Coluna Gustavo Almeida Política Dinâmica
O MÃO SANTA QUE FAZIA MÁGICA

NA CAMPANHA PARA REELEIÇÃO EM 1998, O ENTÃO GOVERNADOR DO PIAUÍ USOU UMA MÁQUINA FOTOGRÁFICA MODERNA PARA IMPRESSIONAR OS MATUTOS

23/06/2020 11:15 - Atualizado em 23/06/2020 12:27

Mão Santa é marcado pelo populismo (Foto: Gustavo Almeida/PoliticaDinamica.com)

O ano era 1998. Mão Santa, à época no PMDB, disputava a reeleição para governador do Piauí contra o então senador Hugo Napoleão, do PFL. Unindo clientelismo, messianismo, populismo e humor, o piauiense ganhou destaque nacional pelo jeito de fazer campanha.

Conforme matéria da Folha de S.Paulo publicada em 16 de agosto daquele ano, uma “mágica” feita por Mão Santa encantava rurícolas nos grotões do Piauí. Além disso, o jingle da campanha dizia que o governador era “a mão santa enviada por Deus para cuidar do povo".

Para fazer a “mágica”, Mão Santa se valia da pouca ou nenhuma instrução de uma parcela do eleitorado. Segundo a matéria da Folha, ele andava pelos rincões do Piauí com uma máquina fotográfica do tipo Polaroid. Para impressionar eleitores que ainda não tinham chegado à era da TV, Mão Santa os chamava para tirar uma foto ao seu lado.

Enquanto a fotografia era revelada instantaneamente, o governador passava as mãos por cima do papel e falava que ia "fazer uma mágica". Quando o rurícola via sua foto ao lado do governador impressa na hora, ficava estupefato, impressionado.

Os próprios assessores de Mão Santa contaram à Folha sobre a “mágica” do candidato para impressionar os matutos que ainda não tinham acesso ao mínimo de tecnologia. 

"Quando o matuto vê seu retrato ao lado do governador, fica certo que o homem é santo e explode de alegria. O retrato é guardado no canto mais nobre da casa e ali tem-se um voto que não há dinheiro no mundo que compre", disse Edmundo Moreira, um dos assessores à época.

Mão Santa em campanha no interior do Piauí (Foto: Gustavo Almeida/PoliticaDinamica.com)

A reportagem da Folha ainda descreveu o estilo popular de Mão Santa, que tinha no contato direto com o eleitor o seu grande trunfo político. Certa vez, os flanelinhas de Teresina foram recebidos no Palácio de Karnak, sede do governo estadual, com uma feijoada.

Mas o encontro com carroceiros foi o mais polêmico. Mão Santa mandou eles estacionarem seus "veículos" nos jardins do palácio. A equipe esqueceu de mandar servir ração para os animais e o que se viu foi jegues e cavalos comendo a obra do paisagista Burle Marx.

"Os meus adversários exploraram muito o episódio, mas os carroceiros saíram daqui contentes porque mandei colocar dois veterinários do Estado a serviço dos jumentinhos deles”, argumentou Mão Santa sobre o acontecido.

Na eleição de 1998, Mão Santa, hoje prefeito de Parnaíba, no litoral do Piauí, derrotou Hugo Napoleão numa acirrada disputa no segundo turno e foi reeleito. Ele seria cassado em 2001 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acusado de abuso do poder político e econômico na eleição. 

Foi o primeiro governador cassado da história do Brasil.

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