gestão de pessoa, prometendo divulgar uma lista de pelo menos 200 servidores que ganham “supersalários” na Fundação Municipal de Saúde.

    Sinésio e o SINDSERM não fizeram a menor questão de esconder em 2020 que faziam campanha para Doutor Pessoa. Nos bastidores, fala-se até em “agrados” ofertados pelo grupo político de Pessoa. Fato é que a campanha eleitoral ficou em primeiro lugar, os interesses dos servidores, em segundo. Bem atrás.

    O dirigente, aliás, afirmou que Pessoa lhe disse que não se importa com greve, “que a dos ônibus é pior e está aguentando”, se referindo ao caos no transporte público urbano de Teresina. Essa greve já dura 34 dias.

    “Vamos desmascarar essa Prefeitura, que não cumpre com os acordos. Não querem pagar agentes de portaria, que são baixa renda e no entanto, chegam a pagar R$ 41 mil somente para uma pessoa da Fundação. Quase salário de ministros do STF. Queremos pelo menos uma explicação”, alardeou Sinésio.

    Veja a conversa fiada de Sinésio nessa entrevista concedida à TV Piauí:

    Ele apontou que Pessoa está deixando de pagar uma gratificação extraordinária que existe há mais de 20 anos. São pelo menos 187 agentes de portaria que atuam nas secretarias do Município, gente pobre que amarga, agora, um corte que variava de R$ 600 a R$ 1 mil.

    É desumano o que faz Doutor Pessoa com ajuda do seu vice, Robert Rios (PSB).  

    Mas voltando aos "supersalários", por qual razão Sinésio nunca divulgou isso? Estava esperando o quê mesmo? Achou que iria barganhar?

    Se pessoa não está preocupado com os "lascados", alguém acha que ele vai se abalar com quem recebe salário acima do teto?

    O prefeito já provou várias vezes que não sabe o que faz na cadeira que ocupa hoje, mas essa chantagem meia boca não vai forçar ninguém a ser um gestor melhor.

    O SINDSERM ajudou a eleger Pessoa, mas vai ser difícil cobrar esse “contrato de gaveta”.

    • R&G Feet
  • terça, 09 de março de 2021, às 17:51h

    Que a contaminação por Covid-19 tem se alastrado mais rápido que a vacinação, já se percebe. Mas o colapso do sistema de Saúde do Piauí tem assustado até mesmo os mais experientes nas equipes de enfrentamento da pandemia. Neste exato momento, informa Luciene Formiga, gerente do Complexo Regulador do Estado, em média, 40 pacientes estão na fila aguardando por vaga em enfermaria ou UTI. A espera pode chegar até a 48 horas e ser decisiva em casos de pacientes graves.

    Pela primeira vez, o Governo do Estado percebe o que é não contar com a retaguarda adequada da Saúde em Teresina; "um abraço do Doutor Pessoa" (foto: Jailson Soares | politicaDinamica.com)

    E os casos que não são de Covid-19, pela mesma falta de planejamento e eficiência, estão se agravando também!

    Segundo Luciene, em informações repassadas ao site Cidadeverde.com, esse pico já foi maior, nos meses de maio a julho de 2020, quando a fila chegou a ser de 60, em média.

    Acontece que naquele momento, a pandemia era uma “novidade” e não havia plano de vacinação. Hoje a variante do vírus obriga um internamento maior e faz pacientes médios e graves ocuparem esses leitos por mais tempo.

    DE QUEM É A CULPA?

    Colocar parte da culpa nas pessoas faz parte do discurso político. “A população não está respeitando o isolamento”, dizem políticos na busca por se afastar de culpa. Mas o planejamento falhou até aqui. O trabalho social de educação também perdeu para as mensagens de que a pandemia seria vencida num discurso de propaganda e campanha eleitoral.

    Gilberto e Florentino: PMT e Governo não conseguem planejar atendimentos de Saúde no meio da pandemia (fotos: Jailson Soares | politicaDinamica)

    E detalhe: o Governo do Estado sabe, agora, o que é não ter a retaguarda adequada da maior máquina de prestação de serviços de Saúde do Piauí trabalhando como deveria. O despreparo da gestão do prefeito Doutor Pessoa (MDB) está expondo a falta de planejamento e eficiência histórica da gestão de Florentino Neto e do governador Wellington Dias (PT).

    MORTE E BAGUNÇA

    No último dia 5 de março de 2021, o apresentador Ieldyson Vasconcelos alertou em seu programa – o de maior audiência da TV piauiense durante as manhãs – que um “paciente não covid” morreu na fila de espera por uma UTI. Foi vítima de uma infecção por bactéria.

    Esse retrato da falta de planejamento no combate a pandemia, também foi reforçado pelo depoimento do jornalista João Carvalho, que falou sobre seu pai, morto dias antes, vítima de câncer nos pulmões. Segundo João, frequentemente, seu pai era colocado na ala de Covid-19, onde sua doença pré-existente poderia ser agravada. Ainda nas palavras de João, o problema parece ser recorrente com outros pacientes.

    Falta de planejamento é o mínimo para não dizer crime.

    Veja:


    • R&G Feet
  • segunda, 08 de março de 2021, às 17:16h

    Respeite desespero. A gestão do Doutor Pessoa (MDB) quer dividir a Fundação Municipal de Saúde. De um lado, licitações, recursos humanos e o Hospital de Urgência de Teresina; do outro, as Unidades Básicas de Saúde e as Unidades de Pronto Atendimento. O objetivo: “arrendar” um dos dois pedaços para o Partido Liberal, a siga comandada pelo deputado estadual Fábio Xavier e pelo deputado federal Fábio Abreu.

    Cunhado de Xavier e apoiado por Abreu: nomeação de Leonardo Eulálio tem tudo pra piorar a Saúde de Teresina (foto: Jailson Soares | PoliticaDinamica.com)

    Em troca da indicação do vereador Leonardo Eulálio, Abreu destinaria emendas parlamentares direto para a Prefeitura de Teresina num momento em que a bancada federal anda mais do que desconfiada com Dr. Pessoa (MDB) e Robert Rios (PSB).

    O QUANTO SE QUER

    Depois de sucessivas reuniões da Prefeitura Municipal de Teresina com a bancada federal do Piauí, passou-se a ser observado um problema: os parlamentares prometem, mas não definem emendas a serem destinadas à gestão de Pessoa. O atual prefeito até já prometeu “plaquinhas” em obras contendo o nome daqueles que destinaram recursos, mas essa não “colou”.

