Coluna Marcos Melo
  • sábado ,02 de fevereiro de 2019, às 00:02h

    Wellington Dias e o sorriso de quem escapou de um julgamento de homicídio (foto: Marcos Melo | PoliticaDinamica.com)

    Nesta sexta-feira (01) o governador Wellington Dias (PT) anunciou que o Superior Tribunal de Justiça arquivou a Ação Penal 805. Este era o processo que o petista respondia desde 2010 por suposto crime de homicídio culposo pela morte de, oficialmente, 9 pessoas. Mas ele deixou de fora do anúncio um detalhe que o Política Dinâmica não deixou passar: ele não foi considerado inocente.

    Wellington Dias escapou do julgamento porque o processo prescreveu. O atual governador do Piauí reeleito para seu 4º mandato foi beneficiado pelo “sistema”. Atrasou o quanto foi possível e escapou.

    Veja no vídeo!

    O inquérito teve início em 2009. Tramitou em na primeira instância em Cocal e subiu para o Superior Tribunal de Justiça. Wellington foi denunciado quando havia acabado de deixar o governo, em 2010, para disputar o Senado. Então o processo correu 10 meses na Justiça Estadual. Eleito senador, a denúncia subiu para o Supremo Tribunal Federal, onde se esticou por 3 anos e meio. Com a renúncia de Wellington para disputar o governo em 2014, voltou a descer para a instância estadual, onde repousou por quase um ano. Voltou ao STJ quando Wellington Dias assumiu seu 3º mandato de governador.

    Qualquer expectativa de julgamento morreu aí.

    Ao falar que a ação contra ele foi arquivada, Wellington não mencionou o motivo: a Jusitça demorou demais e o crime prescreveu (foto: Marcos Melo | PoliticaDinamica.com)

    Veja o documento clicando aqui: Ação Penal 805/2010 - Wellington Dias - Homicídio Culposo.

    De todo modo ainda há alguma justiça a ser feita: as vítimas que tem direito às indenizações deveriam deixar de ser humilhadas em ato de contínuo atraso dos repasses financeiros. Hoje, o atraso é de 3 meses.

    A dor delas não prescreve.

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  • sexta ,01 de fevereiro de 2019, às 00:02h

    Helder Jacobina e Ronald Moura -- os braços de Rejane Dias na SEDUC -- já estão na mira da PF (foto: Jailson Soares | politicaDInamica.com)

    Esta semana, quem já estava tomando remédio pra dormir na Secretaria de Estado da Educação do Piauí dobrou a dose. O que muita gente ainda não entendeu é que a primeira denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal no âmbito da Operação Topique foi cauteloso e certeiro. E está dando a chance para que algum envolvido se adiante a colaborar antes de ir preso.

    LISIANE LUSTOSA

    A denúncia do MPF que motivou a coletiva trata de “atos de corrupção especificamente delineados”, segundo as palavras do próprio procurador da República e coordenador da força tarefa da Operação Topique Marco Aurélio Adão. Quem observar com cuidado a denúncia, vai ver que Luiz Carlos Magno não escapa de uma condenação rápida e que a servidora Lisiane Lustosa que (ainda) está solta, vai pra cadeia também, como mostram estes trechos da denúncia a seguir:

    Trecho da denúncia do MPF (imagem: Marcos Melo | politicaDinamica.com)

    Trecho da denúncia do MPF (imagem: Marcos Melo | politicaDinamica.com)

    Trecho da denúncia do MPF (imagem: Marcos Melo | politicaDinamica.com)

    Ou seja, só no ano de 2015 Lisiane recebeu — segundo inquérito da PF — trinta vezes mais dinheiro do esquema do transporte escolar na SEDUC em comparação ao salário de comissionada que ganhava no Estado, conforme consta no portal da transparência no mês de agosto de 2018, quando a primeira fase da Operação Topique foi deflagrada. 

    Veja nesta imagem:

    Detalhe: Lisiane não é funcionária de carreira, é comissionada exclusiva, ou seja, alguém a colocou onde ela está porque confiava nela. E ela apenas fazia a cotação dos preços. Não era dela a responsabilidade de escolher a modalidade do pregão, homologar resultados e aditar contratos. E provavelmente não teria serventia para o esquema se a licitação do transporte escolar tivesse sido eletrônico ao invés de presencial.

