Coluna Gustavo Almeida Política Dinâmica
AVANÇAR CIDADES
PREFEITOS ACUSAM VEREADORES DE POLITICAGEM

EM PELO MENOS QUATRO CIDADES DO PIAUÍ, PEDIDO DE AUTORIZAÇÃO PARA FINANCIAMENTO DO PROGRAMA FEDERAL FOI BARRADO NA CÂMARA

19/12/2018 07:39 - Atualizado em 19/12/2018 08:26

Recursos foram anunciados em julho no Piauí (Foto: Jailson Soares/PoliticaDinamica)

As Câmaras Municipais de alguns municípios do Piauí têm rejeitado projetos de leis enviados pelas prefeituras pedindo autorização para contratação de financiamento pelo programa Avançar Cidades. Seriam recursos para obras de mobilidade urbana.

Os recursos do Avançar Cidades foram anunciados no Piauí no dia 3 de julho deste ano, em solenidade com o governador Wellington Dias (PT), o senador Ciro Nogueira (Progressistas), o presidente da Caixa, Nelson Antônio, e o ministro das Cidades Alexandre Baldy. Dezenas de prefeitos do Piauí participaram do evento na APPM, em Teresina.

Na sexta-feira (14), o Política Dinâmica publicou que o financiamento do Avançar Cidades foi rejeitado nas cidades de Queimada Nova e Acauã, ambas no semiárido piauiense. Os vereadores contrários falam que a operação de crédito iria endividar as prefeituras. Se a Câmara Municipal tivesse aprovado, Queimada Nova, por exemplo, receberia R$ 3 milhões para obras de pavimentação, valor que a prefeitura teria que pagar em 20 anos.

Desde então, as reprovações também aconteceram nas cidades de Corrente, no Sul do estado, onde a proposta nem foi a plenário após uma manobra da oposição, e em São Félix do Piauí, a 157 km de Teresina. Nesta terça-feira (18), o Política Dinâmica ouviu os prefeitos de Queimada Nova e de Corrente. Um vereador de Queimada Nova que votou pela aprovação do projeto e foi voto vencido também falou com a reportagem.

Prefeito de Corrente lamenta postura da Câmara (Foto: Jailson Soares/PoliticaDinamica)

De acordo com o prefeito de Corrente, Murilo Ribeiro (Progressistas), a atitude da maioria dos vereadores do município causou um grande prejuízo para a cidade. O gestor afirma que a prefeitura tinha totais condições de contrair o financiamento, com boa capacidade de pagamento. Se o projeto tivesse passado, a cidade receberia R$ 8 milhões para pavimentação de 42 ruas. Para Murilo, houve politicagem por parte dos vereadores.

"Corrente tem totais condições, talvez de receber até R$ 15 milhões, mas nós colocamos R$ 8 milhões, totalmente dentro da nossa capacidade de pagamento. Mas infelizmente alguns vereadores não pensaram no povo. Pensaram na politicagem e acabaram prejudicando o município. Foi questão política. Prejudicaram a cidade e não pensaram no povo", falou.

Raimundo Júlio avalia que houve politicagem (Foto: Jailson Soares/PoliticaDinamica.com)

O prefeito de Queimada Nova, Raimundo Júlio (Progressistas), também alegou questões políticas por parte da maioria dos vereadores. "Foi um prejuízo grande. Já estava tudo pronto e a gente estava na expectativa de melhorar a cidade. Quando eu entrei na prefeitura em 2017, a cidade tinha menos de 30% de calçamento e com esse projeto a cidade iria melhorar muito. A oposição reprovou porque não quer ver o crescimento da cidade", falou.

Na reportagem publicada pelo Política Dinâmica na sexta (14), o vereador Carlos Amorim (PSD), um dos que votou contra o projeto em Queimada Nova, alegou que o financiamento iria ajudar a endividar a cidade e que o projeto enviado pela prefeitura não informava sequer as taxas de juros e nem o valor da parcela que seria paga pelo município à Caixa. Raimundo Júlio contestou e disse que o prefeitura tinha condições de contrair o financiamento sem ficar endividada. Sobre a falta de informações no projeto, ele não comentou.

Gilmar Macedo contesta vereador da oposição (Foto: Jailson Soares/PoliticaDinamica)

O vereador Gilmar Macedo (Progressistas), que votou pela aprovação do projeto, disse que o intuito do programa Avançar Cidades é levar melhorias para os municípios e que os vereadores da oposição votaram contra o povo ao rejeitarem o financiamento. Acompanhado do prefeito Raimundo Júlio, o parlamentar contestou a justificativa de que a operação de crédito causaria o endividamento do município de Queimada Nova.

"O que esses vereadores que votaram contra alegaram não passa de um posição política, de questões políticas. Eles tentaram dar tantas explicações, mas o povo sabe entender que isso foi meramente por questões políticas. Sabemos que esse tipo de financiamento ajuda a alavancar a gestão atual, pois seria muitas obras, mas eles não querem isso. A gente tinha direito a pedir até R$ 5 milhões, mas o prefeito já com cautela colocou R$ 3 milhões. A gente lamenta essa postura dos vereadores", argumentou.

Vereador e prefeito rebatem opositores (Foto: Jailson Soares/PoliticaDinamica.com)

Sobre a alegação da oposição de que o projeto não continha sequer as informações básicas sobre taxas aplicadas no financiamento e sobre valor mensal das parcelas, o parlamentar aliado do prefeito rebateu. "O projeto entrou em pauta, ficou oito dias e nenhum vereador questionou nada. Nenhum deles reivindicou nada, nenhum apresentou emenda. Eles simplesmente votaram contra o desenvolvimento de Queimada Nova", finalizou Gilmar.

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