    A cúpula da PMT se confraterniza com recorrência com Leonardo Eulálio, neste registro de fevereiro, um almoço no sítio do ainda vereador (foto:Divulgação)

    Deputados federais, pelos bastidores, apontam que a gestão de Pessoa não é de confiança e que não se sentem confortáveis com a possibilidade de serem “grampeados” em conversas agora e achacados mais adiante. Não existe, portanto, confiança institucional entre parlamentares e Prefeitura.

    O PL quer fazer negócio: assume a pasta e, imediatamente, o deputado federal Fábio Abreu destinaria de R$ 15 milhões a R$ 25 milhões rapidamente para Teresina. É dinheiro para emergência de combate à pandemia e para que se faça “algo pelos 100 dias de gestão”, que promete não ser uma das melhores datas para Teresina.

    O HISTÓRICO NÃO É BOM

    Atual vereador de Teresina, Leonardo Eulálio (PL) não deve durar no mandato até o Natal deste ano. A pandemia, certamente, vai durar mais que ele. Único eleito num partido envolvido num esquema de candidaturas laranjas denunciadas pelo Política Dinâmica ainda em dezembro de 2020. A chapa inteira deverá ser cassada.

    Não é de agora que Pessoa tenta arrumar uma maneira de colocar Leonardo Eulálio no primeiro escalão de sua gestão (fotos: divulgação)

    Contra Leonardo, ainda, o histórico do médico na gestão privada da Unimed Teresina: em 2017, ele chegou a ser destituído do cargo de presidente da mais importante cooperativa médica do Piauí por problemas que foram desde crimes de gestão fraudulenta, estelionato, lavagem de dinheiro, apropriação indébita, até associação criminosa e falsidade ideológica. A maior parte dos “problemas” referentes à construção do atual Hospital da Unimed no bairro Primavera.

    JÁ FOI DIVIDIDA

    Entre os anos de 2013 e 2016, na terceira gestão do ex-prefeito Firmino Filho (PSDB), a Fundação Municipal de Saúde já havia sido dividida, daquela vez, em três pedaços: Secretaria de Saúde (administração), Fundação Municipal de Saúde (atenção básica) e Fundação Hospitalar (hospitais de média e alta complexidade).

    Decentralizar não trouxe a eficiência e o controle necessário para a maior estrutura da Prefeitura de Teresina. A FMS foi reunificada em 2017.

    • R&G Feet
  • segunda, 08 de março de 2021, às 15:39h

    A pandemia está aí há mais de um ano. Depois de uma campanha inteira aglomerando e dizendo que saberia o que fazer quando se tornasse prefeito, o Doutor Pessoa (MDB) ainda não sabe. O Jornal Meio Norte de hoje (08) traz em sua a capa a manchete de 100% de ocupação dos leitos de UTI Covid na capital e Teresina se vê à beira do colapso, não apenas de saúde, mas também administrativo.

    Cada vez menos confortável na cabeceira: Pessoa dá sinais de que não aguenta a pressão que um prefeito enfrenta num momento difícil de sua gestão (foto: Romulo Piauilino | ASCOM PMT)

    Surgiu a ideia de que haja cortes de gastos em secretarias municipais para redirecionar esse dinheiro para o combate à pandemia. O prefeito não disse o quanto falta pro custeio mensal. Ou semanal. Ou o que quer que seja. O secretário de finanças também não falou a respeito de números exatos.

    Há sinais de que Pessoa não está aguentando a pressão do cargo. Geralmente, na cabeceira da mesa em que despacha com o secretariado, encontra-se a seu lado o vice-prefeito Robert Rios (PSB), que manda de fato no Palácio da Cidade. Hoje, Robert foi mais pro lado. Do outro, Pessoa colocou o presidente da Câmara Municipal de Teresina, Jeová Alencar, presidente municipal do MDB.

    Significa bastante.

    Nas últimas semanas, os discursos de campanha, o negacionismo dentro da PMT e o vislumbre até das eleições de 2022 tirou completamente o foco administrativo da gestão de Pessoa. Sem saber o que fazer toda manhã, Pessoa procura orientação em Robert, que por sua vez, enterrado em picuinhas de redes sociais, gera crises desnecessárias. Com fornecedores, com secretários, com vereadores.

    Secretários foram à uma reunião com o prefeito e saíram de lá sem saber o que deverá ser feito do ponto de vista de metas específicas: estão perdidos dentro do Palácio da Cidade (foto: Romulo Piauilino | ASCOM PMT)

    A convocação de Jeová Alencar para a reunião foi um passo para tentar contornar o problema que ganhou proporções preocupantes. Foi um aceno à base legislativa da PMT sob a qual Jeová tem ascendência absoluta.

    No último sábado, centenas de idosos com mais de 82 anos sofreram em filas intermináveis de vacinação. Um prefeito, médico, idoso, não conseguiu fazer o mínimo por outros idosos: atendê-los com dignidade.

    REDIRECIONANDO VALORES

    Como não planejou até aqui como seguir o combate à pandemia na rede municipal, Doutor Pessoa agora vai ter que apertar mais os cintos da Prefeitura. Ele solicitou a secretários que façam cortes nos mais diversos orçamentos para que o Município direcione o valor economizado para a Sáude.

    “Entendo que o momento pelo qual passa a cidade é delicado e que façam um esforço para que atinjam, no mínimo, 10% de economia com relação as despesas das pastas. É necessário ter sensibilidade e respeito para com os teresinenses devido ao momento delicado na qual passa a sociedade, por isso, peço um esforço de vocês na contenção de gastos. E, claro, de alguma forma, prestigiarmos aqueles que estão na linha de frente no combate ao vírus”, afirmou o prefeito.