    Mas segundo o próprio procurador, as licitações ainda serão objeto de outras denúncias, baseadas no inquérito da Polícia Federal. Veja no vídeo abaixo!


    JACOBINA E RONALD

    Por sua vez, as investigações da PF têm suporte em diversos relatórios dos mais variados órgãos de controle. Num destes relatórios — elaborado pela Controladoria Geral da União — é apontado que por manifestação expressa do braço direito da secretária Rejane Dias, o então superintendente de Gestão Helder Jacobina, e contra um parecer da Procuradoria-Geral do Estado, a SEDUC decidiu escolher a modalidade de pregão presencial e não o eletrônico, que ampliaria a possibilidade de concorrência e preços menores.

    Veja:

    Trecho do relatório da CGU no inquérito da Polícia Federal (imagem Marcos Melo | PoliticaDinamica.com)

    Contrariando uma segunda manifestação da PGR, foi a vez de Ronald Moura jogar o barro na parede. O tenente-coronel da PM e braço esquerdo da primeira-dama reforçou a necessidade de realizar o pregão presencial num documento intitulado “Auto de Justificativa”, Moura justificou o injustificável, facilitando a contratação das empresas do esquema.

    Veja:

    Trecho do relatório da CGU no inquérito da Polícia Federal (imagem Marcos Melo | PoliticaDinamica.com)

    Trecho do relatório da CGU no inquérito da Polícia Federal (imagem Marcos Melo | PoliticaDinamica.com)

    Traduzindo: a PF tem material demais e o MPF decidiu denunciar primeiramente quem não tem costas largas em crimes incontestáveis por meio de provas irrefutáveis. Assim, o primeiro resultado concreto da Topique deverá ser uma condenação rápida de Luiz Carlos e Lisiane Lustosa, o cabeça do núcleo privado do esquema e a ponta-solta na SEDUC.

    A Topique está prestes a jogar no lixo a propaganda oficial e isso não demora.

    Que abra o bico quem não quiser ficar um bom tempo preso.

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  • quinta ,31 de janeiro de 2019, às 17:01h

    A lógica da relação institucional entre o Governo Federal e as Prefeituras Municipais parece ter mudado. O trato, em boa parte, vai deixar de lado os intermediários. Pelo menos é o que se espera para as capitais e maiores cidades do país. E o prefeito de Teresina saiu na frente para se adaptar a este novo momento.

    Firmino Filho (PSDB) hoje compõe um grupo de gestores que, em nome da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), representa os interesses gerais dos municípios de todo o país. Sem os interesses político-eleitorais de senadores e deputados pelo meio da conversa.

    Ao ministro Paulo Guedes o prefeito Firmino Filho falou de desafios que municípios bem geridos precisam enfrentar com a colaboração do Governo Federal (foto: Ascom)

    Ter parlamentares como “atravessadores” em concentrou que deveriam ser entre gestores já facilitou liberação de recursos e projetos. Mas em outros casos — muitos, aliás — foi o motor de desvios de finalidade e recursos públicos por todo o país.

    TERESINA EM BRASÍLIA

    A capital do Piauí pode se beneficiar desse novo contexto, principalmente pela postura de Firmino e de sua gestão. Teresina consegue ter uma administração enxuta mesmo num lugar em que a lógica estabelecida pela gestão do governo estadual é a de lotear e inchar a máquina pública. O bom exemplo pode ser em vários aspectos, modelo para o Brasil.

    Na última terça-feira (29), enquanto deputados e senadores do mundo político do Piauí estava envolvidos com os bastidores da eleição da Mesa Diretora da Assembleia, Firmino estava reunido com o ministro da Justiça Sérgio Moro.

    A pauta, obviamente, ligada à segurança das cidades, prejudicada pela histórica falta de investimentos no setor pelos governos estaduais principalmente.

