Senado Piauí 2026: Marcelo e Júlio brigam só pela segunda vaga?

A disputa pelo Senado no Piauí ainda não chegou às urnas, mas o desenho político já indica uma tendência clara. Hoje, a leitura fria dos números e das articulações municipais coloca Ciro Nogueira (PP) em posição de vantagem sobre Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD), candidatos governistas.
Não se trata de torcida ou pesquisa isolada, mas da soma de fatores objetivos.

Júlio, Marcelo, Ciro e Tiago: você é capaz de analisar friamente quem tem a vantagem de eleição em 2026? (imagens: instagram)

Lideranças Políticas

Só para se ter uma ideia da ordem de grandeza da relação política que sustenta uma campanha majoritária, vamos lembrar de 2024. O PSD de Júlio César elegeu 65 prefeitos, somando 286 mil votos; o MDB de Marcelo fez 57 prefeitos, com 291 mil votos. Já o Progressistas de Ciro elegeu 34 prefeitos e obteve 187 mil votos. Porém, ao incorporar a vitória de Sílvio Mendes em Teresina — 240 mil votos — o campo ligado a Ciro alcança 427 mil votos. Com coligações que envolveram 26 prefeitos de PSD e MDB, somando mais 136 mil votos, essa base potencial chega a 570 mil votos, alterando significativamente o cenário bruto de comparação partidária.

Emendas e Recursos

Há ainda o fator estrutural da máquina política municipal. Prefeitos fazem conta. Um senador em exercício pode destinar emendas imediatamente; um senador recém-eleito só começará a fazê-lo no fim de 2027, com efeitos práticos a partir de 2028. Nesse aspecto, Marcelo Castro e Ciro Nogueira largam à frente de Júlio César. Além disso, mesmo estando na oposição ao governo estadual, Ciro destinou mais emendas e recursos diretos a prefeituras piauienses do que Marcelo Castro e do que Jussara Lima — atual senadora por ser suplente de Wellington Dias. No interior, onde a política se move por entregas concretas, esse diferencial pesa mais do que discursos.

O recado dentro do PT

O terceiro ponto é político e estratégico. A recente tensão entre Rafael Fonteles e Wellington Dias expôs bastidores que poucos observaram com atenção. Ao sugerir cenários em que uma vaga ao Senado poderia ser trocada por uma posição de vice na chapa majoritária, Wellington sinalizou leitura realista do tabuleiro. Ele foi eleito governador quatro vezes em primeiro turno e conhece matemática eleitoral como poucos. Se até ele admite rearranjos que pressupõem dificuldade na disputa pela vaga, é legítimo questionar se parte da base governista não já reconhece a vantagem de Ciro. Hoje, com base em números, articulação municipal e movimentações estratégicas, a corrida aponta para uma disputa pela segunda vaga — enquanto a primeira parece ter favorito.
Para bom entenderdor, meia pala...

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