    • R&G Feet
  • quinta, 04 de março de 2021, às 18:20h

    Dentro da Prefeitura de Teresina o assunto já está virando piada, e as gargalhadas já chegaram na Câmara Municipal. O presidente estadual do Progressistas, deputado estadual Júlio Arcoverde, está desesperado para fazer parte da gestão do Doutor Pessoa (MDB). Nessa quinta-feira (04), mandou o recado pelo vereador Jeová Alencar (MDB) e pela imprensa. E no meio do caminho está atrapalhando – não se sabe se de propósito – a candidatura de Ciro Nogueira a governador do Estado em 2022.Não se sabe pra onde Júlio Arcoverde está olhando, mas não deve ser para o lugar certo (foto: Jailson Soares | PoliticaDinamica.com)

    A jornalistas, Júlio disse hoje que Jeová Alencar – que é o presidente municipal do MDB – pode ser de fato um canal de aproximação entre o PP e a gestão do Doutor Pessoa. “Com certeza, tanto Jeová como o presidente Themístocles podem ser um canal dessa aproximação até por conta do bom relacionamento que o senador Ciro Nogueira tem com os dois, acredito que não terá dificuldade nenhuma”, reproduz uma reportagem do site GP1.

    Se existisse algum interesse real de ter Ciro Nogueira e sua turma na PMT, o convite para um "café forte" partiria do próprio prefeito -- ou do vice -- e o convidado seria o senador Ciro Nogueira, não um preposto.   

    JÚLIO NÃO ESTÁ SABENDO QUEM MANDA

    É difícil que Júlio não saiba, mas quem manda de verdade na PMT não é Doutor Pessoa, é o vice, Robert Rios (PSB). E a piada começa aqui: Robert e Júlio são amigos, o que não impede que o vice-prefeito distribua ataques por onde quer que vá. Ao narrar a história de que ele “acabou com a corrupção” na prefeitura de Teresina, Robert frequentemente usa o senador Ciro Nogueira como exemplo da “corrupção que ficou pra trás”.

     Jeová foi um dos que garantiu a vitória de Pessoa, e ainda assim não tem sido bem tratado na PMT; pode até ter boa vontade, mas não parece que vai ser um canal de aproximação; no Palácio da Cidade muita gente olha pra ele como futuro adversário (foto: ASCOM)

    Associando o presidente nacional do Progressistas a contratos supostamente realizados com objetivo de desviar recursos públicos – ainda que nunca tenha apresentado uma prova em juízo – Robert Rios, entre uma dose e outra de veneno, cita Ciro como beneficiário direto de contratos da Prefeitura de Teresina com a empresa SERVFAZ – de mão de obra terceirizada – e CTA – da coleta de lixo. A última vez que isso aconteceu – pelo menos em público – foi em um vídeo distribuído nas redes sociais sábado passado, dia 27 de fevereiro. Veja abaixo:

    Sobre o comportamento desesperado de Júlio, vereadores já contam que dentro da PMT, a informação é de que quanto mais Robert bate, mais o presidente estadual pede para fazer parte da gestão de Pessoa. "Saiu à força do governo do Wellington, depois perdeu a Prefeitura com o Firmino [Filho, ex-prefeito, do PSDB]. É taca muita e ele não está acostumado", avaliou sorrindo um vereador amigo de Robert Rios com trânsito livre na PMT. 

    PREJUÍZO ELEITORAL PARA CIRO

    Se o MDB tiver que escolher um candidato ao Governo do Estado em 2022, não há sinais de que isso vai acontecer contra o atual governador Wellington Dias; talvez seja bom Júlio Arcoverde começar a pensar nisso (foto: Jailson Soares | Politica Dinamica)

    O MDB está apostando muitas fichas na gestão do Doutor Pessoa. Robert quer lançar o prefeito a governador em 2022, o que só acontece se Teresina não for um caos daqui até lá. Themístocles Filho e seu plano de ser vice de Rafael Fonteles (PT) também dependem em grande parte de uma gestão bem-sucedida de Pessoa. E nas últimas semanas até o senador Marcelo Castro, presidente estadual do MDB, se animou para a disputa. E precisando da mesma base em Teresina, já está carreando recursos federais para a capital. Nenhum dos interessados no sucesso de Pessoa anda interessado no sucesso de Ciro ao Governo do Estado em 2022.

    A gestão de Pessoa precisa mais de Ciro do que Ciro precisa da gestão de Pessoa, é fácil perceber isso; mas quando o PP implora por espaço numa Prefeitura caótica, o sinal de desespero por cargos diminui a envergadura política de Ciro (foto: Jailson Soares | PoliticaDInamica)

    O senador Ciro Nogueira cabe nessa Prefeitura? Cabe. Aliás, ele é necessário, mas do que qualquer outro ali. Mas quando seu partido se humilha para indicar comissionados numa gestão, sua candidatura diminuiu. Afinal, para ajudar o inimigo, já bastam os deputados que ele deixou na gestão de outro adversário: o governador Wellington Dias (PT).

    É ou não é uma piada?
    Pra Ciro, com certeza, sem graça. 

    • R&G Feet
  • quinta, 04 de março de 2021, às 11:21h

    Crimes de fraudes em licitação de transporte escolar e aluguel de carros não são novidade no Piauí. Novidade mesmo é a Polícia Civil investigando isso. Na manhã desta quinta-feira (4) foi deflagrada a Operação Liderança, que investiga exatamente isso no município de Paulistana, cidade 452 km ao Sul de Teresina. Estão sendo cumpridos nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça do município.

    Acompanhadas por auditores do TCE-PI, as equipes da Polícia Civil chegaram cedo em Paulistana para deflagrar a Operação Liderança (foto: PCPI Ascom)

    É a Polícia Federal e a Operação Topique fazendo escola, vejam só! E finalmente alguém está dando sinais de que pode aprender.

    Os alvos da Operação Liderança são exatamente a Prefeitura de Paulistana e a empresa Líder Transportes e Serviços, que ainda não se posicionaram sobre as acusações.

    LICITAÇÕES DIRECIONADAS E SUPERFATURAMENTO DE 40%

    De acordo com a Delegacia de Combate à Corrupção (DECCOR), foi identificado que a empresa Líder Transportes e Serviços, mesmo sem patrimônio, estrutura e capacidade técnica-operacional, foi a única empresa vencedora de sucessivas licitações em Paulistana ao longo dos últimos anos. Fato que coloca em suspeita não apenas a atual gestão do prefeito Joaquim da Farmácia, mas principalmente a de seu antecessor e apoiador, o ex-prefeito Gilberto José de Melo, o Didiu. Ambos são filiados ao PSD dos deputados Georgiano Neto (estadual) e Júlio Cesar Lima (federal).

    Quando recebeu a chave da cidade de Paulistana das mãos do ex-prefeito e apoiador Didiu, o atual prefeito Joaquim da Farmácia também teria herdado o esquema de aluguel de veículos (foto: Facebook)

    Os contratos eram para aluguel de veículos para a administração pública, em especial para o transporte escolar. Segundo a investigação, somente em 2018, as contratações apresentaram indícios de sobrepreços de mais de 40%. 