    Em reunião com Sérgio Moro, o prefeito de Teresina debateu a respeito de uma nova diretriz de segurança que beneficie os municípios (foto: Ascom)

    Ontem, quarta-feira (30), foi a vez de tratar com os ministros Paulo Guedes, da Economia; e Luiz Henrique Mandetta, da Saúde. Com estes dois, as pautas foram sobre a nova visão do Governo Federal sobre a responsabilidade do financiamento direto do atendimento à população em saúde nas cidades e uma nova distribuição dos tributos que viabilize o funcionamento dos mais diversos serviços sob responsabilidade de estados e prefeituras.

    DEBATE QUALIFICADO

    Conversamos com o prefeito Firmino Filho sobre estes encontros. “É possível sentir uma boa diferença no trato, nas reuniões. Temos uma mesma visão de reformas que são necessárias desde a da Previdência até o ajuste do pacto federativo”, comentou o tucano.

    Firmino é um prefeito do PSDB gestor da capital do estado brasileiro que deu a menor votação proporcional a Jair Bolsonaro (PSL) para presidente e que ainda é governado pelo PT. E aqui, cabe outro ponto importante apontado pelo tucano. Segundo Firmino, nenhum dos ministros fez menção ou deu a entender que haveria restrição ou vantagem partidária neste novo diálogo que está se estabelecendo.

    Sendo assim mesmo, num debate mais qualificado, é possível que o país tenha uma boa chance de voltar aos trilhos.

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  • terça ,29 de janeiro de 2019, às 19:01h

    Confiado na palavra de Wellington Dias, Ciro foi pra cima da eleição da Alepi e viu o governador fugir do compromisso (foto: Marcos Melo | PoliticaDinamica.com)

    O senador Ciro Nogueira (PP) jogou a toalha após ser abandonado no meio da disputa pelo governador Wellington Dias (PT). Em uma série de tuítes nesta terça-feira (29), liberou os deputados de seu partido para votarem como bem entenderem na eleição da Mesa Diretora da Alepi. Afirmou que não vai mais tocar neste assunto, mas não sem antes criticar a permanência de Themístocles Filho (MDB) no comando da Assembleia Legislativa.

    Parece não haver uma promessa que o petista faça sorrindo que não desfaça sem derramar uma única lágrima (foto: Jailson Soares | politicaDinamica.com)

    Ciro foi o senador mais bem votado nas eleições de 2018 para mais 8 anos de Senado. Pelo menos na teoria, deve totalizar 16 anos por lá. E foi decisivo na reeleição de Wellington, que já tinha 12 anos de governador e segue para fechar 16 anos de Karnak.

    Porém, o senador piauiense considerou importante frisar uma crítica à permanência de Themístocles Filho no comando da Alepi por 14 anos. Ao que tudo indica, o emedebista deve completar ali, também, 16 anos.

    Ciro e Themístocles, cada um com seu balão (foto: Jailson Soares | politicaDInamica.com)

    Ciro 16, Wellington 16, Themístocles 16.

    Todos se ajudaram, por vontade ou na marra, nas últimas eleições.

    Quem pode criticar quem?

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  • sexta ,25 de janeiro de 2019, às 21:01h

    Boataria e ameaças: envolvidos no esquema da Topique temem a delação de Luiz Carlos (foto: Facebook)

    Amigos e familiares de Luiz Carlos Magno Silva estão apreensivos. Boatos de que ele estaria sofrendo de depressão nas dependências da Casa de Custódia, segundo um deles com o qual o Política Dinâmica teve contato, “parece uma justificativa antecipada de algo ruim”.

    Em outras palavras: o temor é de queima de arquivo. A lógica criminosa seria espalhar boatos de que Luiz Carlos estaria depressivo e fora de si; e depois ninguém estranharia se algo acontecesse a ele.

    Luiz Carlos, segundo as investigações da Polícia Federal e denúncia oferecida no último dia 22 de janeiro de 2019 pelo Ministério Público Federal é figura mais que importante para se colocar na cadeia os integrantes dos núcleos político e público que também são investigados. Ele faz parte do esquema de desvio de recursos do transporte escolar do Governo do Estado em gestões do governador petista Wellington Dias desde sua concepção em 2009 e também em prefeituras municipais em que as gestões são ou eram, de forma majoritária, do Partido dos Trabalhadores. Veja no documento abaixo!

