ESTARIAM DIREITA E ESQUERDA POLÍTICA FINALMENTE UNIDAS?

APÓS DELAÇÕES DA JBS DIVULGADAS NA ÚLTIMA SEMANA, AS ALAS ANTES OPOSTAS TEM UMA SÓ REIVINDICAÇÃO: A SAÍDA DE TEMER

22/05/2017 10:06 - Atualizado em 30/08/2017 11:09

Temer nega renúncia: “se quiserem me derrubem” (Foto: Alan Santos/PR)

Por Ananda Oliveira

Seja pela renúncia, impeachment ou eleições diretas, parece que o brasileiro só fala de uma coisa: a saída de Michel Temer (PMDB) da presidência. Até os partidos da base do governo (quem não saiu ainda já avalia a possibilidade, como é o caso do PSDB). 

Observando desde a massiva repercussão das delações da JBS nas redes sociais a partir da sua divulgação, na última semana, até a incansável cobertura da imprensa sobre o caso fica claro o quanto o país está saturado com tantas denúncias, a despeito da nossa capacidade de fazer piada com tudo (vide os populares memes). Se há algo de positivo em tudo isso é que a palavra impunidade começa a ser menos presente nas nossas conversas cotidianas. No entanto, há ainda muito o que avançar nessa questão.

Diferentes ideologias políticas convergem na defesa da saída de Temer (Fotos: Reprodução/Facebook e Jailson Soares/PoliticaDinamica.com)

No Piauí, há concordância nesse ponto como poucas vezes se viu. A advogada Rubenita Lessa, com ideais de direita, comentou a situação do país. Por meio das redes sociais, ela afirmou que “o país está como um supersônico desgovernado” e defendeu o impeachment de Temer, ao invés da renúncia.

Já Zé Carvalho, vice-presidente estadual do PC do B – de esquerda, portanto –, afirmou ao Política Dinâmica que o partido está inserido na “luta em defesa da democracia e do restabelecimento da soberania do voto popular” após “o impeachment fraudulento” de Dilma. Ele defende a saída de Temer e a convocação de eleições diretas.

O deputado estadual Gustavo Neiva (PSB) defende o caminho do meio, por assim dizer, com um pacto da nação. “Este é um momento de extrema gravidade. Não é um momento de se polarizar, direita, esquerda, governo ou oposição. É o momento de todos nós nos unirmos para darmos a nossa contribuição para o Brasil. Não podemos deixar o país mergulhado em tanta crise”, falou em entrevista ao Política Dinâmica.

Tabloides virtuais dão conta das celebridades ditas de direita – que antes apoiavam o nome do tucano Aécio Neves como a solução nacional – defendendo o “Fora Temer”, bordão preferido da esquerda após o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), em maio do ano passado. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) se manifestou sobre o caso e falou inclusive em renúncia de todos os envolvidos em delações, o que atinge também Michel Temer.

O mesmo ocorre entre as pessoas comuns, como eu e você. De direita ou esquerda – se é que essas duas matrizes ideológicas realmente existem e são seguidas –, parece que finalmente os brasileiros concordam em alguma coisa. A polaridade que se instalou desde as eleições presidenciais em 2014, o FlaxFlu político, deu uma trégua para gritar “fora Temer”.

TEMER E O DIA DO FICO
Apesar de tudo isso, o presidente Temer continua firme na decisão de não renunciar. Disse, em entrevista à Folha de S. Paulo publicada na edição desta segunda-feira (22), que “se quiserem, me derrubem”. 

Desde o início do seu mandato, o peemedebista ficou conhecido como alguém que cede facilmente à pressões e volta atrás em uma decisão (uma rápida busca no Google comprova isso). Dessa vez, quiçá na maior pressão de sua vida – com toda a nação defendendo sua saída – Temer decidiu optar pelo caminho inverso e “bater o pé”. “Diga ao povo que fico” é a postura que ele assumiu e parece parafrasear Dom Pedro I na célebre frase que marcou sua permanência no Brasil.

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