    Detalhe: segundo informações da investigação, a empresa foi criada exatamente em 08 de fevereiro de 2013, primeiro ano do primeiro mandato de Didiu à frente da Prefeitura de Paulistana.

    Quando foi criada, inclusive, tinha capital social de apenas R$ 50 mil reais. 

    MAIS ACUSAÇÕES E BENS SEQUESTRADOS

    A Polícia Civil informou que há evidências de desvio/expropriação de recursos públicos e que estão sendo apurados crimes de associação criminosa, peculato e fraude à licitação.

    A polícia foi à casa do ex-prefeito Didiu e também endereços ligados aos empresários que participaram do esquema (foto: PCPI Ascom)

    Além do mandado de busca e apreensão cumprido na residência do ex-prefeito Didiu, outros agentes públicos também foram alvos como a atual secretária de Educação de Paulistana, o chefe de licitação do município, o ex-controlador do município e ainda os representantes legais da Líder Transportes e Serviços, os empresários João Lelis de Morais e Cate Suziana Melo de Moraes. Os policiais foram ainda até a sede da Secretaria da Educação e também na sede Prefeitura de Paulistana.

    A Polícia Civil visitou vários endereços da gestão municipal além das residências do ex-prefeito e de empresários ligados ao esquema (foto: PCPI Ascom)

    Na decisão judicial que determinou o cumprimento dos mandados, também foi estabelecido o sequestro patrimonial e a indisponibilidade de mais R$ 15 milhões da empresa investigada e de seus proprietários. A solicitação foi da Delegacia de Combate à Corrupção (DECCOR), responsável pelas investigações, juntamente com o Tribunal de Constas do Estado do Piauí, e alcança a Líder Transportes e Serviços  e os empresários João Lelis De Morais e Cate Suziana Melo de Moraes, pedido que foram acatados pelo Juízo de Paulistana.

    A operação teve participação de equipes da Gerência de Polícia Especializada (GPE), Gerência de Polícia do Interior (GPI), Delegacia Especializada em Prevenção e Repressão a Entorpecentes (Depre);

    E ainda: do Grupo de Repressão ao Crime Organizado (GRECO), da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (CORE), Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI);

    Participaram também: auditores do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI) e equipes das delegacias de Picos e Paulistana.

    • R&G Feet
  • quinta, 25 de fevereiro de 2021, às 10:26h

    A Polícia Federal deflagrou mais uma etapa da Operação Reagente, que teve início em julho de 2020. Nesta segunda fase, a PF prendeu o proprietário da distribuidora de medicamentos Prodlab, o empresário Ronaldo Alves da Silva. Ele foi preso em sua residência na manhã desta quinta-feira (25). Policiais federais cumpriram ainda 10 mandados de busca e apreensão nas cidades de Picos, Arraial, Isaías Coelho e Teresina. Todos os mandados foram expedidos pela Justiça Federal de Picos.

    Preso: empresário Ronaldo Alves foi levado pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (foto: PF ASCOM)

    As investigações que contam com a colaboração de 3 auditores do Tribunal de Contas do Estado apontaram para a possibilidade de os crimes apontados na primeira fase poderiam se repetir agora.

    Veja o que diz a PF no vídeo abaixo:

    Durante a primeira fase da operação foi apurado o desvio de recursos públicos destinados aos municípios de Picos-PI, Bom Jesus-PI e Uruçuí-PI, dentre outros. No total, o prejuízo estimado já ultrapassa mais de R$ 1,3 milhão. 

    A PF busca novos indícios do envolvimentos de mais pessoas e dos investigados no esquema de fraude em licitações (foto: ASCOM PF)

    Nesta etapa atual das investigações, foram identificadas fraudes em processos de dispensa de licitação com a utilização de propostas fictícias e superfaturamento em contratos firmados pela mesma empresa com os municípios de Arraial-PI e Isaías Coelho-PI, bem como indícios da prática dos crimes de corrupção ativa e passiva. 

    OS mandados de busca e apreensão foram expedidos pela Justiça Federal em Picos (foto: ASCOM PF)

    Os investigados poderão responder, na medida de suas culpabilidades, pelos crimes de associação criminosa (art. 288 do CP), desvio de recursos públicos (art. 312 do CP), dispensa indevida de licitação (art. 89 da lei 8.666/93), corrupção ativa (art. 333 do CP) e corrupção passiva (art. 317 do CP), cujas penas somadas podem chegar a 110 anos de reclusão.

    • R&G Feet
  • segunda, 22 de fevereiro de 2021, às 12:00h

    Com índices de mortes e infecção pelo novo coronavírus em alta no Piauí, na manhã desta segunda-feira (22), o governador Wellington Dias (PT) anunciou suspensão de todas as atividades presenciais que não sejam essenciais no Piauí. Este novo “lockdown” vai durar pelo menos até o dia 7 de março. Apesar de ter se posicionado contra esse tipo de medida na campanha eleitoral, o prefeito Doutor Pessoa (MDB), concordou com a restrição.

    Wellington volta a restringir atividades públicas, provadas e parte do comércio por conta da pandemia (foto: Jorge Bastos | CCOM)

    De acordo com explicações do secretário de Governo, Osmar Junior, do Estado, inclusive escolas privadas que estavam oferecendo aulas presenciais ou híbridas (presenciais e remotas), devem deixar de oferecer esse tipo de modalidade até o fim do vigor do decreto.

    Estão suspensas todas as atividades que possam causar algum tipo de aglomeração em espaço aberto ou fechado, desde atividades religiosas em templos particulares atividades esportivas e coletivas em parques. Nem eventos culturais, nem sociais, nem esportivos. O comércio em geral terá atendimento presencial suspenso também. Por sua vez, o setor de construção civil não deve ser atingido de maneira direta.

    As medidas passarão a valer a partir das 0h desta quarta-feira (24).

    POLÍTICA E CONSTRANGIMENTO

    Quem participou da reunião que definiu os termos desse novo decreto do Governo do Estado pelo lado da Prefeitura Municipal de Teresina foi o vice-prefeito Robert Rios (PSB). Para não ir à reunião, Doutor Pessoa disse que um parente estava chegando do interior com suspeita de infecção por covid-19.