    Uma provável delação premiada dele tem chance de implodir os mandatos e carreiras políticas de Wellington Dias e Rejane Dias e quem estiver por perto.

    BOATOS E AMEAÇAS

    “É que achamos estranho. Ninguém fora vocês [do Política Dinâmica] dá notícia da operação, nem fala do governo. Como se fosse tudo proibido. E quando falam alguma coisinha, a culpa tá caindo toda em cima dele. Aí a gente começa a ver [um comentário] na TV, ou alguém falando no rádio, do nada, que ele está chorando muito, que tá com depressão. Não tá. Não é fácil, mas ele está sereno, lendo livros. Agora, a gente sabe que a Casa de Custódia não é lugar seguro, entende?”, comentou a fonte.

    Familiares de Luiz Carlos também teriam sido ameaçados, segundo esta mesma fonte. Questionada sobre de onde teriam partido as supostas ameaças, a fonte preferiu não estender a conversa.

    Um agente penitenciário com quem o Política Dinâmica buscou checar informações sobre Luiz Carlos afirmou que nunca viu ou soube dele chorando ou descontrolado. “Mas aqui, você sabe, né, se nem os agentes estão seguros, imagine os presos. Com um secretário deste que nós temos ainda. Eu teria cuidado.”, frisou.

    Seja como for, certamente Luiz Carlos estaria mais seguro numa sala da Polícia Federal.

    Só por precaução.

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  • sexta ,25 de janeiro de 2019, às 11:01h

    Paulo Martins é o primeiro político exposto pela Operação Topique e, com ele, o governo do estado e o PT ficam expostos (foto: Facebook)

    O Política Dinâmica teve acesso exclusivo à denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal com base nas investigações da Operação Topique. Na lista de 22 denunciados está o nome do ex-prefeito de Campo Maior e atual suplente de deputado estadual Paulo Martins, do PT. Ele é o primeiro político exposto oficialmente pelas investigações.

    Paulo Martins esperava virar deputado estadual convocado por Wellington Dias , o que agora é dúvida (foto: Facebook)

    O MPF marcou uma coletiva de imprensa para o próximo dia 29 de janeiro, com a finalidade de explicar à imprensa detalhes sobre a denúncia. Mas já é possível adiantar a tipificação dos crimes dos quais os suspeitos são acusados.

    A turma da Topique está sendo enquadrada pelos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

    Paulo Martins é a porta de entrada da Polícia Federal e do MPF no Partido dos Trabalhadores e nas gestão de Wellington Dias no Governo do Estado e Rejane Dias na SEDUC.

    OPERAÇÃO TOPIQUE

    A operação investiga crimes praticados por pessoas físicas e empresas acusadas de fraudar licitações e desviar dinheiro público destinado à prestação de serviços de transporte escolar nas secretarias estaduais de Educação e em municípios do Piauí e do Maranhão, custeados por recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e do Programa Nacional de Apoio ao Transporte do Escolar (Pnate).

    Conforme os autos, os investigados praticavam os crimes por pelo menos cinco anos, sendo o prejuízo ao erário superior a R$ 119 milhões.

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  • quinta ,10 de janeiro de 2019, às 16:01h

    Wellington Dias (PT), segundo seu entorno no Karnak, está “fechado em copas” quando o assunto é a composição de seu novo governo. Assim, até que seja divulgada a lista de novos secretários, está aberta a temporada de “fogo-amigo”. E nesse caminho foi criado um grande problema com partidos da base e deputados estaduais.

    Sem dar sinais de quem vaza ou fica, Wellington Dias abriu a temporada do fogo-amigo dentro de seu governo (foto: Jailson Soares | PoliticaDinamica.com)

    OS PROGRESSISTAS

    No último dia 27 de novembro de 2018, o Política Dinâmica divulgou que três nomes eram cotados para assumir a Comunicação do governo. Dois deles ligados ao Progressistas. Desde então, sites patrocinados pelas cotas de publicidade do governo passaram a publicar material sobre a perda de força do senador Ciro Nogueira no cenário nacional e posicioná-lo como um provável adversário em breve.

