Coluna Marcos Melo Política Dinâmica
JOGO SUJO NA OAB

DIRETORIA DA OAB-PI VAZA INFORMAÇÕES SIGILOSAS DE PROCESSOS CONTRA ADVOGADOS DE CHAPAS DE OPOSIÇÃO A LUCAS VILLA

31/10/2018 19:07 - Atualizado em 31/10/2018 20:37

Para constranger adversários de Lucas Villa, alguém da atual diretoria da OAB-PI vazou informações sigilosas de processos administrativos (foto: Instagram)

Chega a ser infantil o jogo sujo que integrantes da atual diretoria da Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Piauí começaram a fazer para buscar eleger o sucessor do ainda presidente Chico Lucas. Na tarde desta quarta-feira (31), o Política Dinâmica recebeu via WhatsApp diversos documentos e números de processos administrativos relacionados a advogados que compõem chapas de oposição.

Um dos documentos enviados (não divulgaremos os conteúdos por serem, em alguns casos, processos em curso, ainda em fase de contraditório) é relacionado à advogada Daniela Carla Gomes Freitas, que compõe a Chapa 2, na condição de vice ao lado do candidato a presidente Carlos Henrique. Os processos, segundo o próprio Regulamento Geral da OAB deveriam ser sigilosos. O que significa que o acesso a estes processos é restrito e alguém que possui esse acesso se fez valer do cargo para constranger adversários, quebrando o vínculo de confiança entre a Ordem e seus filiados.

Nos documentos não constam processos relacionados a nomes inscritos na Chapa 1, encabeçada pelo advogado Lucas Villa.

Há meses o Política Dinâmica cobra da Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Piauí uma postura fiscalizadora do poder público em favor da Sociedade. Convenientemente, a OAB-PI manteve-se calada. Mais adiante, o leitor vai entender o motivo.

Agora, às vésperas de uma nova eleição na seccional, distribui conteúdo sigiloso para denegrir a imagem de opositores. É o mesmo estilo covarde de “guerrilha” das campanhas governistas que o Piauí já conhece. Sinceramente, até mesmo entre adversários deveria haver um pouco mais de ética. Usar a Ordem contra advogados é baixo demais.

Covardia por covardia, divulgação por divulgação, o que a atual diretoria da OAB-PI não publica e faz questão de esconder é que um importante integrante de sua chapa de reeleição responde há 5 anos a um processo de Lesão Corporal de Natureza Grave.

Trecho de denúncia oferecida pelo Ministério Público contra integrante da OAB (imagem: reprodução)

Indicado para ocupar o cargo de presidente da Caixa de Assistência ao Advogado - CAAPI, o advogado Talmy Tércio Júnior arrombou a porta do apartamento de sua ex-esposa, a ameaçou, arrastou-a até o quarto, a agrediu com mordidas e a jogou no chão, segundo denúncia do Ministério Público, alegando que ali, no chão “era seu lugar”.

Laudo elaborado no IML sobre as agressões de natureza grave contra ex-mulher de candidato (imagem: reprodução)

O crime aconteceu em 2009 e prescreve em alguns meses. É um dos retratos da atual — e futura — gestão. Os atuais presidente Chico Lucas e vice-presidente Lucas Villa, deixaram de fora da chapa várias mulheres, não cumpriram o mínimo de 30% de advogadas, mas insistiram para manter Talmy Tércio num dos cargos mais importantes da OAB-PI, justamente aquele que deveria trabalhar com a “preocupação e o cuidado com o profissional da advocacia e com os seus familiares e estagiários regularmente inscritos nesta seccional”, segundo a descrição institucional do cargo.

O "probleminha" do candidato a presidente da CAAPI na Chapa 1 era tão conhecido por Lucas Villa que o marketing da campanha fez questão de "escondê-lo" nas peças publicitárias (foto: Instagram)

Incômodo maior sentem as mulheres, provavelmente, no caso específico da postura de Lucas Villa. O advogado do emblemático “Caso Fernanda Lages” se deu ao trabalho de bancar a permanência de um agressor ao custo de tirar mulheres da chapa.

Talmy e Villa: será que a Chapa 1 resguarda candidato para viabilizar prescrição de crime de lesão? (foto: Facebook)

Logo, não é de se espantar que estejam sendo vazados conteúdos de processos administrativos contra adversários — a maioria mulheres —, nem tampouco causa espécie a inoperância da Ordem por uma Justiça mais célere.

Quem votou em Chico Lucas em 2015 para ter uma OAB renovada certamente não imaginava que a mudança seria tão ruim (foto: Jailson Soares | PoliticaDInamica.com)

E você achando que a cumplicidade da OAB-PI em relação à gestão de Wellington Dias (PT) era apenas uma questão de amizade de Chico Lucas com o secretário de Fazenda Rafael Fonteles, ou com o secretário de Justiça Daniel Oliveira. Nem somente a expectativa de se tornar secretário de Estado.

Já sabe que é também de autopreservação e interesse pessoal. Com um telhado de vidro desses, a OAB-PI não pode peitar ninguém. Zero.

Senhoras e senhores advogados, façam uma boa escolha em 2018.

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