    Na campanha podia, agora, já não pode mais: Pessoa concordou com "lockdown" do Governo do Estado (foto: Jailson Soares | Instagram | PoliticaDinamica)

    Extraoficialmente, o motivo é mais óbvio: Pessoa não quis o desgaste de “desdizer” o que dizia na campanha sobre fechamento de comércio, que queria manter tudo aberto e todo o discurso que poderia incitar a população contra a gestão anterior. Talvez, o médico Pessoa ficou com vergonha alheia do político Pessoa.

    Veja o que Pessoa dizia durante a campanha:

    E mais: Robert representou a Prefeitura, também, porque, afinal, é ele o prefeito de fato. E não tem vergonha de se “desdizer”.

    Veja a íntegra do decreto abaixo:


    • R&G Feet
  • sexta, 19 de fevereiro de 2021, às 15:29h

    Até ontem (18), o prefeito Doutor Pessoa (MDB) era um gestor sem oposição. Hoje (19) não é mais. Boa parte dos vereadores da capital encarou a divulgação de supostas listas de indicações de terceirizados na gestão do ex-prefeito Firmino Filho (PSDB) como tentativa de intimidação do Legislativo. O alarde do vice-prefeito Robert Rios (PSB) criou um mal-estar entre a Prefeitura e a Câmara de Teresina e plantou a paranóia na cabeça de parlamentares que já suspeitam até de gravações de reuniões na PMT.

    Criaram problema: vereadores avaliam que Pessoa e Robert quiseram "queimar" parlamentares para "posar de santos" e intimidar o Legislativo (foto: Jailson Soares | PoliticaDinamica.com)

    Robert divulgou à imprensa papéis que traziam nomes de centenas de terceirizados ao lado de nomes de pessoas que supostamente teriam sido responsáveis pelas indicações. Citou o ex-prefeito Firmino Filho, a deputada estadual Lucy Soares (PP), ex-secretários, ex-vereadores e atuais parlamentares num tom de quem aponta crimes. Não poupou nem os novos aliados, como o ex-vereador Joninha (PSDB), que o apoiou no segundo turno e hoje comanda as indicações no setor de coleta de lixo na gestão de Doutor Pessoa.

    A denúncia passou a ser inclusive de interesse do Ministério Público Estadual, que deve investigar o caso.

    INDIGNAÇÃO DE VEREADORES

    “Primeiro o próprio prefeito vem buscar apoio, com história de cada vereador indicar uma UBS, depois o vice vem com uma história dessa, como se um vereador indicar um nome para um cargo fosse algo criminoso? Então se hoje eu indicar um nome e amanhã não estivermos mais do mesmo lado, vai ser o meu nome que ele vai expor? Ninguém nem sabe de onde saíram essas listas. Se tinha coisa errada, mandasse direto do Ministério Público, pro Tribunal de Contas. Mas qual o motivo de fazer esse circo todo com a imprensa sem nem saber se o que está ali é verdade? Já deu para entender que Pessoa e Robert pintam o diabo de qualquer um para posar de santo pros eleitores”, comentou , indignado, um dos vereadores que acompanharam Dr. Pessoa no segundo turno das eleições de 2020.

    Aliados de agora também foram "sacrificados" em alarde de Robert Rios: "O caso de Joninha é escandaloso", segundo a PMT (foto: GP1 | Lucas Dias | Jailson Soares | PoliticaDInamica.com)

    ORIGEM E DISTRIBUIÇÃO

    Segundo o secretário de Comunicação, Lucas Pereira, as listas foram disponibilizadas pelas próprias empresas cujos nomes aparecem na lista, como a SERVFAZ, BELAZARTE e SELETIV. Algumas das listas constam em fotos e vídeos feitos pelo secretário e distribuídos em redes sociais a partir do grupo Xico Prime, no Whatsapp. Esse é o canal que o grupo político de Doutor Pessoa utiliza desde as eleições e que o vice Robert Rios usa para dar declarações oficiais. Desse grupo participa todo o primeiro escalão da gestão de Doutor Pessoa, além de representantes do Tribunal de Justiça, da Secretaria de Segurança Pública e do Tribunal de Contas do Estado.

    O Política Dinâmica solicitou todas as listas para que fossem divulgadas na íntegra. A PMT informou que não vai disponibilizar no momento.

    ARAPONGAGEM

    Outro vereador, que também aderiu à campanha vitoriosa de Pessoa na segunda etapa das eleições passadas, foi além: “Se ele queria denunciar erros do Firmino, arrumasse outro jeito de fazer. Colocar o nome de parlamentares no meio disso é uma maneira de tentar intimidar quem está aqui na Câmara agora. Hoje ele (Robert) já veio com uma história totalmente diferente, mas o estrago na imagem dos vereadores está feito. Quando o Robert era secretário de Segurança, todo mundo na Assembleia escutava histórias de grampo prá lá e pra cá. Será que estamos sendo gravados na Prefeitura? E se tirarem uma conversa minha do contexto? E se divulgarem só um pedaço de uma conversa para assassinar a reputação de um vereador que se afasta dessa gestão? Daqui que eu me explique, já serei tratado como criminoso em todo canto. Essa Casa aqui tem que emitir uma Nota de Repúdio. Tem que mostrar que do jeito que ele (o prefeito) foi eleito, cada vereador também foi. Ele não é um santo caminhando entre pecadores. Desse pessoal agora eu quero distância”, desabafou.

    Vários vereadores ficaram intrigados com a possibilidade de que conversas tenham sido gravadas ou venham a ser no futuro. Em entrevista ao Política Dinâmica, o líder da Prefeitura na Câmara, porém, disse acreditar que essa preocupação só aflige quem não tem boas intenções. “Se um vereador for na Prefeitura conversar e não for para nada ilegal, não precisa se preocupar. Se não tem nenhum pedido criminoso, não tem do que ter medo”, avalia Renato Berger (PSD). Ele não vê crise entre Doutor Pessoa, Robert Rios e os vereadores.

    TEM QUE SER DIFERENTE

    O líder, inclusive, disse que Robert pode ter sido mal interpretado e que o vice não quis expor parlamentares. “O que estava errado era o volume das contratações. O valor dos contratos que cresceram no ano da eleição. E gente que, segundo o Robert, não estava nem trabalhando. Um vereador não está errado em indicar um nome, ou dois, ou três. Quem contrata é o prefeito, ele é que está errado”, explicou Berger.