    De tabela, afastando o PP da propaganda institucional, que torrou nada menos que R$ 120 milhões nos últimos 4 anos. O problema dessa lógica é que o aliado que não presta para a Comunicação, presta menos ainda para comandar a Assembleia Legislativa.

    O deputado Júlio Arcoverde — que seria a primeira opção de Ciro para a disputa da presidência da Alepi —, nestes mesmos veículos, passou a protagonizar matérias sobre “ameaças” ao governo. Distorções sobre declarações de deixar a base se o partido não ganhar a Alepi foram amplamente divulgadas. E o posicionamento de Arcoverde contrário a Wellington Dias no episódio do aumento de impostos em 2017 foi lembrado à exaustão como um atestado de desconfiança.

    A repentina investida contra Ciro nas linhas editorias desses veículos, inclusive, foi tema de conversa entre o senador e o governador recentemente.

    Os elogios que enchiam portais, jornais e programas de rádio e tv bancados pelo governo passaram a dar lugar a desconfianças quando o assunto é a permanência do PP na base governista (foto: Marcos Melo | PoliticaDinamica.com)

    E esse fogo-amigo gerou uma crise maior do que o próprio Wellington Dias imaginava na disputa da Assembleia. Já não é a disputa entre dois aliados, mas um ataque que partiu do próprio governo na direção de quem viabilizou a reeleição do petista.

    DEPUTADOS EXPOSTOS

    Há duas semanas, então, o nome do deputado estadual Fábio Novo (PT) também foi mencionado como possível gestor da Comunicação, num movimento para chamar suplentes para a Alepi. E não demorou 48 horas para aparecer um dossiê distribuído à imprensa por um conhecido lacaio governista sobre suposto esquema de corrupção dentro da Cultura, pasta que Novo conduzia até o ano passado.

    Acontece que a Cultura não era apenas a secretaria de Fábio Novo, mas a pasta para onde foi destinada uma boa quantia de recursos das emendas impositivas dos deputados estaduais (por curiosidade, prometemos ao leitor, em breve, essa lista). Logo, se a secretaria for investigada, outros parlamentares também podem ser investigados por tabela.

    Essa equipe de Wellington já foi mais esperta e sutil.  

    O fogo aí é amigo, mas o tiro pode sair pela culatra.

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  • quinta ,10 de janeiro de 2019, às 14:01h

    “A Caixa Econômica foi vítima de saques, fraudes e assaltos nos recursos públicos”. A frase foi proferida pelo ministro da Economia Paulo Guedes esta semana, durante a posse dos novos presidentes dos bancos estatais. Desde 2016, a presidência do banco tem sido indicada pelo senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas.

    O tom do diálogo que o governo federal e o PP de Ciro Nogueira só realizam por recados na imprensa dÃo o tom o distanciamento político deles (fotos: Youtube e PolíticaDinamica.com)

    O Política Dinâmica questionou o senador piauiense a respeito das palavras do braço direito do presidente Jair Bolsonaro (PSL) a respeito da gestão do banco. E Ciro não quis esticar muito a conversa.

    CURTO E GROSSO

    “Só tenho a dizer que a Caixa está apresentando os maiores lucros da sua história. O maior volume de investimentos da sua história, no que diz respeito a todas as áreas. Nos últimos anos foram anos fantásticos, né? Eu não tenho dúvida de que a Caixa teve nas últimas gestões, principalmente na do doutor Nelson Souza, talvez o melhor presidente da sua história. É isso que eu tenho a dizer”, comentou.

    Ciro Nogueira não disse mais nada. Não comentou a gestão de Gilberto Occhi, que estava lá antes de Nelson e que seguiu, depois, para o Ministério da Saúde.

    EMPRÉSTIMOS SUSPEITOS

    Foi durante a gestão dos indicados do PP que, no Piauí, se desenrolou a polêmica dos empréstimos do FINISA I e II. O uso dos recursos foi questionado na justiça e parte do empréstimo está bloqueado por ordem da Justiça Federal até hoje. Há suspeitas de que a Caixa tenha atuado para favorecer eleitoralmente a base do governador Wellington Dias (PT), que encabeçou a chapa pela qual Ciro também foi reeleito.