    Ressaltando, mais uma vez, que indicar terceirizados em cargos que já existem não é conduta ilegal nem criminosa, Renato diverge de Doutor Pessoa em pelo menos um ponto: o de que todos os vereadores tenham que ser tratados de maneira igual pela Prefeitura. “Eu, que apoiei no segundo turno, não posso ter mais indicações que o Jeová [Alencar], o Zé Nito, ou o Joaquim [do Arroz] Caldas, que fizeram a campanha no primeiro turno. E ninguém que chegou depois deveria ser tratado igual a quem chegou antes nessa história de indicar cargos”, comparou.  

    • R&G Feet
  • quinta, 18 de fevereiro de 2021, às 17:29h

    O vice-prefeito de Teresina, Robert Rios (PSB), fez uma grave denúncia nesta quinta-feira (18). A gestão do ex-prefeito Firmino Filho (PSDB) teria aumentado em 20,96% a folha de funcionários terceirizados da Prefeitura Municipal de Teresina. Segundo Robert, juntos, Firmino e a deputada estadual Lucy Soares (PP) teriam indicado 1.098 terceirizados. Horas depois, ao Política Dinâmica, o mesmo Robert Rios afirmou que acha normal políticos indicarem os cargos. É como se a denúncia de mais cedo fosse, na verdade, um alarme falso. Ou recado para alguém ou algum grupo. Afinal, indicações são criminosas ou coisa normal da política? Robert não soube explicar (foto: Jailson Soares | PoliticaDinamica.com)

    DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS

    Robert Rios foi bem específico ao alardear indicações de Firmino, Lucy, e de vereadores e ex-vereadores mais próximos ao ex-prefeito. Citou os nomes de Samuel Silveira (PSDB), que não disputou as eleições; de Ítalo Barros (PSDB), que não conseguiu se reeleger, mas teria sido ajudado por Lucy durante a campanha; e de Evandro Hidd (PDT), o segundo mais bem votado das eleições, como políticos que também teriam indicado muitos terceirizados na gestão anterior.

    PMT denunciou mas não divulgou todas as listas de terceirizados (foto: Divulgação PMT)

    A “coletiva” de imprensa aconteceu um dia após o prefeito Doutor Pessoa (MDB) ser criticado pela população por “oferecer” aos atuais vereadores de Teresina indicações de coordenadorias de Unidade Básica de Saúde. A gentileza seria contrapartida pela votação e aprovação da reforma administrativa – que ajusta inclusive a Secretaria de Finanças ocupada por Robert –, bem como por apoio político para outras matérias que cheguem na Câmara Municipal.  

    Curiosamente, um dia antes de denúncia, Pessoa ofereceu coordenações de UBS para vereadores; foi pegadinha? (foto: PoliticaDInamica.com | Jailson Soares)

    É como se Doutor Pessoa tivesse terceirizado a missão de ameaçar.

    ESCONDEU ALGUMA COISA

    O Política Dinâmica solicitou todas as listas de terceirizados e pessoas a quem essas indicações eram ligadas, com o compromisso de que todas, sem exceção, fossem publicadas. Robert não quis repassar essas informações. Alegou que isso seria feito após auditoria interna, quando as informações também deverão seguir para o Ministério Público e para o Tribunal de Contas do Estado. Tem algo estranho nisso.

    Mas a Comunicação da PMT já se adiantou e enviou, por meio de Whatsapp, inclusive, as informações – vídeos de Robert e algumas das listas – para o delegado geral da Polícia Civil, Lucy Keyko; para o Tribunal de Justiça do Piauí, na pessoa do desembargador Brandão de Carvalho; e para o Tribunal de Contas do Estado, por meio do conselheiro Olavo Rebelo.

    Ao Politica Dinâmica, Robert comentou que “as vagas existiam e as pessoas precisavam, grande maioria apenas um salário mínimo”. Sem explicar de onde vinha a informação, também alegou que provavelmente alguns dos terceirizados nem moram em Teresina.

    Vereadores que já aderiram à gestão de Pessoa também foram expostos em denúncia de Robert Rios (foto: Prefeitura de Teresina)

    Já deve ser o bastante para que alguma instituição inicie investigações.

    O caso tem que ser apurado.

    DE ONDE SÃO AS LISTAS

    Robert não soube explicar, porém, quem estava fazendo essa auditoria, se um grupo específico de servidores da PMT ou empresa especializada. O vice-prefeito também não soube explicar onde ou como conseguiu as tais listas.

    Ao PD, o secretário de Comunicação, Lucas Pereira, afirmou que foram as empresas terceirizadas – SERVFAZ, BELAZARTE, SELETIV – que disponibilizaram as listas com nomes, CPFs, data de admissão e o “quem indicou”, abreviado por “Q.I.”. Lucas afirmou que a gestão de Pessoa quer “denunciar os desmandos da gestão anterior”.

    Oficial: informações, fotos e vídeos desta e de outras denúncias chegam a dezenas de autoridades via Whatsapp em grupo legitimado pela PMT com a presença do secretário e Comunicação, secretário de Planejamento, secretário de Governo e o próprio vice-prefeito; além de assessores e o filho do prefeito Doutor Pessoa (foto: Marciano Arraes | Xico Prime)

    Nenhuma das listas que chegaram ao Política Dinâmica até o momento consta admissão do ano de 2020. Por conta da negativa no envio de todas as listas, inclusive, fica impossível – até aqui – confirmar a denúncia de contratações eleitoreiras no ano da eleição. Robert Rios disse que estava esperando “um contato do pessoal do Fantástico”, se referindo ao programa jornalístico de domingo da Rede Globo.

     CIRO NOGUEIRA NÃO INDICOU

    Questionado sobre a possibilidade do senador Ciro Nogueira estar figurando em alguma dessas listas de políticos que indicaram terceirizados, Robert garantiu que ele não indicou ninguém. Nem constam na lista os nomes do deputado estadual Júlio Arcoverde, presidente estadual do PP, nem também o da deputada federal progressista Iracema Portella. “Do PP tem o Aluísio Sampaio, Inácio Carvalho, Graça Amorim e Sargento R. Silva”, acrescentou, dando nomes de vereadores. Em seguida completou: “Tem todos os vereadores, alguns [indicando] muito pouco”.

    Robert ainda afirma que o ex-vereador Joninha (PSDB), é um dos casos escandalosos nessas indicações.

    • R&G Feet
  • quarta, 17 de fevereiro de 2021, às 21:47h

    Um enorme desconforto tem tomado conta de advogados no Piauí. Mais uma vez integrantes da direção da Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Piauí (OAB-PI) interferem em investigação de um crime. Estamos falando do caso de João Paulo Santos Mourão, acusado de matar a própria irmã, a advogada Izadora Mourão.

    De acordo com relatos que chegaram ao Política Dinâmica, é no mínimo "estranho" que dois membros da Ordem tenham figurado como advogados do acusado, mesmo que apenas por algumas horas no sistema da Justiça do Piauí.

    Élida: suspeita de ter mentido em depoimento em caso de assédio sexual em Parnaíba, ela foi confundida com defesa de acusado em Pedro II (foto: Instagram)

    Ao mesmo tempo, se espalharam manifestações destes mesmos membros em grupos de Whatsapp, com declarações pelas quais se observa que a linha da ética pode ter sido cruzada por eles enquanto representantes da advocacia.

    Os nomes de Élida Franklin e de Marcus Nogueira figuram como sendo advogados de defesa de João Paulo Mourão em três momentos. No instante em que foi conduzido para interrogatório, João Paulo informou que não possuía advogados, mas Élida e Marcus assinam o Termo de Qualificação e Interrogatório, assinado também pelo delegado Danúbio Dias da Silva.

    Em um ofício assinado pela defensora pública Christiana Gomes Martins de Sousa em que ela diz que a Defensoria Pública não atuará no caso, ela justifica que João Paulo já é cliente de Élida e Marcus.

    Também no registro da decisão que determinou a prisão em flagrante, assinada pelo juiz Rogério de Oliveira Nunes, que consta no sistema de Processo Judicial Eletrônico do Tribunal de Justiça, lá estão Élida e Marcus como advogados de defesa.

    Estranho? Muito. Mas segundo o atual advogado de João Paulo, o criminalista Nestor Ximenes, foi uma "confusão" do escrivão e um "equívoco" da defensora pública. Ximenes alega, inclusive, que "estou acompanhando [João Paulo] desde o momento de sua prisão".

    O Política Dinâmica conversou com o advogado Marcus Nogueira, que é presidente da Comissão de Prerrogativas da OAB-PI. Ele disse que "a OAB está acompanhando este caso através da minha pessoa". Ele não tinha visto os documentos em que seu nome constava como advogado de defesa do acusado até o nosso contato e disse que "se enganaram". Por meio de sua assessoria de imprensa, Élida Franklin, que é ouvidora da OAB, disse que "em nenhum momento foi ou será advogada do acusado", e afirmou que a Defensoria fez um "documento incorreto".

    DESCONFORTO

    O desconforto de advogados é que o comportamento daqueles que representam OAB-PI no caso pode ter cruzado a linha da ética. "A OAB teve informações privilegiadas, se aliou diretamente ao delegado de polícia, teve ao seu dispor uma equipe específica da Secretaria de Segurança para o caso e, seus membros aparecem como advogados do acusado? O mínimo que podemos fazer é estranhar", ponderou uma fonte.

    Diálogos de dirigentes da OAB-PI num grupo que reúne os conselheiros seccionais são de fato questionáveis. Numa das conversas, segundo o advogado Marcus Nogueira, "a intervenção inicial e rápida da OAB foi fundamental para a solução desse caso" e que se não fosse por eles, "ia ser mais um caso sem solução".

    Nogueira admitiu aos conselheiros seccionais da OAB-PI que não estaria conseguindo separar a postura institucional e seus sentimentos pessoais durante o exercício da representação da advocacia (foto: Facebook)

    No domingo, um advogado alertava o grupo para o fato de que o "inquérito policial é inquisitivo e não tem contraditório", ou seja, que era preciso ter cautela na hora de julgar o acusado antes do juiz. Mais um advogado aponta para a cautela: "pois é, como eu falei, não é momento da Ordem se manifestar sobre isso".

    Então Marcus Nogueira diz: "Deixamos nesse momento o lado profissional um pouco de lado" e continua, "e olha que você sabe que sou extremamente legalista, mas nesse caso, é demais", alega.  

    Já a fonte do Política Dinâmica ressalta que "um representante da OAB deveria entender isso e se não consegue separar o pessoal do institucional, não deveria representar a classe", frisa uma das fontes do PD.

    INFORMAÇÕES ANTECIPADAS E JULGAMENTO

    Outra fonte disse que a OAB foi a Pedro II brincar de "CSI" (sigla inglês que significa Crime Scene Investigation e lê-se "Siessai"), em referência a uma famosa série americana de investigação criminal. No grupo de conselheiros, o tesoureiro da OAB-PI, Einstein Sepúlveda, relatou como desconfiou da mãe da vítima (suposta cúmplice de João Paulo) ao lhe fazer três perguntas sobre os momentos que antecederam e sucederam o crime. "Ficou claro para nós que algo estava errado e que o suspeito poderia estar próximo", disse categórico.

    Tesoureiro da OAB, Einstein revelou que "interrogou" mãe de vítima; estava fazendo o papel de policial? (foto: Facebook)

    Por sua vez, a advogada Élida também ressalta que "Desde o primeiro momento em que chegamos lá, percebemos que estava tudo errado na versão apresentada pela família". Em seguida relatou sobre João Paulo ter entrado em contato com ela. "Esse sujeito ainda me ligou ontem à noite, pedindo auxílio da Ordem, para se livrar da suspeita. Tive vertigem, tamanha a frieza desse indivíduo. Nós sabendo de tudo, que ele era o principal suspeito e que esse crime estava dentro da própria família, mas tendo que nos controlar para não prejudicar as investigações". Essa fala aconteceu na segunda-feira (15) e mostra que a OAB-PI já sabia pelo menos um dia antes do acusado ser preso que ele era o suspeito de ter cometido o crime. 

    A fonte do Política Dinâmica indaga "se a Defensoria Pública, um escrivão, e o gabinete do juiz entenderam que Élida e Marcus eram advogados de defesa de João Paulo, será que o próprio acusado, em algum momento, não foi levado a acreditar que ali havia algum apoio jurídico de verdade? E aí, não seria uma questão de passar dos limites da ética profissional e institucional?", questiona.

    Nestor Ximenes, o advogado da vítima, afirmou ao Política Dinâmica que seu cliente não confundiu o comportamento de Élida ou Marcus.  