    As suspeitas sobre o uso dos recursos do FINISA I e II pelo governo do Estado do Piauí teve início durante a gestão de Gilberto Occhi na CEF, indicação de Ciro (foto: Marcos Melo | PoliticaDinamica.com)

    De fato, Paulo Guedes não disse quando teriam ocorrido os saques, fraudes e assaltos. O banco foi parar nas mãos do PP em 2016, após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

    Em seu discurso no ato de transmissão do cargo, o piauiense agora ex-presidente da Caixa Nelson Souza afirmou que o banco estava dobrando em 2018 o lucro que obteve em 2017, num salto de R$ 7,3 bilhões para R$ 15 bilhões. E frisou que a inadimplência está abaixo dos 2%.

    Este episódio aponta, de todo modo, para um relacionamento que não promete ser dos melhores entre Ciro e o atual Governo Federal. Pelo menos não tão bom quanto era com o ex-presidente Michel Temer (MDB).

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  • quarta ,19 de dezembro de 2018, às 01:12h

    O governador Wellington Dias e a ex-secretária de Educação Rejane Dias já tem motivos para perder o sono neste fim de ano (foto: Jailson Soares | PoliticaDinamica.com)

    A partir de hoje, qualquer hora é hora para a segunda fase da Operação Topique. E ela pode ir além da Secretaria de Educação. O Tribunal Regional Federal da 1a. Região derrubou a liminar que mantinha em liberdade o empresário Luiz Carlos Magno, dono da LOCAR/LC Transportes. Ele é apontado pela Polícia Federal como o cabeça do núcleo empresarial do esquema que pode ter desviado mais de R$ 120 milhões do transporte escolar no Piauí.

    O processo continua seguindo em sigilo, mas fontes do Política Dinâmica apontam que Luiz Carlos deve se apresentar em até 48 horas para voltar à carceragem da PF. E a prisão do empresário é coisa que bota meio governo de Wellington Dias (PT) pra dormir à base de Rivotril. E com um friozinho na barriga.

    POLÍTICOS E AGENTES PÚBLICOS

    Se de um lado Luiz Carlos é tido como chefe do esquema na camada do setor privado, do outro é certo que o dinheiro público só poderia ser desviado com a participação ativa de agentes públicos e políticos ligados às prefeituras municipais do interior do Piauí e do Governo do Estado.

    Empresário que já foi filiado ao PT e participou de outros governos de Wellington Dias deve se apresentar em no máximo 48 horas à Polícia Federal (foto: Facebook.com)

    Tanto que vale lembrar que duas servidoras da Secretaria de Estado da Educação do Piauí foram presas juntamente com o empresário. Também que a Controladoria-Geral da União entregou à Polícia Federal um relatório em que aponta o empenho suspeito de Helder Jacobina (hoje secretário de Educação) e Ronald Moura na execução de licitações presenciais que privilegiaram as empresas do esquema. Os dois eram os braços esquerdo e direito da deputada Rejane Dias (PT) durante sua gestão.

    E que as investigações se iniciaram por uma denúncia feita à PF sobre o pagamento de transporte escolar com notas fiscais frias de merenda em Campo Maior, na gestão de Paulo Martins. Foram despesas ordenadas pelo então secretário de Educação do município, Professor Ribinha, hoje, prefeito da cidade.

    Todos ligados ao PT no Piauí. Veja no vídeo abaixo!

    INTERCEPTAÇÕES TELEFÔNICAS DURANTE AS ELEIÇÕES

    Depois de ter apreendido documentos e prendido 23 pessoas em agosto, a Polícia Federal solicitou à Justiça autorização para novas interceptações telefônicas. A informação consta numa decisão datada de 7 de novembro de 2018, do juiz federal Agliberto Gomes Machado — titular da 3ª Vara -- que negou aos advogados de defesa o acesso a esta parte do inquérito.