    Durante a apuração desta reportagem, a defensora Christiana Gomes retificou o nome dos advogados de defesa em documento emitido no início da noite desta quarta-feira (17). Marcus Nogueira informou ao Política Dinâmica que entrou também com o Tribunal d Justiça para que fosse alterada a capa do processo em que seu nome e o de Élida constam como advogados de defesa. 

    POSTURA

    Há duas semanas o Política Dinâmica relatou uma denúncia de advogada e uma estagiária que sofreram assédio sexual por um membro da própria OAB em Parnaíba.

    É curiosa a atuação da OAB-PI nos dois processos. No inquérito de assédio, seus representantes são suspeitos de falso testemunho, falsidade ideológica e desobediência para abafar o caso. No inquérito de assassinato, seus membros são confundidos com "advogados de defesa" e sabem de informações de maneira antecipada.

    Misturar o pessoal e o institucional sem atentar para as consequências disso tem sido uma postura questionável e recorrente na OAB-PI.

    • R&G Feet
  • segunda, 15 de fevereiro de 2021, às 18:06h

    [ATUALIZAÇÃO às 19h24min - Informações de Jadyel]

    Após a publicação da reportagem, o empresário Jadyel Alencar entrou em contato com o Politica Dinâmica para responder questionamentos enviados. 

    Ele garante que não tem projetos políticos e afirmou que desconhece conversas com quem quer que seja sobre filiação partidária. Essa declaração contraria afirmação do deputado Júlio Arcoverde, que você lê abaixo na matéria. 

    Jadyel garante que vai seguir "ajudando o Piauí e o Brasil sendo empresário e fazendo o que sabe fazer".

    [FIM DA ATUALIZAÇÃO]

    O empresário Jadyel Alencar tem tudo para ser deputado federal a partir de 2023: dinheiro de sobra para a campanha e suporte político. Faltando apenas filiação partidária e definição do domicílio eleitoral. Investigado pela Polícia Federal no Maranhão e também no Piauí, a informação é de que Jadyel ainda não teria decidido por qual destes dois estados vai disputar as eleições de 2022. Já se tem notícia de prefeitos do interior sendo procurados pelo empresário -- e tantos outros indo atrás dele -- e de amigos dele espalhando até uma expectativa de votação: mais de 100 mil votos.

    Jadyel Alencar: celebridade dos contratos públicos deve disputar vaga na Câmara Federal (foto: Instagram)

    Caso se decida pelo Piauí, um dos caminhos mais prováveis para esta disputa estaria no Partido Progressista. A informação sobre conversas nesse sentido foi confirmada ao Política Dinâmica pelo presidente estadual da sigla, o deputado estadual Júlio Arcoverde. A conversa ainda não teria chegado ao presidente nacional dos progressistas, senador Ciro Nogueira, que disse ainda não estar sabendo disso.

    AS CONTAS NO PIAUÍ

    Nas contas da turma de Jadyel, metade das 10 vagas na bancada federal de deputados que o Piauí possui já tem “dono”, sendo uma do MDB, duas do PT e outras duas do PP.

    Filiar-se ao PT não seria uma opção, bem mais pela dinâmica interna da sigla que por negativa ideológica do pretenso candidato. Aliás, em 2018, a deputada Rejane Dias foi eleita com mais de 138 mil votos e Assis Carvalho, com quase 130 mil. Merlong Solano ficou na primeira suplência com 71 mil votos. Os petistas já estão formatando uma chapa onde “achar que vai ter 100 mil votos” não garante vaga nenhuma.  

    Amigos famosos: Gusttavo Lima, Wesley Safadão e Xandy Avião são alguns dos nomes de amigos que fazem de Jadyel uma "celebridade" que pode surfar na fama para conseguir um mandato de deputado (fotos: Instagram)

    No MDB, o risco é o de não haver “cauda”, uma vez que a sigla deve ser palco de uma grande disputa entre os filhos do senador Marcelo Castro e do presidente da Assembleia, deputado estadual Themístocles Filho. Castro Neto vai atrás da vaga de deputado federal mais bem votado do Piauí, título que foi diversas vezes do seu pai. Marco Aurélio Sampaio teve em 2018 um pouco mais de 73 mil votos, sendo lançado candidato às vésperas da eleição. Aqui também não dá pra brincar de ser candidato.

    Já no PP, a coisa fica mais interessante do ponto de vista prático: o partido deve ter candidato ao Governo do Estado e uma chapa com muitos candidatos com expectativa de votação média. E nenhuma das duas deputadas estaduais eleitas em 2018 obteve chegou aos 100 mil votos. Iracema Portella teve 96 mil votos e Margarete Coelho alcançou 76 mil votos.

    A PF investiga esquema envolvendo empresa de Jadyel em desvio de recursos para combate à pandemia de covid-19 (imagem: Jonathas Draw | PoliticaDinamica)

    Jadyel iria disputar a vaga numa chapa de “oposição”. Mas sem falar mal de um governo onde ele tem amigos e lucros consideráveis durante a pandemia, aponta a Polícia Federal. Campanhas vitoriosas costumam custar uma fração do que a PF anunciou de ganhos obtidos por Jadyel em contratos públicos sem licitação durante a pandemia. 

    DO OUTRO LADO DO PARNAÍBA

    Se o caminho for o do Maranhão, o caminho é mais largo do ponto de vista do número de vagas: a bancada federal de deputados de lá é quase o dobro da do Piauí, sendo 18 cadeiras na Câmara Federal.

    É também do lado maranhense do Rio Parnaíba que Jadyel possui contato com mais prefeitos municipais, suporte fundamental em campanha de deputado federal, ainda mais dessas que surgem “do nada”. Difícil vai ser decidir o partido: Jadyel é amigo do governador Flávio Dino, do PCdoB e de outros políticos que hoje abrem divergência, como é o do senador Weverton Rocha, do PDT. Lá, diferentemente do Piauí, para ir pra guerra eleitoral, tem que escolher lado.  

    O covidão no Piauí ganhou outra dimensão: o empresário celebridade Jadyel Alencar está sendo investigado (foto: Colaboração popular via Whatsapp | Facebook)

    Alencar não retornou o contato do Política Dinâmica. 

    Mas seja de que lado for, por qual partido for, por onde for Jadyel, haverá mais que prefeitos e eleitores atrás dele. 

    Pode apostar. 

    • R&G Feet


voltar para 'Política Dinâmica'