    Não é possível por meio deste documento específico saber quem estaria sendo monitorado. Mas o juiz deixa claro que estas interceptações que se seguiram desde o dia 2 de agosto de 2018 — quando foi deflagrada a Operação Topique — até o início de novembro apontam que “alguns diálogos sugerem o cometimento de outros crimes”. 

    Resumindo o receio de meia banda do Governo do Estado: as interceptações continuaram a todo vapor exatamente no período eleitoral. E apontaram crimes diferentes dos investigados pela a Operação Topique.

    O atual secretário de Educação do Piauí, o advogado Helder Jacobina deve ser substituído por um deputado no comando da pasta em fevereiro de 2019 (foto: Marcos Melo | PoliticaDInamica.com)

    PODE AUMENTAR

    Logo, enquanto não se sabe o teor exato desses diálogos, segundo uma fonte do Política Dinâmica, é possível imaginar dois novos problemas para o governo estadual e prefeituras.

    O primeiro é que novos crimes — como a obstrução — tenham sido cometidos na intenção de encobrir o que estava sendo investigado. O segundo é a Polícia Federal tenha grampeado alguém que esteja envolvido em crimes em outras secretarias municipais ou estaduais, não necessariamente na Educação.

    Tic-tac, tic-tac, tic-tac…

    A defesa do empresário Luiz Carlos Magno não retornou nossos contatos para manifestação sobre o assunto.

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  • segunda ,17 de dezembro de 2018, às 12:12h

    A filiação de Wilson Brandão ajudou na reeleição de Ciro, aumentou o número de deputados do PP dando ao partido envergadura para disputar a Alepi, mas com o nome do deputado Hélio Isaías (foto: Marcos Melo | PoliticaDInamica.com)

    Não bastou a palavra empenhada, nem a mesma origem na cidade de Pedro II. A filiação do deputado estadual Wilson Brandão no Progressistas do senador Ciro Nogueira foi fundamentada na promessa de que ali estava o passaporte para a presidência da Assembleia Legislativa. Passadas as eleições, chegou o balão.

    Wilson saiu do PSB e se filiou num momento importante para o Progressistas e, em especial, para Ciro Nogueira. Lula (PT) havia acabado de ser preso, vários políticos apontavam isso como uma das consequências do impeachment de Dilma Rousseff (PT) — processo no qual Ciro foi fundamental — e parte da base governista rejeitava o senador.

    Wilson aumentou o poder do partido nas negociações da pré-campanha e a moral de Ciro que ainda patinava nas pesquisas.

    No dia de sua filiação, Wilson Brandão era só sorrisos; estava chegando num partido da base do governo com a promessa de ser o próximo presidente da Alepi (foto: Marcos Melo | PoliticaDinamica.com)

    “Mas de tanto ficar perto de Wellington Dias, o senador Ciro parece ter adquirido por ‘osmose’ o maior defeito de um homem público: não cumprir promessas”, disse ao Política Dinâmica um parlamentar amigo de Wilson, falando sobre o caso. O mesmo deputado apontou ainda que “se o PP teve coragem de enganar o Wilsinho, imagine o resto de nós”.

    Segundo fontes nos bastidores do partido, o acordo era de que o PP indicaria Wilson como candidato à presidente da Alepi para o biênio 2019-2020. E em seguida seria a vez de Júlio Arcoverde, conduzindo os trabalhos da Casa no biênio 2021-2022.

    Mal foi contabilizado o resultado das urnas e Júlio já tinha pulado na frente de Wilson nos planos do partido e há duas semanas, o deputado estadual Hélio Isaías passou dos dois, sendo hoje o candidato oficial da sigla.

    Júlio Arcoverde, presidente estadual do PP, continua sendo o nome do partido para conduzir a Alepi na reta final para a campanha eleitoral de 2022 (foto: Jailson Soares | PoliticaDinamica.com)

    Há alguns dias, procurado pelo PD, Wilson Brandão disse que não trataria do caso pela imprensa e que não era hora de falar. “Até fevereiro muita coisa pode acontecer”, se limitou a dizer. Alguma reação à quebra desta promessa pode ser esperada.

    Sem a vice e com influência federal reduzida, a ALEPI é para o Progressistas o pilar de uma candidatura do partido ao governo do Estado em 2022.

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